Igualdade entre desiguais

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<span style="font-size:14px;">De dois em dois anos, discute-se muito a participa&ccedil;&atilde;o e exerc&iacute;cio da cidadania, restringindo-os ao comparecimento no dia da elei&ccedil;&atilde;o para apertar uma tecla para tornar algu&eacute;m prefeito, parlamentar e at&eacute; presidente da Rep&uacute;blica. Nada &eacute; mais mentiroso do que essa prega&ccedil;&atilde;o, feita propositalmente pela maioria para manter cidad&atilde;os mansos, com o objetivo evidente de preservar a mamata das chamadas elites, visto que a distor&ccedil;&atilde;o n&atilde;o fica nisso.<br />
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No pr&oacute;prio processo eleitoral aparecem outras disparidades. No hor&aacute;rio eleitoral gratuito se respeita a proporcionalidade, em respeito &agrave; representatividade de cada partido junto &agrave;s casas legislativas.<br />
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Nas demais formas de debater as ideias e os projetos a igualdade &eacute; absoluta entre um partido grande e os chamados nanicos, muitas vezes acusados de siglas de aluguel, exatamente por se aliarem para favorecerem a outras agremia&ccedil;&otilde;es com seus segundos no hor&aacute;rio eleitoral gratuito.<br />
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Quando uma emissora de televis&atilde;o, de r&aacute;dio, site, jornal faz uma entrevista com um candidato a posto executivo, o mesmo tempo e formato deve ser concedido de forma literal e igualit&aacute;ria a todos.<br />
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Ora, nada &eacute; mais evidente de que o interesse da sociedade nos candidatos das grandes agremia&ccedil;&otilde;es n&atilde;o corresponde aos das nanicas.<br />
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Pode-se alegar que as m&iacute;dias s&atilde;o concess&otilde;es p&uacute;blicas. N&atilde;o &eacute; o bastante, pois se deveria discutir por que precisa ser concess&atilde;o p&uacute;blica uma empresa que gera ou transmite imagens, sons e caracteres. Isso j&aacute; &eacute; uma forma aberta, escancarada, de interfer&ecirc;ncia do Poder P&uacute;blico sobre os particulares.<br />
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Caso se considere ser a import&acirc;ncia da atividade, muito mais s&atilde;o a educa&ccedil;&atilde;o, seguran&ccedil;a e sa&uacute;de, e a parte funcional dessas tr&ecirc;s est&aacute; na iniciativa privada.<br />
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Nada deveria ser mais igual do que a Justi&ccedil;a. Recentemente, at&eacute; para se tornar um pouco funcional, o Supremo Tribunal Federal passou a aceitar recursos se forem considerados de interesse geral da sociedade, de uma gama substancial de pessoas que, juridicamente, chamam-na de repercuss&atilde;o geral.<br />
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Outra disparidade nas interpreta&ccedil;&otilde;es ex&oacute;ticas da Justi&ccedil;a &eacute; que um candidato ao mesmo cargo pode continuar em pleno exerc&iacute;cio de sua atividade. Se o presidente da Rep&uacute;blica se candidatar a vereador &eacute; obrigado a se afastar seis meses antes da elei&ccedil;&atilde;o, mas se for para concorrer &agrave; Presid&ecirc;ncia continua presidente e candidato. Na sua leiga opini&atilde;o, como a minha, quem poderia influenciar mais?<br />
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Toda igualdade no ramo do direito s&oacute; &eacute; considerada justa se respeitar a proporcionalidade. Muitos juristas enchem a boca para pronunciar &ldquo;a igualdade na propor&ccedil;&atilde;o da desigualdade&rdquo;. Exemplificando: especialmente entre adolescentes, mas em qualquer idade, toda vez que dois ou tr&ecirc;s brigam contra um &eacute; uma injusti&ccedil;a tremenda. Justo s&atilde;o dois contra dois, tr&ecirc;s contra tr&ecirc;s. J&aacute; se esse &ldquo;um&rdquo; fosse o Mike Tyson, n&atilde;o se teria ideia de quantos comuns seriam necess&aacute;rios para se alcan&ccedil;ar uma igualdade.<br />
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Portanto, nada &eacute; mais desigual do que obrigar a m&iacute;dia a conceder hor&aacute;rio, espa&ccedil;o e at&eacute; entrevistar quem gera efetivo interesse nacional com alguns que todos desconhecem os reais motivos da participa&ccedil;&atilde;o. Porque, definitivamente, concorrentes n&atilde;o s&atilde;o. A responsabilidade de torn&aacute;-los grandes n&atilde;o &eacute; da m&iacute;dia. S&oacute; para fechar o ciclo de justificativas inconsistentes.</span>

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