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65% concordam que mulheres com roupas curtas 'merecem ser atacadas', aponta pesquisa Ipea

admin -

<span style="font-size:14px;">Se as mulheres soubessem se comportar, haveria menos estupro. Esse pensamento &eacute; predominante no Brasil, como mostram os 58,5% dos entrevistados que concordaram total ou parcialmente com essa frase, de acordo com a pesquisa sobre Toler&acirc;ncia Social &agrave; Viol&ecirc;ncia Contra as Mulheres, divulgada nesta quinta-feira (27), pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada).<br />
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O levantamento indicou tamb&eacute;m que 65,1% concordam, total ou parcialmente, que &ldquo;mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas&rdquo;.<br />
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Segundo a pesquisa, esse dado mostra que h&aacute; uma ideia na sociedade de que os homens n&atilde;o conseguem controlar seus apetites sexuais e, dessa forma, as mulheres &eacute; que deveriam &ldquo;saber se comportar e n&atilde;o o estuprador&rdquo;. Al&eacute;m disso, para os brasileiros, a mulher &ldquo;merece e deve ser estuprada para aprender a se comportar&rdquo;, conclui o estudo.<br />
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Diante dessas conclus&otilde;es, o levantamento indica que os brasileiros acreditam que &ldquo;o acesso dos homens aos corpos das mulheres &eacute; livre se elas n&atilde;o impuserem barreiras como se comportar e se vestir adequadamente&rdquo;. Entre os entrevistados, os jovens que moram no sul e no sudeste do Pa&iacute;s t&ecirc;m menor chance de concordar com essas afirmativas.<br />
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De acordo com o levantamento, &ldquo;n&atilde;o h&aacute; caracter&iacute;sticas populacionais que determinem intensamente uma postura mais tolerante &agrave; viol&ecirc;ncia, mas os primeiros resultados apontam que morar em metr&oacute;poles, nas regi&otilde;es mais ricas do pa&iacute;s, Sul e Sudeste, ter escolaridade mais alta e ser mais jovem s&atilde;o atributos que refor&ccedil;am a probabilidade de uma ades&atilde;o a valores mais igualit&aacute;rios, de respeito &agrave; diversidade, e de uma postura mais intolerante em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; viol&ecirc;ncia contra as mulheres&rdquo;.<br />
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<u><strong>Mulher para casar</strong></u><br />
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O levantamento do Ipea confirmou a perman&ecirc;ncia de um velho ditado sexista: o de que existe uma mulher para casar, e uma outra s&oacute; para o sexo. Mais da metade dos entrevistas (54,9%) concorda total ou parcialmente&nbsp; que &ldquo;tem mulher que &eacute; pra casar, tem mulher que &eacute; pra cama&rdquo;.<br />
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A avalia&ccedil;&atilde;o negativa sobre a vida sexual das mulheres n&atilde;o para por a&iacute;: mais de um quarto da popula&ccedil;&atilde;o entrevistada (27,2%) avalia, total ou parcialmente, que &ldquo;a mulher casada deve satisfazer o marido na cama, mesmo quando n&atilde;o tem vontade&rdquo;.<br />
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O estudo enfatiza que &ldquo;classificar as mulheres de acordo com seu comportamento sexual, avaliando-o sob a perspectiva masculina, e considerar que mulheres sexualmente livres n&atilde;o s&atilde;o boas companheiras s&atilde;o ideias que evidenciam de forma gritante o sexismo presente em nossa sociedade&rdquo;.<br />
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A imagem de uma mulher com vida sexual restrita &eacute; corroborada por uma outra descoberta da pesquisa: a de que metade dos entrevistados (50,9%) concorda totalmente que toda mulher sonha em se casar. Da mesma forma, quase 60% dos respondentes disseram concordar total ou parcialmente que uma mulher s&oacute; se sente realizada quando tem filhos.<br />
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No estudo, o Ipea conclui que essas impress&otilde;es sobre os desejos das mulheres s&atilde;o compat&iacute;veis com a ideia de que elas somente podem encontrar a plenitude numa rela&ccedil;&atilde;o est&aacute;vel com um homem, ou, ainda, de que depende de um companheiro que a sustente. O pensamento tamb&eacute;m mostra uma imagem de mulher mais recatada e com menos desejos sexuais, n&atilde;o almejando, portanto, uma vida de solteira ou de muitos parceiros.<br />
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<strong><u>Entrevistados</u></strong><br />
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O Ipea ouviu, entre maio e junho de 2013, 3.810 entrevistados de todas as regi&otilde;es do Pa&iacute;s. Destes, 56,7% eram do&nbsp; Sul e do Sudeste e 29,1%, residentes em &aacute;reas metropolitanas. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; faixa et&aacute;ria, 28,5% eram jovens entre 16 e 29 anos; 52,4% tinham entre 30 e 59 anos e 19,1% eram idosos com 60 ou idade superior.<br />
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Dos que participaram do levantamento, 66,5% eram mulheres; 38,7%, brancos; 65,7%, cat&oacute;licos; 24,7%, evang&eacute;licos e 9,6%, pertencentes &agrave;s demais religi&otilde;es, ateus e sem religi&atilde;o.<br />
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No que diz respeito ao grau de escolaridade, 41,5% daqueles que fizeram parte da sondagem tinham menos do que o ensino fundamental; 22,3%, o ensino fundamental; 30,8%, ensino m&eacute;dio e 5,4%, ensino superior. (R7)</span>

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