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Sobral – 300×100

O ataque aos pastores

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<span style="font-size:14px;"><u><strong>Ricardo Gondim</strong></u><br />
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Clint Eastwood produziu &ndash; e dirigiu &ndash; alguns filmes densos. Os que lidam com o abuso de crian&ccedil;as, especialmente, s&atilde;o inquietantes. Gostei da trama de&nbsp;<em>A Troca</em>&nbsp;- &ldquo;Changeling&rdquo;. O filme &eacute; baseado em fatos reais. Um garoto desapareceu enquanto a m&atilde;e, divorciada, trabalhava algumas horas extras em um dia de s&aacute;bado. Para reencontrar o filho, Christine &ndash; Angelina Jolie &ndash; enfrenta sozinha a corrupta m&aacute;quina policial de Los Angeles; ainda por cima tem de manter o emprego. Sua ang&uacute;stia contagia. A estrutura perversa de um departamento de pol&iacute;cia carcomido por politicagem parece monumental, intranspon&iacute;vel.<br />
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O pastor presbiteriano, Gustav Briegleb &ndash; John Malkovich -, que j&aacute; se vinha se manifestando contra a viol&ecirc;ncia policial, une-se a Christine. A milit&acirc;ncia do reverendo Briegleb encanta por sua &eacute;tica. Ao longo do filme, o pastor &eacute; destemido e persistente. A causa de mulher e do seu filho se tornam sua causa. Obviamente, no melhor estilo de Hollywood, o homem ajudar a recuperar o menino e a desmontar a farsa que dominava o gabinete do xerife. Quando apareceu o &ldquo;The End&rdquo;, e projetaram as explica&ccedil;&otilde;es sobre os desdobramentos da coopera&ccedil;&atilde;o entre o pastor e a m&atilde;e, falei quase em voz alta:&nbsp;<em>Quando crescer, quero ser igual a esse pastor.</em>&nbsp;A atua&ccedil;&atilde;o do reverendo Briegleb havia desencadeado mudan&ccedil;as profundas nas leis da cidade &ndash; sua obstina&ccedil;&atilde;o ainda salvaria pessoas que nem tinham nascido.<br />
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Ser pastor &ndash; cat&oacute;lico romano ou protestante &ndash; tornou-se complicado. O clero, principalmente o associado ao movimento evang&eacute;lico, passou a ser descrito como oportunista, incitador de &oacute;dio e aproveitador da ignor&acirc;ncia popular. A generaliza&ccedil;&atilde;o atinge muita gente que n&atilde;o tem nada a ver com os mega neg&oacute;cios que movimentam o neopentecostalismo. N&atilde;o me vejo alvo da guerrilha verbal que os pr&oacute;prios neopentecostais come&ccedil;aram. N&atilde;o quero precisar mostrar, o tempo todo, que nem todo os pastores merecem a vala comum dos patifes.&nbsp;A credibilidade de outros sofre com a mesma suspeita, e isso &eacute; ruim.<br />
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Nem todo o clero desempenha o papel de&nbsp;<em>baby-sitter</em>&nbsp;de crentes &aacute;vidos por uma &ldquo;m&atilde;ozinha&rdquo; celestial. Ser ministro do evangelho n&atilde;o significa que algu&eacute;m aceitou a fun&ccedil;&atilde;o de carimbador de vistos para o c&eacute;u. A quem n&atilde;o sabe, informo: &eacute; poss&iacute;vel encontrar crist&atilde;os em movimentos populares. Conhe&ccedil;o gente que marcha, n&atilde;o nos carnavais fora de &eacute;poca que se pretendem por Jesus, mas reivindicando reforma agr&aacute;ria. H&aacute; bons crentes &ndash; cat&oacute;licos e protestantes &ndash; enfronhados em milit&acirc;ncia social. Admito que muitos pastores &ndash; com certeza ocupados em azeitar a m&aacute;quina religiosa &ndash; nunca abra&ccedil;ar&atilde;o causas sociais. Fome e sede de justi&ccedil;a n&atilde;o d&atilde;o fama e poucos v&atilde;o dar a cara a bater na defesa de pessoas discriminadas e marginalizadas.<br />
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O momento vem sendo tomado por pastores famosos, especialistas em questi&uacute;nculas sobre doutrina, dogma. Eles se alastram e ganham espa&ccedil;o devido ao empenho de legislarem sobre moralismos e por suscitarem &oacute;dio e intoler&acirc;ncia. O resultado tr&aacute;gico &eacute; que o testemunho crist&atilde;o virou piada, deboche, esc&aacute;rnio.<br />
