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Sobral – 300×100

O mal venceu o Brasil que sonhávamos

admin -

<span style="font-size:14px;"><u>Marcelo Trilha Muniz</u><br />
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Pois ent&atilde;o meus caros, n&atilde;o foi desta vez!<br />
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Comemor&aacute;vamos, ach&aacute;vamos que finalmente nosso pa&iacute;s sairia do buraco e se tornaria uma na&ccedil;&atilde;o de verdade. Digna e imponente. Visualiz&aacute;vamos a economia crescendo, pol&iacute;ticas sociais melhorando a vida das pessoas, n&uacute;meros positivos nos telejornais… Existiam problemas sim, graves problemas, mas havia esperan&ccedil;a e coisas boas estavam acontecendo, gerando oportunidades para todos e, aparentemente, quebrando velhos paradigmas.<br />
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Brotava uma ponta de orgulho no machucado cora&ccedil;&atilde;o verde-amarelo. Sent&iacute;amos que ir&iacute;amos mudar e construir uma na&ccedil;&atilde;o melhor. Mas a vida &eacute; dura e pune os mais fracos.<br />
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Tudo n&atilde;o passava de uma ilus&atilde;o e a realidade atual &eacute; um pesadelo.&nbsp; &Eacute; como se acord&aacute;ssemos sozinhos e desamparados num lugar estranho e muito perigoso. A impress&atilde;o &eacute; de que &quot;somente quem se corrompe se d&aacute; bem&quot;. &Eacute; preciso apodrecer a alma, laquear o amor e esmagar pessoas sem piedade, desenvolver indiferen&ccedil;a ao sofrimento alheio e explorar o semelhante e o meio ambiente para alcan&ccedil;ar sucesso e riquezas. Aqui os coiotes tem vez. Escutei por a&iacute;: &ldquo;N&atilde;o estamos conseguindo encontrar uma luz no fim do t&uacute;nel e nem sabemos mais onde est&aacute; o t&uacute;nel&rdquo;.<br />
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A cada dia somos surpreendidos por not&iacute;cias e constata&ccedil;&otilde;es devastadoras: reduzem a verba da educa&ccedil;&atilde;o, aumento de sal&aacute;rios de parlamentares, de ju&iacute;zes, aumento da verba dos partidos, surrupiam direitos dos aposentados, lei da terceiriza&ccedil;&atilde;o, complicam regras para adquirir im&oacute;veis, benef&iacute;cios para mega empres&aacute;rios, sal&aacute;rios achatados, infla&ccedil;&atilde;o voltou, juros altos, popula&ccedil;&atilde;o perdendo capacidade de consumo, religi&otilde;es fajutas e seus representantes medievais, endividamento, meio ambiente avassalado, falta de &aacute;gua, professores massacrados pela pol&iacute;cia, policiais que n&atilde;o agridem pelo sistema sendo presos, um monte de gente despreparada coordenando setores importantes e ocupando cargos p&uacute;blicos s&oacute; porque ajudou nas elei&ccedil;&otilde;es, ajustes fiscais que s&oacute; cortam na carne do povo, enquanto a classe dominante e os pol&iacute;ticos continuam com exagerados privil&eacute;gios. Uma pesquisa recente, que avaliou quest&otilde;es como sustentabilidade, educa&ccedil;&atilde;o e tecnologia colocou o pa&iacute;s na 84&ordf; posi&ccedil;&atilde;o (weforum-2015), atestando que o futuro tamb&eacute;m n&atilde;o ser&aacute; f&aacute;cil. E ainda acham que debater maioridade penal e beijo gay em novelas &eacute; a solu&ccedil;&atilde;o dos problemas.<br />
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&Eacute; importante ressaltar tamb&eacute;m que nossa imprensa n&atilde;o &eacute; nenhum anjinho. O jornalismo convencional ou atrav&eacute;s das m&iacute;dias sociais &eacute; tendencioso e hip&oacute;crita. Muitas not&iacute;cias s&atilde;o ampliadas, minimizadas ou ocultadas para gerar paz para alguns setores e preju&iacute;zos para outros. A imprensa n&atilde;o cumpre um papel social e sim representa ou uma ideologia ou seus patrocinadores. N&atilde;o se pode generalizar, mas grande parte dos conte&uacute;dos que chegam at&eacute; n&oacute;s est&atilde;o contaminados por interesses dominantes de tal maneira que j&aacute; nem mais sabemos o que &eacute; coerente ou inven&ccedil;&atilde;o.<br />
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Uma das palavras da moda &eacute; o tal do Impeachment. Mas, sinceramente, n&atilde;o culpo a atual Presidenta, ela faz parte do problema, mas n&atilde;o consolidou a situa&ccedil;&atilde;o sozinha. N&oacute;s &eacute; que temos esta mania de malhar um Judas, de querer achar um culpado que sirva de vaso sanit&aacute;rio das nossas raivas e frustra&ccedil;&otilde;es. Acreditamos tolamente que linchar algu&eacute;m resolve o problema. A oposi&ccedil;&atilde;o de hoje, que est&aacute; toda valente defendendo a &eacute;tica e os bons costumes, at&eacute; ontem estava junto neste &ldquo;projeto de poder&rdquo;, desfrutando de suas vantagens e contribuindo com a situa&ccedil;&atilde;o atual. Est&aacute; batendo agora porque n&atilde;o porque quer mudan&ccedil;as e o melhor para o povo, mas porque deseja ditar as regras do jogo.<br />
