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“Ainda bem que não estamos na idade média”, afirma pesquisadora que foi vetada

Redação AF - |
Foto: Divulgação
Professora da UnB criticou a postura da direção da Faculdade Católica Dom Orione, de Araguaína

A professora e pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB), Valeska Zanello, criticou a postura da direção da Faculdade Católica Dom Orione, de Araguaína, ao vetar sua palestra no encontro de psicologia da instituição sob a justificativa de que seu currículo possui discussões favoráveis ao aborto, o que contraria os “princípios e valores institucionais”.

Zanello usou sua rede social para relatar o episódio. O encontro vai debater sobre “Saúde Mental e Gênero – Novos Tempos, Velhos Paradigmas”, nos próximos dias 27 e 28 de abril.

“Gente, na semana que vem ia dar uma conferência (de encerramento) lá no Tocantins, sobre saúde mental e gênero. Acabo de saber que houve reunião do alto clero da cidade, junto ao bispo da Igreja Católica de lá, proibindo a minha ida, tendo em vista eu ser uma pessoa perigosa, pró-aborto e que visa a destruição da família!!!”, informou a pesquisadora.

Mesmo diante da situação, a professora afirmou que nunca sorriu tanto em sua vida, pois achava que esse tipo de atitude não existia mais.

“Nunca ri tanto na minha vida. Achei que isso não existia mais… ainda bem que não estamos na Idade Média, senão já sabemos qual seria meu fim: a fogueeeiiiiiiiira!!!”, criticou a pesquisadora, acrescentando que “tudo isso só me mostra que estou no caminho certo”.

Em outra postagem, a professora defendeu a “liberdade de pensamento, mais ciência e menos preconceito”. “No meu pensamento cabem infinitos mundos. Posso navegar livremente neles”, finalizou.

Currículo da pesquisadora

A professora possui graduação em Filosofia pela Universidade de Brasília (2005), graduação em Psicologia pela Universidade de Brasília (1997), e doutorado em Psicologia pela Universidade de Brasília (2005) com um ano na Université Catholique de Louvain (Bélgica). Professora adjunta 3 do departamento de Psicologia Clínica da Universidade de Brasília, orientadora de mestrado e doutorado no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica e Cultura (PPG-PSICC). Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em saúde mental e gênero

Foi representante do Conselho Federal de Psicologia no Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (SPM) e no GEA (Grupo de Estudos do Aborto) no período de 2014 a 2016. Membro do Grupo de Estudos Feministas (GEFEM) da UnB.

A posição da Faculdade

Por meio de um comunicado interno aos acadêmicos, a direção da instituição explicou os motivos da decisão.

“Ouvimos atentamente e acolhemos as objeções feitas pelo Bispo Diocesano [Dom Giovani] quanto à participação de uma profissional reconhecida por sua atuação em favor do aborto. O próprio bispo ressaltou que neste momento, diante das investidas de alguns setores da sociedade brasileira em flexibilizar as leis que proíbem a prática do aborto, a Igreja no Brasil tem fixado sua posição, portanto, ele se sentia desconfortado com a presença na nossa instituição de uma militante em favor do aborto” – diz o comunicado.

Ainda conforme a direção, “quem quer que venha participar do evento, que seja sensível aos nossos valores e postulados”.

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