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Autor do livro "Memórias de um Sobrevivente" que viveu 30 anos preso não consegue emprego fixo

admin -

<span style="font-size:14px;"><u>Vitor Abdala</u><br />
<em>Ag&ecirc;ncia Brasil</em></span><br />
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<span style="font-size:14px;">Autor de cinco livros, um deles com mais de 15 mil exemplares vendidos, Luiz Alberto Mendes, 63 anos, passou metade da vida na pris&atilde;o. E, apesar de j&aacute; ter sa&iacute;do da cadeia h&aacute; 11 anos e de contribuir com textos para uma <strong><a href="http://revistatrip.uol.com.br/revista/colunas/mundolivre" target="_blank">revista de grande circula&ccedil;&atilde;o</a></strong>, ele conta que nunca conseguiu um emprego com carteira assinada.<br />
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<em>&ldquo;Como autor, eu ganho muito pouco. N&atilde;o d&aacute; para manter a estrutura. Ent&atilde;o eu j&aacute; cheguei at&eacute; a fazer trabalho de conclus&atilde;o de curso para alunos de faculdade, para poder sobreviver. Ningu&eacute;m se prop&otilde;e a me dar um trabalho, principalmente pelo fato de eu ser egresso e tamb&eacute;m por j&aacute; ter 63 anos. Mas eu j&aacute; estou h&aacute; 11 anos aqui fora. E nesses 11 anos, n&atilde;o encontrei uma pessoa que quisesse me dar um emprego fixo, de carteira assinada. Eu n&atilde;o pago INSS, se eu ficar doente e n&atilde;o puder produzir, j&aacute; era</em>&rdquo;, conta.<br />
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Apesar disso, Mendes, que deve lan&ccedil;ar seu sexto livro neste ano, uma continua&ccedil;&atilde;o de sua obra mais bem-sucedida Mem&oacute;rias de um Sobrevivente, se considera &ldquo;mais ou menos encaminhado&rdquo;, j&aacute; que consegue manter uma casa para a fam&iacute;lia. A realidade para a maioria dos egressos do sistema penitenci&aacute;rio &eacute; muito mais cruel.<br />
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Empresas n&atilde;o d&atilde;o muitas oportunidades. E vagas em trabalhos dom&eacute;sticos tamb&eacute;m s&atilde;o muito dif&iacute;ceis. <em>&ldquo;Quem &eacute; que admite na sua casa, uma pessoa que n&atilde;o conhe&ccedil;a? Ent&atilde;o, essas meninas que saem do pres&iacute;dio, saem numa situa&ccedil;&atilde;o terr&iacute;vel. As grandes empresas n&atilde;o pegam, os lares onde elas poderiam trabalhar tamb&eacute;m n&atilde;o. O que elas fazem?</em>&rdquo;.<br />
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Mendes diz que muitos moradores de rua que vivem &ldquo;nas cal&ccedil;adas, comendo restos de restaurantes&rdquo; s&atilde;o egressos do sistema penitenci&aacute;rio. &ldquo;<em>Eles n&atilde;o encontram trabalho e a&iacute;, o que v&atilde;o fazer? Socialmente, ningu&eacute;m se importa com isso, mas &eacute; uma trag&eacute;dia social. S&oacute; no estado de S&atilde;o Paulo, de cada quatro pessoas que saem da pris&atilde;o, apenas uma fica na rua. O &iacute;ndice de reincid&ecirc;ncia &eacute; 75%. No fim, quem &eacute; que vai segurar essa onda? &Eacute; a popula&ccedil;&atilde;o, porque &eacute; contra a popula&ccedil;&atilde;o que eles v&atilde;o cometer os crimes&rdquo;</em>, destaca.<br />
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<em>&quot;O perfil do presidi&aacute;rio &eacute; o mesmo da pessoa pobre que vive em favela, em situa&ccedil;&atilde;o prec&aacute;ria. Apenas as op&ccedil;&otilde;es s&atilde;o diferentes. As pessoas aqui fora acham que o governo vai abrigar, arrumar trabalho, dar uma estrutura. Vai nada. N&atilde;o h&aacute; nada mais elucidativo sobre a necessidade de dar oportunidade a essas pessoas do que se voc&ecirc; n&atilde;o der emprego, ela n&atilde;o ter&aacute; outra op&ccedil;&atilde;o do que voltar ao crime.&rdquo;</em></span>

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