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Renúncia de Siqueira Campos: Será o fim das Oligarquias Republicanas?

admin -

<span style="font-size:14px;"><u>Marcos Reis</u><br />
Opini&atilde;o<br />
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A not&iacute;cia da ren&uacute;ncia do Governador Siqueira Campos, precedida pela ren&uacute;ncia tamb&eacute;m do vice Jo&atilde;o Oliveira, inicialmente causou pouco impacto no circuito pol&iacute;tico do Estado, ao contr&aacute;rio de quem, de fora, eventualmente possa ter sido surpreendido por tal medida.<br />
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Inicialmente tudo faz parte de uma estrat&eacute;gia ensaiada para a manuten&ccedil;&atilde;o e perpetua&ccedil;&atilde;o de um &uacute;nico grupo pol&iacute;tico nos mandos e controle do Estado, bem como de seus &oacute;rg&atilde;os estrat&eacute;gicos, com o fim prec&iacute;puo da perpetua&ccedil;&atilde;o da atual oligarquia reinante. E n&atilde;o seria injusto dizer que o &ldquo;siqueirismo&rdquo; encontra-se presente antes mesmo da emancipa&ccedil;&atilde;o do Estado, com o fracionamento do norte goiano, uma vez que o pr&oacute;prio se autoproclama fundador do Tocantins.<br />
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Um fato inconteste n&atilde;o pode ser ignorado: ao contr&aacute;rio do que imaginam ou deduzem os estrategistas pol&iacute;ticos do atual governo, a opini&atilde;o p&uacute;blica discorda, em sua ampla maioria, de uma eventual continuidade da fam&iacute;lia Siqueira Campos nos mandos do Estado.<br />
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Outro personagem emblem&aacute;tico e tamb&eacute;m diretamente influenciador nos prim&oacute;rdios do Tocantins, j&aacute; n&atilde;o desfruta da mesma credibilidade e aceita&ccedil;&atilde;o popular de outrora. Em quase seis d&eacute;cadas dedicadas &agrave; pol&iacute;tica e, a maioria delas ao Poder Legislativo, Jos&eacute; Sarney, que deixou o Maranh&atilde;o e plantou os p&eacute;s no Amap&aacute;, sagrando-se por vezes consecutivas, senador com uma quantidade inexpressiva de votos, tamb&eacute;m amarga uma rejei&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica, assim como sua fam&iacute;lia em todo naquele Estado. Os desmandos dos &ldquo;Sarneys&rdquo; apontam a um futuro melanc&oacute;lico desta que pode ser considerada uma das oligarquias mais poderosas da atual Rep&uacute;blica.<br />
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No Par&aacute;, os Barbalhos ensaiam um retorno triunfal ao Pal&aacute;cio dos Despachos. Ap&oacute;s uma vit&oacute;ria question&aacute;vel de Jader no STF, no que diz respeito &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o da lei da Ficha Limpa, o senador paraense segurou a bitola absoluta do PMDB. Sua palavra no partido &eacute; lei. Desde 2002, vem testando por v&aacute;rias vezes, a elegibilidade do filho ca&ccedil;ula, Helder Barbalho, tendo como bal&otilde;es de ensaio quatro elei&ccedil;&otilde;es, sempre com expressiva vota&ccedil;&atilde;o. Helder foi o vereador mais votado de toda a hist&oacute;ria de Ananindeua, bem como foi o Deputado Estadual mais votado de seu tempo, eleito e reeleito em primeiro turno prefeito de Ananindeua, segunda maior cidade e col&eacute;gio eleitoral do Estado, quando disputou com o atual prefeito desta cidade, o economista Manoel Pioneiro. Dois anos ausentes do cen&aacute;rio pol&iacute;tico foram suficientes para especular se o herdeiro pol&iacute;tico de Jader Barbalho j&aacute; estaria apto para dar continuidade ao &ldquo;jaderismo&rdquo; iniciado pelo pai em 1983.<br />
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A bem da verdade, como manda o figurino, os antigos &ldquo;chefes&rdquo; est&atilde;o envelhecendo. &Eacute; natural que tentem, ainda que prec&aacute;ria e sofregamente, participar dos dom&iacute;nios onde outrora eram soberanos, mas a pouca energia e vitalidade, j&aacute; lhes impedem de maiores feitos. O &ldquo;siqueirismo&rdquo;, o &ldquo;sarneyzismo&rdquo; e o &ldquo;jaderismo&rdquo; s&atilde;o exemplos mais pr&oacute;ximos e not&aacute;veis destas oligarquias supra fronteiri&ccedil;as do norte brasileiro, onde a maioria da popula&ccedil;&atilde;o votante &eacute; pobre e desfavorecida at&eacute; mesmo intelectualmente. Para isso, arquitetam cautelosamente a sucess&atilde;o, sempre priorizando crit&eacute;rios &ldquo;familiocr&aacute;ticos&rdquo;, nunca perdendo o foco do exerc&iacute;cio do dom&iacute;nio. Por outro lado, excluem crit&eacute;rios t&eacute;cnicos, &agrave; revelia do bem estar do povo, para instalar &ldquo;goela abaixo&rdquo; seus projetos de poder.<br />