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N&atilde;o temos homens e mulheres em nossa pol&iacute;tica, temos uma matilha. Salvo rar&iacute;ssimas exce&ccedil;&otilde;es, s&atilde;o monstros que mereciam ser cuspidos pelas ruas. Observamos ap&aacute;ticos nomes intrag&aacute;veis nos cargos mais importantes do Senado, STF, C&acirc;mara de Deputados, Governos, Prefeituras e Vereadores. Escolha a escala, de municipal a federal, e comece a chorar.<br />
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O pior de tudo &eacute; que os pol&iacute;ticos, com sua luta pelo poder, conseguiram influenciar, dividir o pa&iacute;s e desviar o foco de aten&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o dos verdadeiros problemas (reforma pol&iacute;tica, distribui&ccedil;&atilde;o de renda, impunidade, educa&ccedil;&atilde;o…). Nos reduziram a discursadores coxinhas ou bolivarianos que ficam por a&iacute; brigando de forma rid&iacute;cula, no melhor estilo torcida de futebol.<br />
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O soci&oacute;logo espanhol Manuel Castells, em entrevista recente, sugeriu dissolver todo o Congresso Nacional e dar lugar a uma Assembl&eacute;ia Constituinte. &ldquo;O grande problema do Brasil n&atilde;o &eacute; econ&ocirc;mico, mas pol&iacute;tico. Se n&atilde;o for mudado o sistema pol&iacute;tico, a esperan&ccedil;a de mudan&ccedil;a se converter&aacute; em raiva coletiva e cinismo&rdquo;.<br />
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Pol&iacute;ticos assumiram um aspecto repugnante e nos tornamos um pa&iacute;s excelente para os sujeitos de m&aacute; &iacute;ndole. Exalamos falsidades de homens e mulheres &quot;de bem&quot; que fazem promessas na televis&atilde;o e ganham pr&ecirc;mios de reconhecimento. Somos uma na&ccedil;&atilde;o de mentiras. Mas &eacute; imperativo que assumamos nossa parcela de culpa: somos ignorantes sociais, muitas vezes mesquinhos, cegos pelos pr&oacute;prios interesses, n&atilde;o nos posicionamos de forma coletiva e humanizada, n&atilde;o fomentamos uma sociedade justa, sustent&aacute;vel, humanizada&nbsp; e somos n&oacute;s que colocamos essas pessoas no poder.<br />
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Voc&ecirc; tamb&eacute;m n&atilde;o est&aacute; achando o momento muito confuso? Assustadoramente confuso. Dizem que antes da tempestade vem a bonan&ccedil;a. Assim espero. Pois deste cen&aacute;rio nefasto ou emana uma sociedade melhor ou ca&iacute;remos em total desgra&ccedil;a.<br />
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Sabemos que tem gente torcendo para dar errado, que o caos gera dinheiro e oportunidades para malandros e aproveitadores. Essa gente ruim est&aacute; adorando o momento que atravessamos. V&atilde;o se esbaldar como urubus.<br />
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Temos um pa&iacute;s que &eacute; uma vergonha internacional em muitos sentidos. N&atilde;o pela simplicidade ou culturas peculiares, pois este &eacute; um fator relativo e pessoas podem viver muito bem de formas diferentes, mas pela corrup&ccedil;&atilde;o, pela falta de &eacute;tica e pela incompet&ecirc;ncia em organizar-se.<br />
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Temos dinheiro, somos gigantes, mas somos fracos e apavorados. N&atilde;o conseguimos correr na dire&ccedil;&atilde;o correta do desenvolvimento. Nos sentimos perdidos, falamos e fazemos besteiras porque estamos acuados e com medo do futuro.<br />
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Queremos um Brasil melhor&nbsp; e vamos continuar trabalhando, fazendo a nossa parte. Eu, pelo menos, apesar das adversidades, vou tentar. Mas enquanto n&atilde;o mudarmos a ess&ecirc;ncia de nossos pensamentos, vamos continuar neste cabo de guerra em que todos perdem.<br />
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Nem todos. Eles, l&aacute; em cima, continuar&atilde;o ganhando.<br />
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<u><strong>Perfil do autor</strong></u><br />
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<u><em>Marcelo Trilha Muniz&nbsp;</em></u>- Graduado em Comunica&ccedil;&atilde;o Social com Habilita&ccedil;&atilde;o em Publicidade e Propaganda pela UPF. Especialista em Leitura e Produ&ccedil;&atilde;o Escrita pela UFT, Metodologia do Ensino Superior e Marketing Estrat&eacute;gico pelo ITPAC. Coordenador Geral da ACIARA, Coordenador do Departamento de Comunica&ccedil;&atilde;o e Professor do ITPAC.</span>

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