Sobral – 300×100
Seet

A discussão sobre a escola ideal

admin -

<span style="font-size:14px;"><u>Pedro Cardoso da Costa</u></span><br />
<br />
<span style="font-size:14px;">Trata-se de um tema pol&ecirc;mico, sobre o qual, especialistas e pessoas do meio escrevem, fazem cr&iacute;ticas, apontam solu&ccedil;&otilde;es, mas que no Brasil n&atilde;o s&atilde;o resolvidos alguns gargalos.<br />
<br />
H&aacute; muito se critica a qualidade do ensino e a fun&ccedil;&atilde;o da escola na prepara&ccedil;&atilde;o do cidad&atilde;o. Os pais atribuem &agrave; escola o papel de toda forma&ccedil;&atilde;o sociocultural dos seus filhos. Se o menino trata mal algu&eacute;m, a culpa &eacute; da escola onde estuda.<br />
O ponto a se tratar aqui &eacute; o estado f&iacute;sico das escolas, de ponta a ponta do pa&iacute;s danificados e totalmente rabiscados. S&atilde;o casos de total abandono reiteradamente mostrados pela televis&atilde;o. Todos reclamam, sentem falta de uma escola bem cuidada, pintada e limpa. Mas isso tem se mostrado uma utopia, tanto que h&aacute; algum tempo solicitei &agrave; Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Paulo que apontasse uma &ndash; uma s&oacute; &ndash; escola sem picha&ccedil;&atilde;o nas paredes ou nos muros. A Secretaria repassou-me &agrave;s delegacias e essas a cada escola. Esse pedido fica aqui formalizado a cada estado, a cada munic&iacute;pio e at&eacute; a Uni&atilde;o.<br />
<br />
Importante &eacute; saber como sair desse c&iacute;rculo vicioso e conseguir uma escola p&uacute;blica com um pr&eacute;dio minimamente bem cuidado, que forne&ccedil;a um ensino de qualidade. A resposta foi dada recentemente por uma diretora no programa Fant&aacute;stico, da rede Globo. Muito convicta, disse que n&atilde;o existe uma f&oacute;rmula e somente um conjunto de a&ccedil;&otilde;es envolvendo do professor ao morador daquela comunidade pode constituir uma boa escola.<br />
<br />
Ningu&eacute;m &eacute; capaz de duvidar da exist&ecirc;ncia de pessoas respons&aacute;veis pela preserva&ccedil;&atilde;o dos pr&eacute;dios escolares e de todos as edifica&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas. Mas se voc&ecirc; perguntar ao diretor de uma escola por que os muros nunca s&atilde;o preservados, que ele possivelmente apontar&aacute; a Pol&iacute;cia Militar pela parte externa e os alunos pelas paredes internas. Caso essas mesmas perguntas sejam dirigidas aos policiais, aos chefes de batalh&otilde;es, eles apontar&atilde;o para a sociedade, para seus superiores hier&aacute;rquicos. Parece uma t&aacute;tica de generalizar o problema e assim difundir tanto a responsabilidade. Com isso, nem o problema &eacute; resolvido, nem h&aacute; respons&aacute;veis pela perpetua&ccedil;&atilde;o. Em S&atilde;o Paulo, para evitar picha&ccedil;&otilde;es, numa demonstra&ccedil;&atilde;o de rendi&ccedil;&atilde;o absoluta, muitos estabelecimentos afixam placas com aviso de que colaboram com alguma institui&ccedil;&atilde;o de grafiteiros.<br />
<br />
Algumas, bem poucas, escolas se tornaram limpas e bem cuidadas com o envolvimento de todos os agentes. Foram criadas comiss&otilde;es de alunos, de pais e at&eacute; de moradores da comunidade. Presume-se que, ao sentirem parte ativa da escola, agu&ccedil;a-se a afetividade e todos abra&ccedil;am com maior zelo.<br />
<br />
Nem mesmo o mobili&aacute;rio &eacute; poupado da quebradeira. Mesas, cadeiras e arm&aacute;rios viram lousas onde se escreve de tudo, quando n&atilde;o s&atilde;o apenas rabiscadas e quebradas; cortinas s&atilde;o rasgadas e outros utens&iacute;lios riscados ou danificados. Na grande maioria nem os vasos e portas dos banheiros escapam. O que nunca se explica claramente &eacute; por que n&atilde;o se consegue evitar a quebradeira, nem se &eacute; feito alguma coisa para isso.<br />
<br />
Atualmente, a escola n&atilde;o &eacute; um lugar nem aconchegante, nem limpo, nem seguro, nem agrad&aacute;vel. Nos fins de semana, as quadras s&atilde;o invadidas por alunos e pessoas de fora da escola, sem acompanhamento e organiza&ccedil;&atilde;o.<br />
<br />
Quando se fala numa escola ideal, o primeiro pensamento que vem &eacute; a qualidade do ensino. No entanto, o espa&ccedil;o f&iacute;sico, ao inv&eacute;s de ser o cart&atilde;o de visita, &eacute; o primeiro a simbolizar o abandono, a terra de ningu&eacute;m que se tornaram as escolas p&uacute;blicas brasileiras. Mas quem ouvir as autoridades respons&aacute;veis pela Educa&ccedil;&atilde;o falarem sobre a estrutura das escolas, deduzir&aacute; que Noruega, Su&iacute;&ccedil;a, Jap&atilde;o, Canad&aacute;, entre outros, morrer&atilde;o de inveja.<br />
<br />
<u><strong>Pedro Cardoso da Costa</strong></u> &ndash; Interlagos/SP<br />
&nbsp;&nbsp; Bacharel em direito</span>

Comentários pelo Facebook: