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Internação compulsória de moradores de rua

admin -

<div style="text-align: justify;">
<span style="font-size:14px;">Todos t&ecirc;m conhecimento por meio dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o que moradores de rua existem no mundo todo, por&eacute;m bem mais presente nos pa&iacute;ses pobres e em desenvolvimento. No Brasil parece ter se transformado numa cat&aacute;strofe. Est&aacute; vigente em todas as cidades e regi&otilde;es do pa&iacute;s.<br />
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Assim como as drogas, as causas que levam pessoas a preferirem as ruas a conviver num lar s&atilde;o diversas; mas a solu&ccedil;&atilde;o se funda nos seus efeitos. De comum s&oacute; a predomin&acirc;ncia de problemas mentais na maioria dos moradores, seja no momento de optar por viver nas ruas ou em decorr&ecirc;ncia de uma realidade cruel.<br />
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Essas pessoas s&atilde;o desprovidas de raz&atilde;o para viver. Com o passar do tempo deixa de cuidar at&eacute; da higiene pessoal. Vivem muito sujas, desvinculadas dos familiares e numa solid&atilde;o profunda. Isso &eacute; a regra, exce&ccedil;&otilde;es devem existir, mas de dif&iacute;cil percep&ccedil;&atilde;o. Dentro de uma normalidade ningu&eacute;m trocaria um cobertor quente e cheiroso pelo frio enrolado num &ldquo;molambo&rdquo;, n&atilde;o permitiria&nbsp; a troca da prote&ccedil;&atilde;o paterna por um risco iminente de abandono e solid&atilde;o das ruas, mas quando se opta pelas ruas &eacute; porque j&aacute; falta grande parte ou tudo isso.<br />
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Ainda que alguns sustentem por puro ego, o morador de rua foi desamparado em grande parte da vida e escolheu as drogas como v&aacute;lvula de escape. No in&iacute;cio, vendeu com soberba e arrog&acirc;ncia a ideia de ser imune aos efeitos e que pararia quando quisesse. Nesse momento, a fam&iacute;lia fica em segundo plano por ser careta, e os verdadeiros amigos tamb&eacute;m. Prevalecem os amigos da droga, seus futuros companheiros de rua, para quem escapou do cemit&eacute;rio antes. Sobra a revolta, a culpada &eacute; a fam&iacute;lia que n&atilde;o o compreendeu, todos aqueles que foram ironizados passam a ser respons&aacute;veis pela sua desgra&ccedil;a e a rua &eacute; o que sobra.<br />
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N&atilde;o se chega &agrave;s ruas sem se ter passado por um longo caminho de equ&iacute;vocos, cujo respons&aacute;vel principal &eacute; do pr&oacute;prio indiv&iacute;duo. Esses erros pessoais n&atilde;o retiram do Estado a obriga&ccedil;&atilde;o prec&iacute;pua de proteg&ecirc;-los e da sociedade de ajudar nesse processo.<br />
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S&atilde;o recorrentes a&ccedil;&otilde;es paliativas, a come&ccedil;ar pelos &oacute;rg&atilde;os de Assist&ecirc;ncia Social dos governos estaduais e municipais que distribuem marmitas, roupas e agasalhos. Essas pessoas precisam bem mais do que bens materiais. &Eacute; preciso reconhecer que a maioria esmagadora sofre de dist&uacute;rbios mentais. Elas precisam de atendimento m&eacute;dico. Faz-se necess&aacute;rio a cria&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para sanar o problema ou ao menos diminuir substancialmente os moradores. Uma iniciativa a ser testada seria a interna&ccedil;&atilde;o compuls&oacute;ria para tratamento psiqui&aacute;trico ou psicol&oacute;gico, semelhante &agrave; interna&ccedil;&atilde;o dos viciados em droga, em que fatalmente chega quem vive nas ruas.<br />
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Por ideologia pura, muitos s&atilde;o contra a interven&ccedil;&atilde;o estatal sob o argumento respeit&aacute;vel do risco de se retirar a liberdade, a &uacute;nica coisa boa que ainda lhes resta. Al&eacute;m de ainda estarem expostos a sofrerem arbitrariedades e maus tratos.<br />
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Mas a&iacute; &eacute; ir longe demais, pois os ambientes precisam ser saud&aacute;veis e adequados ao tratamento de recupera&ccedil;&atilde;o, com profissionais altamente capacitados em suas especialidades e escolhidos a dedo. Jamais se defenderia apenas a cria&ccedil;&atilde;o de mais institui&ccedil;&otilde;es para jogar dinheiro do contribuinte no lixo, ou para funcionar apenas como propaganda eleitoral do governo de plant&atilde;o.<br />
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Antes de qualquer interna&ccedil;&atilde;o, seria preciso uma avalia&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica para atestar que aquelas pessoas n&atilde;o s&atilde;o mais capazes de ressocializa&ccedil;&atilde;o por si. Por isso, ap&oacute;s a recupera&ccedil;&atilde;o seria necess&aacute;rio a&ccedil;&otilde;es afirmativas para reinser&ccedil;&atilde;o ao mercado de trabalho. Essa an&aacute;lise deve ocorrer independente da vontade do morador de rua. Em s&atilde; consci&ecirc;ncia, ningu&eacute;m mora na rua por livre escolha.<br />
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Pedro Cardoso da Costa &ndash; Interlagos/SP<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp; Bacharel em direito</span></div>

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