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No país das contradições, taxistas e mototaxistas clamam por fiscalização, o crime é organizado e quadrilhas especializadas

admin -

<div style="text-align: justify;">
<span style="font-size:14px;"><u>Arnaldo Filho</u><br />
<em>Opini&atilde;o</em><br />
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Resta apenas protestar e arcar com os elevados custos da omiss&atilde;o do Poder P&uacute;blico Municipal. Sabemos que &eacute; sua obriga&ccedil;&atilde;o disciplinar, organizar e fiscalizar, acima de tudo, o funcionamento do transporte de passageiros, seja coletivo ou individual. No entanto, &agrave;s claras se percebe uma omiss&atilde;o, interpretada em v&aacute;rias gest&otilde;es, cujos resultados convergem para problemas muito maiores.&nbsp;&nbsp;<br />
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Ir &agrave;s ruas &eacute; de fato a &uacute;ltima, das &uacute;ltimas, tentativas que a popula&ccedil;&atilde;o e as categorias organizadas ainda encontram para chamar a aten&ccedil;&atilde;o das autoridades para problemas simples, mas que parecem sem solu&ccedil;&atilde;o. A fiscaliza&ccedil;&atilde;o que deveria ser &ldquo;livre iniciativa&rdquo; do poder p&uacute;blico, a seu pr&oacute;prio bem, tornou-se bandeira de protestos em Aragua&iacute;na (TO), por&eacute;m por parte daqueles que rogam pela sua exist&ecirc;ncia. Por isso dizemos que o Brasil &eacute; um pa&iacute;s de contradi&ccedil;&otilde;es.<br />
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<u><strong>Manifesta&ccedil;&atilde;o de taxistas e mototaxistas</strong></u><br />
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A gigantesca manifesta&ccedil;&atilde;o de taxistas e mototaxistas, at&eacute; da Via&ccedil;&atilde;o Lontra, que percorreu as principais ruas de Aragua&iacute;na (TO) na manh&atilde; de quarta-feira (22) evidencia muito bem esse contrassenso. Eles n&atilde;o querem cargos p&uacute;blicos, n&atilde;o querem incentivos fiscais, muitos menos favores. Querem apenas fiscaliza&ccedil;&atilde;o para coibir a atua&ccedil;&atilde;o clandestina no transporte de passageiros.<br />
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A aus&ecirc;ncia de fiscaliza&ccedil;&atilde;o tem resultados desastrosos, seja na arrecada&ccedil;&atilde;o de impostos, na seguran&ccedil;a p&uacute;blica e at&eacute; mesmo no pr&oacute;prio controle do transporte p&uacute;blico. Al&eacute;m disso, a atua&ccedil;&atilde;o desenfreada de motoristas clandestinos usurpa de forma desonesta o trabalho do profissional regularizado.<br />
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&lsquo;A luz do dia&rsquo; n&atilde;o &eacute; mais motivo de temor. Os taxistas clandestinos fazem filas nas paradas de &ocirc;nibus. J&aacute; os mototaxistas s&atilde;o ainda mais ousados e usam coletes laranjados fazendo transmitir uma falsa impress&atilde;o de legalidade. Tudo isso &agrave; luz do dia e na frente das autoridades.<br />
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Esta falta de fiscaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; tamb&eacute;m uma prova real de que a desonestidade e a corrup&ccedil;&atilde;o valem &agrave; pena. De que fazer &ldquo;caixa 2&rdquo; &eacute; vi&aacute;vel. De que &eacute; lucrativo sonegar impostos, infringir as normas e vangloriar-se da impunidade.&nbsp; Como exemplo disso h&aacute; essa &ldquo;epidemia de viol&ecirc;ncia&rdquo;, desenfreada, que tomou conta de Aragua&iacute;na. Para os mais otimistas, &eacute; apenas um problema comum que assola as m&eacute;dias e grandes cidades do pa&iacute;s.<br />
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<strong><u>Solu&ccedil;&atilde;o vem a galope</u></strong><br />