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Um feito hist&oacute;rico temos percebido: a popula&ccedil;&atilde;o, paulatinamente, tem dado respostas cada vez mais negativas &agrave;s insistentes tentativas de perpetua&ccedil;&atilde;o familiar no poder. No Amap&aacute; as pesquisas apontam que para o Senado Federal, Jos&eacute; Sarney disp&otilde;e de esqu&aacute;lidos 6,5% da prefer&ecirc;ncia popular, a despeito de sua hist&oacute;ria pol&iacute;tica. &Agrave; reboque nesta decad&ecirc;ncia, Roseana Sarney n&atilde;o consegue equilibrar o Maranh&atilde;o e o Pal&aacute;cio dos Le&otilde;es se tornou cada vez mais alvo de investiga&ccedil;&otilde;es do Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal e do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a. A seguran&ccedil;a p&uacute;blica tem sido uma pauta amarga para a Governadora que se v&ecirc; afundar tamb&eacute;m com o pai, e cujas for&ccedil;as da Rede Mirante de TV e R&aacute;dio podem j&aacute; n&atilde;o ser suficientes para i&ccedil;&aacute;-la politicamente.<br />
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No Par&aacute;, Helder Barbalho se vale da conturbada e desequilibrada administra&ccedil;&atilde;o tucana e do poderio midi&aacute;tico que disp&otilde;e em seu patrim&ocirc;nio particular, a saber, a RBA, repetidora da Band no Estado e um n&uacute;mero elevado de esta&ccedil;&otilde;es de r&aacute;dio e TV, al&eacute;m de jornais di&aacute;rios, tendo como carro chefe o &ldquo;Di&aacute;rio do Par&aacute;&rdquo;, al&eacute;m de outros regionalizados, nos moldes de Folha de S&atilde;o Paulo e Estad&atilde;o, mas ainda assim, carrega nas costas a maldita heran&ccedil;a dos atos de improbidade do pai.<br />
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Para o Par&aacute; e o Maranh&atilde;o, o resultado poder&aacute; ser previs&iacute;vel, se o povo permitir-se levar pelo colorido da campanha e pela &ldquo;fanfarra&rdquo; eleitoral.<br />
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O Tocantins &eacute; um caso a parte. A hist&oacute;ria do Estado confunde-se em muito com a trajet&oacute;ria pol&iacute;tica de Siqueira Campos. Atrevo-me a dizer que aqui quem pretendeu ou pretende fazer pol&iacute;tica, h&aacute; de cruzar, de um modo ou de outro, com o &ldquo;velho do Cariri&rdquo;. H&aacute; atualmente apenas os &ldquo;Pr&oacute; Siqueira&rdquo; e a oposi&ccedil;&atilde;o. Vislumbramos outras vias alternativas, mas nem de longe amea&ccedil;am essa dualidade hist&oacute;rica. E n&atilde;o amea&ccedil;am porque o povo j&aacute; foi domesticado &agrave;quele velho h&aacute;bito do &ldquo;SIQUEIRA: AME-O ou DETESTE-O&rdquo;.<br />
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A pol&iacute;tica tocantinense entrou em uma linha de convers&atilde;o nefasta, cegando dolosamente as vias alternativas, &uacute;nica e exclusivamente porque quase sempre elas n&atilde;o disp&otilde;em da principal arma que os oligarcas manejam com maestria: o poder econ&ocirc;mico. Ser&aacute; que o povo tocantinense ir&aacute; responder positivamente &agrave; tentativa de manuten&ccedil;&atilde;o da oligarquia siqueirista no Estado ou ir&aacute; escolher uma oposi&ccedil;&atilde;o que tem tamb&eacute;m como foco o combate ao atual ex-governador e o legado que (bem ou mal) deixou?<br />
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Outubro nos dir&aacute; se ir&atilde;o governar por mais algumas d&eacute;cadas as velhas oligarquias regionais. Mas &eacute; sempre bom lembrar: quem decide isso, por incr&iacute;vel que pare&ccedil;a, somos n&oacute;s mesmos.<br />
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<u><strong>*Marcos Reis</strong></u> <span style="font-size:12px;"><em>&eacute; advogado criminalista, escritor e professor de Direito Penal e Constitucional. &Eacute; natural de Bel&eacute;m e reside em Aragua&iacute;na onde exerce a advocacia e ministra aulas jur&iacute;dicas. Pertence &agrave; Academia Paraense de Letras.</em></span></span>

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