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Acredito que esse grupo conservador &ndash; poderos&iacute;ssimo &ndash; tende a recrudescer em sua obstina&ccedil;&atilde;o dogm&aacute;tica e obscurantista. Ele continuar&aacute; a repetir f&oacute;rmulas desgastadas, propagando que a f&eacute; crist&atilde; &eacute; &uacute;nica em resgatar as pessoas do inferno medieval e de garantir um c&eacute;u de del&iacute;cias. Como crist&atilde;o proponho um caminho diverso. O tempo, os recursos financeiros e a mobiliza&ccedil;&atilde;o de tanta gente crente n&atilde;o podem ser desperdi&ccedil;ados. &Eacute; necess&aacute;rio que progressistas se manifestem e afirmem que a fun&ccedil;&atilde;o da igreja consiste em resgatar a vida, protegendo os indefesos, seja na opress&atilde;o do mercado, no preconceito de g&ecirc;nero e at&eacute; na frieza eclesi&aacute;stica.&nbsp;Espero que cheguemos ao fundo do po&ccedil;o logo. E da&iacute;, mais evang&eacute;licos comecem a repensar suas premissas teol&oacute;gicas fundamentalistas. O &ocirc;nus de mostrar relev&acirc;ncia est&aacute; com a igreja. Talvez o atual desgaste n&atilde;o sufoque, mas ajude a termos mais &iacute;cones como Martin Luther King e Dorothy Stang.<br />
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Como pastor pentecostal, procuro o caminho estreito. Desde sempre denunciei que a teologia da prosperidade n&atilde;o &eacute; desvio da mensagem de Jesus mas uma perversidade teol&oacute;gica. Em nome de uma divindade &ldquo;que funciona&rdquo; &nbsp;l&iacute;deres ficaram ricos &ndash; alguns milion&aacute;rios e pelo menos um, bilion&aacute;rio. Jamais calei diante da instrumentaliza&ccedil;&atilde;o do que considero crist&atilde;o para fins pol&iacute;ticos. Parei de aceitar o avivamento de uma agenda pretensamente conservadora, mas que &eacute; em sua ess&ecirc;ncia, demag&oacute;gico e hip&oacute;crita.<br />
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Como cuidei basicamente de igrejas urbanas, tamb&eacute;m preciso fazer um&nbsp;<em>mea culpa.</em>&nbsp;Confesso: perdi tempo com a m&aacute;quina eclesi&aacute;stica. Me deixei absorver por programa&ccedil;&otilde;es irrelevantes devido &agrave; vaidade de falar em determinadas confer&ecirc;ncias. Em nome da verdade, defendi teologias desconexas da exist&ecirc;ncia. Fiz promessas irreais sem levar em conta a aspereza da hist&oacute;ria. Discuti ideias est&eacute;reis. Corri em busca de uma gl&oacute;ria diminuta. Entreguei-me de corpo e alma &agrave; ora&ccedil;&atilde;o, fiz vig&iacute;lias, jejuei. Ralei os joelhos em busca de uma espiritualidade eficiente. Acreditei que a maturidade humana aconteceria pelo caminho do pieguismo. (Ledo engano; foram meus companheiros de ora&ccedil;&atilde;o que se levantaram contra mim). Conto os anos e constato que o meu futuro ficou mais curto que o meu passado. Indago a mim mesmo:&nbsp;<em>Qual a pertin&ecirc;ncia do meu esfor&ccedil;o? O meu legado ter&aacute; f&ocirc;lego?&nbsp;</em>Se s&oacute; agora noto que o tempo &eacute; uma riqueza n&atilde;o renov&aacute;vel, me resta lamentar.<br />
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Com o achincalhe que v&aacute;rios l&iacute;deres religiosos passam, aconselho aos pastores que abram m&atilde;o de egolatrias tolas. O fasc&iacute;nio por t&iacute;tulos, riqueza, ostenta&ccedil;&atilde;o e poder pol&iacute;tico ter&atilde;o consequ&ecirc;ncias ruins sobre voc&ecirc;s mesmos. N&atilde;o &eacute; apenas tolice brincar de importante em nome de Deus mas, tr&aacute;gico. O caminho estreito continua poss&iacute;vel. Por mais que pare&ccedil;a incr&iacute;vel, alguns j&aacute; optaram por ele. Basta assistir mais uma vez ao filme do Clint Eastwood e ler a biografia de Francisco de Assis.<br />
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<strong><em>Soli Deo Gloria</em></strong></span><br />
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<span style="font-size:14px;"><strong><em>——————————<wbr />—————————-</em></strong></span></div>
<span style="font-size:14px;"><strong><em>Ricardo Gondim &eacute; escritor e te&oacute;logo, &nbsp;presidente &nbsp;da Conven&ccedil;&atilde;o Betesda Brasil.&nbsp; E-mail:&nbsp;</em></strong><strong><em>E-mail:&nbsp;</em></strong><span dir="ltr"><a href="mailto:ricardogondin2@gmail.com" target="_blank">ricardogondin2<wbr />@gmail.com</a></span></span><br />

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