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Como sempre, as solu&ccedil;&otilde;es para os problemas sociais v&ecirc;m a galope. S&atilde;o meses ou at&eacute; anos se pensando na solu&ccedil;&atilde;o de um problema que se resolve enxugando a folha e contratando Agentes de Tr&acirc;nsito.&nbsp; O impacto financeiro ser&aacute; muito menor do que o impacto social resultante desta aus&ecirc;ncia de ordem.<br />
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Para a Prefeitura de Aragua&iacute;na, a Ag&ecirc;ncia Municipal de Tr&acirc;nsito e Transportes ficar&aacute; respons&aacute;vel pela fiscaliza&ccedil;&atilde;o. Acontece, por&eacute;m, que o projeto n&atilde;o foi sequer votado e aprovado na C&acirc;mara. Somente ap&oacute;s esta etapa &eacute; que se pensar&aacute; no concurso para contrata&ccedil;&atilde;o de apenas 15 Agentes de Tr&acirc;nsito. Segundo a Prefeitura, a previs&atilde;o &eacute; que o edital seja publicado entre 45 e 60 dias.<br />
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Posteriormente, surge outro problema, o p&aacute;tio que guardar&aacute; os ve&iacute;culos apreendidos. A contrata&ccedil;&atilde;o do local s&oacute; poder&aacute; acontecer mediante licita&ccedil;&atilde;o e a previs&atilde;o &eacute; que este processo, ap&oacute;s a cria&ccedil;&atilde;o da Ag&ecirc;ncia, dure de 6 a 10 meses.<br />
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Em suma, ano de Copa do Mundo ser&aacute; um jardim de felicidade para os taxistas e mototaxistas que atuam na ilegalidade. Uma mo&ccedil;&atilde;o de aplausos &agrave; morosidade do Poder P&uacute;blico. Fiscaliza&ccedil;&atilde;o mesmo, s&oacute; em 2015!<br />
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<u><strong>Criminalidade</strong></u><br />
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J&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; criminalidade, nem mesmo a Avenida mais movimentada da cidade escapa da a&ccedil;&atilde;o ousada de marginais. S&atilde;o roubos, furtos, homic&iacute;dios e, por &uacute;ltimo, a explos&atilde;o de um caixa eletr&ocirc;nico usando dinamites. Uma a&ccedil;&atilde;o anunciada com o tempo necess&aacute;rio para que as autoridades se preparassem. O que efetivamente n&atilde;o aconteceu. Para o bom entendedor, a mesma a&ccedil;&atilde;o em dezenas de cidades pr&oacute;ximas a Aragua&iacute;na j&aacute; era um sinal, ou melhor, um bom sinal.&nbsp;<br />
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Agora temos que fechar as portas para que os bandidos fiquem soltos. O que vemos no Brasil &eacute; um sistema falido, ap&aacute;tico e sem investimentos nas institui&ccedil;&otilde;es juridicamente constitu&iacute;das. Aqui usamos as express&otilde;es quadrilhas &ldquo;especializadas&rdquo; e crime &ldquo;organizado&rdquo; quando na verdade o Estado deveria ser o detentor de tamanha &ldquo;organiza&ccedil;&atilde;o e especialidade&rdquo;. Isso refor&ccedil;a a tese de que mesmo um pa&iacute;s de contradi&ccedil;&otilde;es.<br />
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Com este grau de permissividade, n&atilde;o vejo como absurdo imaginarmos que da&iacute; a pouco teremos a organiza&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica das organiza&ccedil;&otilde;es criminosas. Da&iacute; v&atilde;o surgir os Sindicatos dos Transportadores Clandestinos de Passageiros; Associa&ccedil;&atilde;o dos Especialistas em Explos&atilde;o de Caixas Eletr&ocirc;nicos; Confedera&ccedil;&atilde;o dos Bandidos de Colarinhos Brancos; Conselho dos Sonegadores Fiscais, ou at&eacute; mesmo a Rep&uacute;blica da Omiss&atilde;o sob o disfarce de Poder P&uacute;blico, quem sabe at&eacute; mesmo o paralelo.</span></div>

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