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"Era a maior humilhação", diz mulher que ficou presa em cadeia masculina

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<span style="font-size:14px;">Luciv&acirc;nia Pereira Rodrigues, de 25 anos, &eacute; dona de casa, tem uma filha de 1 ano e 7 meses e mora com o marido em Colinas, interior do Tocantins. Enquanto ele trabalha na ro&ccedil;a, &lsquo;jogando veneno no mato&rsquo;, ela conta que fica em casa com a menina. H&aacute; cerca de uma m&ecirc;s ela foi presa em flagrante, sob acusa&ccedil;&atilde;o de tr&aacute;fico interestadual de drogas, e mandada para uma cadeia masculina na cidade.<br />
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A mudan&ccedil;a da condi&ccedil;&atilde;o de dona de casa para traficante, ela n&atilde;o conta como se deu. Este &eacute; um assunto do qual ela n&atilde;o quer falar. A Justi&ccedil;a, no entanto, diz que ela &eacute; &ldquo;mula&rdquo; &ndash; no vocabul&aacute;rio do tr&aacute;fico, transportadora de drogas. Luciv&acirc;nia foi presa na BR-153, ap&oacute;s sair de Goi&aacute;s e passar por Colinas.<br />
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<em>&ldquo;Os traficantes est&atilde;o usando muitas mulheres, algumas gr&aacute;vidas, para fazer o transporte, apelando para a sensibilidade do juiz. Achando que n&atilde;o vai deixar mulher gr&aacute;vida presa, conhecendo a realidade dos pres&iacute;dios brasileiros&rdquo;</em>, conta o juiz Oc&eacute;lio Nobre, titular da Comarca da cidade.<br />
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O magistrado foi o respons&aacute;vel pela decis&atilde;o que soltou Luciv&acirc;nia e outra mulher, tamb&eacute;m presa por tr&aacute;fico. As duas ficaram na mesma cela na cadeia masculina do munic&iacute;pio. L&aacute;, segundo ele, n&atilde;o foi providenciada a transfer&ecirc;ncia para uma penitenci&aacute;ria feminina.<br />
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<em>&ldquo;Era s&oacute; um cub&iacute;culo, bem pequenininho. Cabia no m&aacute;ximo uma, era pequeno demais</em>&rdquo;, diz Luciv&acirc;nia. <em>&ldquo;Eles colocaram um colch&atilde;o para a menina (outra presa) dormir. Para mim, teve que levar o colch&atilde;o do ber&ccedil;o da minha filha, porque n&atilde;o cabia outro.&rdquo;</em><br />
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As duas passaram de 4 a 5 dias em uma cela de cerca de 4 m&sup2;. O &lsquo;cub&iacute;culo&rsquo; em que estavam ficava no meio de duas celas com cerca de 35 homens em cada uma.<br />
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<em>&ldquo;At&eacute; para a gente urinar, tinha que se humilhar muito. Eles davam um litro cortado (garrafa pet). (&Agrave; noite) A gente esperar os presos dormirem, porque sen&atilde;o eles viam. Era a maior humilha&ccedil;&atilde;o</em>&rdquo;, conta Luciv&acirc;nia. <em>&ldquo;Muito ruim, n&eacute;? Eu n&atilde;o devia ir para l&aacute;.&rdquo;</em><br />
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De manh&atilde;, ela diz, era permitido que elas usassem um banheiro dentro da cadeia. Luciv&acirc;nia afirma que os presos foram respeitosos com elas e &lsquo;n&atilde;o teve conversa&rsquo;.<br />
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<em>&ldquo;A gente perguntou se ia ser solta ou se n&atilde;o (ap&oacute;s o flagrante). Os policiais n&atilde;o responderam, s&oacute; disseram que a gente ia ficar l&aacute; (na cadeia masculina)&rdquo;</em>, diz Luciv&acirc;nia. <em>&ldquo;N&oacute;s chegamos (a tomar banho de sol), porque eu falei que eu estava passando mal. N&atilde;o estava mais aguentando aquele lugarzinho apertado demais. Uma mulher l&aacute;, que era o plant&atilde;o dela, era muito gente boa. Ela pegou e levou a gente para o banho de sol l&aacute; fora.&rdquo;</em><br />
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<u><strong>Pres&iacute;dios. </strong></u><br />
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O Estado do Tocantins tem oito cadeias femininas. A mais pr&oacute;xima de Colinas, segundo o magistrado, fica a cerca de 2 horas da cidade. Ele diz que tentou a transfer&ecirc;ncia de ambas para uma pris&atilde;o feminina, antes de decidir pela soltura, mas nenhuma cadeia respondeu ao pedido.<br />
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Segundo ele, Colinas faz parte da rota do tr&aacute;fico de drogas. A cidade de 34 mil pessoas fica a 270 quil&ocirc;metros ao norte da capital Palmas, nas margens da BR-153, rodovia que liga o Par&aacute; ao Rio Grande do Sul, e a 1 mil quil&ocirc;metros de Goi&acirc;nia.<br />
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<em>&ldquo;Uma total nega&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos a elas. Houve uma viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero. Ali ela n&atilde;o teria sequer o m&iacute;nimo de privacidade de ir ao banheiro. Elas deixaram de ser cidad&atilde;s ali naquele momento. Elas foram presas no local onde a Constitui&ccedil;&atilde;o diz que elas n&atilde;o poderiam estar&rdquo;</em>, alerta o juiz Oc&eacute;lio Nobre, titular da Comarca da cidade.<br />
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Ele afirma que as duas foram presas quando estavam levando as drogas em &ocirc;nibus, em dias diferentes. Segundo o juiz, a pol&iacute;cia havia sido avisada que elas estariam com o carregamento. Maconha e pasta de coca&iacute;na foram apreendidas na ocasi&atilde;o. A quantidade n&atilde;o foi divulgada.<br />
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<em>&ldquo;O sistema carcer&aacute;rio brasileiro est&aacute; ca&oacute;tico, precisa de uma reestrutura&ccedil;&atilde;o. O Estado brasileiro abandonou o pres&iacute;dio. Todo o discurso de direitos humanos n&atilde;o se aplica aos presidi&aacute;rios&rdquo;,</em> sustenta o juiz. <em>&ldquo;Qual &eacute; a finalidade da pena no Brasil? &Eacute; para castigar ou &eacute; para recuperar o criminoso? N&oacute;s temos que definir isso. O Estado brasileiro n&atilde;o trata o sistema prisional com um objetivo espec&iacute;fico. &Eacute; para proteger a sociedade? N&atilde;o est&aacute; protegendo.&rdquo;</em></span><br />
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