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Acusado de matar Fabrício Martins alega legítima defesa e conta detalhes do crime

Agnaldo Araujo - |
Foto: Divulgação
O jovem Fabrício Martins

Agnaldo Araujo//AF Notícias

O acusado de matar o jovem estudante Fabrício Martins, de 24 anos, contou detalhes à Justiça sobre o crime praticado em sua residência, na noite do dia 19 de maio de 2017. Ao ser preso, Hiago Ferreira da Silva, de 24 anos, confessou ter desferido golpes de faca na vítima.

As declarações de Hiago constam na decisão da juíza Cirlene Maria de Assis Santos Oliveira, substituta da 1ª Vara Criminal de Araguaína, onde determina que ele deve ser levado a júri popular, ainda sem data prevista.

O crime foi motivado por um vídeo íntimo que Hiago gravou de Fabrício por cima da parede do banheiro da empresa onde os dois trabalhavam. O acusado alega que estava sendo vítima de extorsão e que Fabrício estava exigindo R$ 4 mil para não denunciá-lo à direção.

No entanto, Hiago relata que não tinha esse dinheiro e nem teria como consegui-lo. Segundo seu depoimento, o acusado ainda teria tentado pagar a quantia exigida, mas conseguiu apenas parte do valor.

ANTES DO CRIME

Na noite do crime, Hiago contou que estava em sua residência e começou a conversar com Fabrício, provavelmente por mensagens. Neste diálogo, o acusado teria dito que podia pagar R$ 1 mil da quantia exigida pela vítima para não denunciá-lo. No entanto, Fabrício negou alegando que o valor não era suficiente.

CHEGADA DE FABRÍCIO NA RESIDÊNCIA

Hiago contou à Justiça que Fabrício já chegou agressivo em sua residência e que por esta razão os dois começaram uma discussão. Ele continua relatando que o primeiro golpe de faca contra Fabrício só foi desferido após a vítima ter lhe dado um soco e avançado contra ele.

O acusado contou também que mesmo após a primeira facada, Fabrício ainda continuou a lhe bater, e só caiu quando foi empurrado em direção ao banheiro.

Enquanto o depoimento do acusado aponta para um crime praticado em legítima defesa, as investigações mostram o contrário. Para o delegado de Polícia Civil José Rérisson Macedo, responsável pelas investigações do caso, o crime foi praticado com “certa premeditação”, já que Hiago teria esperado “o momento oportuno para ceifar a vida da vítima”.

O delegado acredita que Fabrício estava de costas quando recebeu a primeira facada, pois todas as outras seguintes foram nessa mesma região do corpo.

TRANSPORTE DO CORPO

Hiago segue seu relato contando que não chegou a cortar o corpo de Fabrício após sua morte. Ele pegou um carrinho de mão para transportá-lo e o deixou na calçada, para que alguém pudesse ver, mas o cadáver rolou e caiu no córrego, que ficava a umas duas ou três esquinas de sua casa.

Por esse motivo, Hiago alega que não ocultou o cadáver, como aponta a acusação do Ministério Público Estadual, pois conforme seu relato, ele “apenas o jogou no local”.

A casa onde Hiago morava fica localizada na Rua Voluntários da Pátria, no Bairro São João. O corpo de Fabrício foi encontrado enrolado numa toalha e amarrado com fios de varal de roupa dentro do Córrego Canindé, nas proximidades do Parque Cimba.

A MOTOCICLETA

A moto de Fabrício foi encontrada no dia seguinte ao seu desaparecimento abandonada numa rua do Setor Jardim Paulista. Hiago contou que pegou o veículo sem o ligar e saiu empurrando pelas ruas da cidade até onde a deixou.

Também segundo o acusado, a moto foi levada para outro local para que ninguém pensasse que ele era o autor do crime.

CONTINUA PRESO

Hiago foi preso cinco dias depois do corpo de Fabrício ter sido encontrado, no dia 03 de junho, em avançado estado de decomposição. Ele ainda permanece na Casa de Prisão Provisória de Araguaína.

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