Programas de governo

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<u><span style="font-size:14px;">Pedro Cardoso</span></u><br />
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<span style="font-size:14px;">N&atilde;o podemos ser indelicados para dizer logo no t&iacute;tulo que n&atilde;o &eacute; l&aacute; &ldquo;grande coisa&rdquo;. Mas algu&eacute;m precisa dizer, j&aacute; que os analistas pol&iacute;ticos e os jornalistas n&atilde;o falam com precis&atilde;o e firmeza que n&atilde;o s&atilde;o t&atilde;o importantes como querem fazer crer.<br />
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&Eacute; comum se ouvir que isso e aquilo &ldquo;est&aacute; no nosso programa de governo&rdquo;. Papel aceita tudo mesmo. Pelo que consta neles, su&iacute;&ccedil;os e noruegueses morreriam de inveja dos brasileiros.<br />
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Mas essas previs&otilde;es program&aacute;ticas deveriam ser mais bem analisadas pelos especialistas. A maioria dos que prometem nos seus escritos j&aacute; s&atilde;o pol&iacute;ticos h&aacute; d&eacute;cadas e j&aacute; t&ecirc;m um hist&oacute;rico de promessas descumpridas. Pelo que me lembro, Dilma garantiu 6 mil creches na campanha anterior. De vez em quando se falava quantas tinham sido constru&iacute;das. Agora nas campanhas nem s&atilde;o lembradas. Parece ser proibido falar disso.<br />
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Geraldo Alckmin est&aacute; no comando do estado de S&atilde;o Paulo desde 2001 e, com a naturalidade de uma debutante, faz v&aacute;rias promessas na sua campanha eleitoral. Nem a maior crise de abastecimento de &aacute;gua de sua hist&oacute;ria faz arrefecer a sanha de promessas do candidato, eterno governador.<br />
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Num com&iacute;cio no Nordeste eles prometem acabar a transposi&ccedil;&atilde;o do rio S&atilde;o Francisco que ningu&eacute;m mais sabe a quantas anda. Assim, promete-se resolver todos os problemas de cada regi&atilde;o, de cada grupo social, de cada comunidade e at&eacute; de pessoas individualmente.<br />
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N&atilde;o ponderam nem com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s poss&iacute;veis contradi&ccedil;&otilde;es. S&atilde;o capazes de prometer aos evang&eacute;licos que v&atilde;o retirar todos os s&iacute;mbolos cat&oacute;licos de institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e, ao mesmo tempo, s&atilde;o capazes de garantir aos cat&oacute;licos n&atilde;o s&oacute; a manuten&ccedil;&atilde;o, como at&eacute; a amplia&ccedil;&atilde;o.<br />
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Todos s&atilde;o un&acirc;nimes em defender implicitamente o direito &agrave; igualdade entre as pessoas, como se tivesse for&ccedil;a para fazer algo contr&aacute;rio &agrave;s regras constitucionais, mas ningu&eacute;m defende o casamento entre pessoas do mesmo sexo de forma expl&iacute;cita. Colocam a matreira conversa de que s&atilde;o favor&aacute;veis &agrave; uni&atilde;o est&aacute;vel, ao direito de heran&ccedil;a dos bens, mas nunca a favor do matrim&ocirc;nio clara e objetivamente.<br />
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Outro exemplo crasso &eacute; dizer que vai diminuir carga tribut&aacute;ria e aumentar a arrecada&ccedil;&atilde;o. E n&atilde;o h&aacute; quem questione com veem&ecirc;ncia essas contradi&ccedil;&otilde;es. Quando se procede dessa maneira, como fez os &acirc;ncoras do Jornal Nacional, causa estranheza nas pessoas, indigna&ccedil;&atilde;o nos correligion&aacute;rios e express&otilde;es raivosas nos entrevistados.<br />
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Quando j&aacute; foi prefeito, governador, presidente, quem j&aacute; exerceu v&aacute;rios cargos e se candidata pela mil&eacute;sima vez, em qualquer outro lugar do mundo, n&atilde;o teria mais o direito de prometer. A cada promessa perderia alguns votos. Isso poderia ser feito pelos novatos.<br />
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Enaltecer o que est&aacute; em programas &eacute; t&atilde;o descompromissado e ing&ecirc;nuo quanto quem vota pelo que neles est&aacute; escrito. Papel aceita tudo e n&atilde;o h&aacute; prova maior do que as pr&oacute;prias leis que s&atilde;o letras mortas neste pa&iacute;s e os programas de governo que s&atilde;o verdadeiros abortos pr&eacute;vios.</span>

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