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No Brasil, nada funciona bem

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<span style="font-size:14px;">Nos anos do governo de Fernando Henrique Cardoso o que mais justificou as privatiza&ccedil;&otilde;es foi o argumento de que o Estado, na figura abstrata dos entes de administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, estava em todos os ramos de atividades, t&iacute;picas da iniciativa privada.&nbsp; Era verdade, e nada tem a ver como algumas privatiza&ccedil;&otilde;es foram realizadas.<br />
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Por presun&ccedil;&atilde;o, depois das privatiza&ccedil;&otilde;es, o Estado tomaria conta de suas atividades essenciais. Como n&atilde;o h&aacute; uma defini&ccedil;&atilde;o sobre elas, as mais destacadas seriam a sa&uacute;de, a educa&ccedil;&atilde;o e a seguran&ccedil;a.&nbsp; Passados alguns anos, essas &aacute;reas est&atilde;o piores e as autoridades se satisfazem com desculpas bizarras.<br />
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Quem de algum modo consegue, n&atilde;o mede esfor&ccedil;os nem sacrif&iacute;cios para pagar planos de sa&uacute;de car&iacute;ssimos, com pre&ccedil;os abusivos, para ter atendimento ruim, apenas melhor do que o do sistema p&uacute;blico. Quando se precisa de um exame mais sofisticado, a maioria das institui&ccedil;&otilde;es conveniadas n&atilde;o faz, e algumas s&oacute; realizam em determinadas locais. Al&eacute;m disso, a burocracia para algumas autoriza&ccedil;&otilde;es &eacute; igual &agrave; do SUS. Tem sempre uma predisposi&ccedil;&atilde;o para nega&ccedil;&atilde;o.<br />
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Os mais de quarenta mil assassinatos anuais dispensam maiores coment&aacute;rios sobre a seguran&ccedil;a p&uacute;blica no Brasil, com &iacute;ndices crescentes em S&atilde;o Paulo, estado no qual a criminalidade vinha diminuindo. O n&uacute;mero de carros e de cargas roubadas, de assaltos a estabelecimentos comerciais, aos edif&iacute;cios comprova que esse servi&ccedil;o &eacute; prestado de forma prec&aacute;ria. J&aacute; o n&uacute;mero irris&oacute;rio de condenados pelos crimes serve de incentivo &agrave; criminalidade, assim como as penas insignificantes.<br />
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Na educa&ccedil;&atilde;o, os n&uacute;meros que sobem s&atilde;o os da viol&ecirc;ncia dentro das escolas e a p&eacute;ssima posi&ccedil;&atilde;o do Brasil nos concursos internacionais comprovam que nossa educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o educa. Mas as nossas autoridades s&oacute; veem n&uacute;meros favor&aacute;veis e os especialistas j&aacute; apontaram todos os diagn&oacute;sticos poss&iacute;veis. E ano ap&oacute;s ano a hist&oacute;ria do caos se repete.<br />
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Nesses tr&ecirc;s itens a nota &eacute; baix&iacute;ssima, para n&atilde;o dizer zero, pois um ou outro hospital, um programa funciona razoavelmente.<br />
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Outros servi&ccedil;os s&atilde;o prestados diretamente pela administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica ou por concession&aacute;rias. Nenhum servi&ccedil;o &eacute; prestado satisfatoriamente. As estradas s&atilde;o uma peneira. D&atilde;o imenso preju&iacute;zo aos agricultores no transporte das safras, al&eacute;m de contribu&iacute;rem para o festival de mortes no tr&acirc;nsito. Os transportes coletivos s&atilde;o superlotados, n&atilde;o cumprem hor&aacute;rios e nem esclarece devidamente quando h&aacute; problemas. O metr&ocirc;, os trens e os &ocirc;nibus s&atilde;o vagarosos e verdadeiros supermercados ambulantes, onde se vende de tudo.<br />
Com qualquer chuva, os far&oacute;is das cidades t&ecirc;m efeitos semelhantes ao a&ccedil;&uacute;car e apresentam defeito com qualquer garoa. Quase todas as cidades s&atilde;o muito sujas, pichadas, sem pra&ccedil;as de esporte e de lazer, sem bibliotecas, teatros ou cinemas p&uacute;blicos, mesmo que improvisados.<br />
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Os &oacute;rg&atilde;os de fiscaliza&ccedil;&atilde;o deveriam ser mais fiscalizados do que os servi&ccedil;os que fiscalizam. Em suma, nenhum servi&ccedil;o p&uacute;blico, seja federal, estadual ou municipal funciona a contento. Os cidad&atilde;os se acovardam e n&atilde;o enfrentam as intimida&ccedil;&otilde;es costumeiras dos agentes p&uacute;blicos, especialmente da &aacute;rea de seguran&ccedil;a. Na grande maioria come&ccedil;a com um aviso de que desacatar servidor &eacute; crime, sem mencionar que n&atilde;o prestar o servi&ccedil;o para que fora designado &eacute; igualmente criminoso.<br />
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Intimidar e dificultar a manifesta&ccedil;&atilde;o das pessoas e colocar desculpas tornaram-se um modo de n&atilde;o agir nos servi&ccedil;os p&uacute;blicos. Virou clich&ecirc; alegar falta de funcion&aacute;rio e de material, al&eacute;m de constantemente os aparelhos estarem quebrados. Nunca citam que os funcion&aacute;rios n&atilde;o cumprem os hor&aacute;rios corretamente, que deveria haver pe&ccedil;as de reposi&ccedil;&atilde;o e empresas para manuten&ccedil;&atilde;o. Acabar com as v&aacute;rias dispensas de ponto que existem, com as faltas abonadas, com as permiss&otilde;es para sa&iacute;rem no hor&aacute;rio de expediente. Deveriam submet&ecirc;-los a treinamentos e aprimoramento permanentes. E o mais importante seria intensificar o controle sobre os materiais utilizados, com especial fiscaliza&ccedil;&atilde;o nos hospitais, prontos-socorros e postos de sa&uacute;de.<br />
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N&atilde;o resta d&uacute;vida sobre o acerto da m&aacute;xima de que cada povo tem o governo que merece. H&aacute; mais de um ano reclamo de um vazamento em S&atilde;o Paulo, junto &agrave; esta&ccedil;&atilde;o Anhangaba&uacute; do Metr&ocirc;. A Sabesp alegou compet&ecirc;ncia da prefeitura.&nbsp; Arrumaram, mas n&atilde;o demorou dois meses e o vazamento continua l&aacute;, h&aacute; menos de 200 metros do gabinete do prefeito e a uns 300 da C&acirc;mara Municipal, que tem 55 vereadores e mais de mil funcion&aacute;rios e ningu&eacute;m v&ecirc; isso por eles mesmos. Pior, quando consertam, a dura&ccedil;&atilde;o &eacute; de meses.<br />
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Este ano j&aacute; reclamei da sujeira numa esta&ccedil;&atilde;o da CPTM &ndash; Companhia Paulista de Trens Metropolitanos de S&atilde;o Paulo – e de cal&ccedil;adas altas. Se ao menos sua insatisfa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o for demonstrada, os governos ficam como gostam: inertes e sem cobran&ccedil;as.(Por&nbsp;</span><span style="font-size: 14px;">Pedro Cardoso da Costa)</span></div>

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