Nada de novo nas campanhas

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<span style="font-size:14px;">H&aacute; uma cr&iacute;tica difundida pela m&iacute;dia e formadores de opini&atilde;o de que o eleitor &eacute; o respons&aacute;vel pelos maus administradores que elegem. Numa vis&atilde;o r&aacute;pida e superficial, est&aacute; correto; numa an&aacute;lise mais profunda, nada mais errado.<br />
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Os eleitores s&atilde;o obrigados a votar e precisam primeiro participar de pol&iacute;tica por op&ccedil;&atilde;o. Erro no pontap&eacute; inicial. O voto facultativo &eacute; imperativo da l&oacute;gica da democracia.<br />
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Depois, n&atilde;o h&aacute; viv&ecirc;ncia nem participa&ccedil;&atilde;o no processo de escolha dos candidatos. Em 1986, fiz um trabalho para provar a import&acirc;ncia do voto numa boa escolha e tamb&eacute;m uma compara&ccedil;&atilde;o com cobras venenosas.<br />
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Adquiri v&aacute;rias serpentes de pl&aacute;stico e a cada uma atribu&iacute; o nome de um candidato a governador em S&atilde;o Paulo. Fiz um c&iacute;rculo e coloquei um sapo no centro. O dia da elei&ccedil;&atilde;o seria o dia que esse sapo teria que sair do cerco. S&oacute; escolheria o veneno com que morreria. Qu&eacute;rcia era a cascavel e foi eleita.<br />
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Nova elei&ccedil;&atilde;o se aproxima e as cr&iacute;ticas recaem sobre a dicotomia entre a insatisfa&ccedil;&atilde;o generalizada do eleitor e a manuten&ccedil;&atilde;o dos mesmos pol&iacute;ticos. N&atilde;o faz diferen&ccedil;a para o eleitor trocar uma cobra por outra. Vai ser fatal com qualquer uma.<br />
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Todos os governos novatos colocam a culpa nos anteriores. No governo federal h&aacute; 12 anos, o pessoal do Partido dos Trabalhadores ainda n&atilde;o fica corado ao comparar as suas mazelas com as do governo de Fernando Henrique Cardoso. O mesmo ocorre com o Partido da Social Democracia Brasileira em S&atilde;o Paulo.<br />
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Basta exemplificar com o aumento estrondoso recente da viol&ecirc;ncia no Brasil inteiro, inclusive em S&atilde;o Paulo, onde o PSDB est&aacute; h&aacute; 20 anos. Como no Brasil o menor de idade n&atilde;o pode ser considerado bandido, todo delinquente at&eacute; 38 anos &eacute; cria desse Partido. Insinuam que n&atilde;o t&ecirc;m nada a ver com a falta d&rsquo;&aacute;gua nos reservat&oacute;rios e negam a falta, quando em toda parte falta uma gota nas torneiras.<br />
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A&eacute;cio Neves governou Minas Gerais por 8 anos e elegeu seu sucessor. Segundo o notici&aacute;rio, sua prioridade n&uacute;mero um fora a constru&ccedil;&atilde;o de aeroportos. Um deles em terra de parente muito pr&oacute;ximo, em Claudio, cidade na qual a fam&iacute;lia ainda tem seus la&ccedil;os. Passou mais de 15 dias para assumir ter cometido o erro de utiliz&aacute;-lo ainda sem licen&ccedil;a de funcionamento. Mas a cr&iacute;tica se restringe a s&oacute; ter vindo &agrave; tona agora, anos-luz depois de constru&iacute;do, quando sua ascens&atilde;o nas pesquisas assusta o camarote de novo mandato presidencial.<br />
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No Rio de Janeiro, as favelas pacificadas s&atilde;o um desastre. No Nordeste inteiro a viol&ecirc;ncia consegue deixar cariocas e paulistanos assombrados.<br />
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No &acirc;mbito federal, o Tribunal de Contas da Uni&atilde;o &ndash; TCU apontou responsabilidade dos conselheiros da Petrobras na compra de Pasadena, mas n&atilde;o a presidente do mesmo conselho. Isso significa que se a presidente Dilma Rousseff fosse apenas conselheira poderia ter sido punida, mas como era &ldquo;apenas&rdquo; a presidente, n&atilde;o teve nenhuma responsabilidade.<br />
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Estas cita&ccedil;&otilde;es servem apenas para refor&ccedil;ar que o eleitor n&atilde;o &eacute; respons&aacute;vel direto pelos maus pol&iacute;ticos por n&atilde;o ter participa&ccedil;&atilde;o no processo de escolha. Os candidatos s&atilde;o um verdadeiro PF, o famoso prato feito. Vem prontinho; &eacute; s&oacute; degustar.<br />
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Depois, serve para afirmar que a pol&iacute;tica de culpar os anteriores cometendo os mesmos erros carimba o entendimento do eleitor de que n&atilde;o adianta mudar. Qualquer mudan&ccedil;a &eacute; mais um prato feito. A sobremesa &eacute; o hor&aacute;rio gratuito mais caro do mundo recheado de clich&ecirc;s de candidatos ou de promessas de realizar o que j&aacute; tiveram d&eacute;cadas para fazer e n&atilde;o fizeram.<br />
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Nada &eacute; mais elucidativo para manter uma clientela gigante de defensores do voto obrigat&oacute;rio.<br />
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<u>Pedro Cardoso da Costa </u>&ndash; Interlagos/SP<br />
Bacharel em direito</span>

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