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Animais infectados com tuberculose eram liberados por fiscal para consumo humano, diz decisão judicial

Redação AF - |
Foto: Divulgação
Operação da Polícia Federal no Tocantins

O único preso preventivamente na Operação Vegas, da Polícia Federal, deflagrada na manhã desta terça-feira (30), em Araguaína, o auditor fiscal federal Dagoberto Machado Prata foi apontado na decisão do juiz federal João Paulo Abe, do TRF-1, como um dos ‘principais corruptores’ do esquema investigado e beneficiário de vultosas propinas originadas dos frigoríficos submetidos à fiscalização federal agropecuária.

O auditor é responsável pelo serviço de Inspeção Federal do Frigorífico Boi Forte (LKJ), desde 2010, da Gelnex, de 2012 a 2013 e, novamente, a partir de 2015, e da Minerva S.A, entre os anos de 2012 a 2016.

Conforme a decisão, dois sócios do frigorífico Minerva revelaram que entre os anos de 2010 e 2016 realizaram o pagamento mensal e sistemático de R$ 6 mil a Dagoberto, para que fosse mantido um “bom relacionamento” entre a empresa e a  Superintendência Federal de Agricultura, ou seja, para evitar que as atividades de sua empresa no Estado do Tocantins fossem obstadas pela intensidade da fiscalização. Além disso, ele era agraciado com ‘kits’ de carnes, com derivados da industrialização dos frigoríficos, que eram destinados à ração de animais de sua fazenda, a seus cães, e até mesmo, com o pagamento regular de suas despesas com combustíveis.

Uma agente sanitária teria confirmado à Polícia Federal o pagamento de propina e revelado com riqueza de detalhes em que consistiram as vantagens recebidas pelo auditor da empresa Boi Forte e Gelnex.

Após a prisão da superintendente do MAPA no Tocantins, Adriana Carla Floresta, na Operação Lucas, o auditor teria atuado para “destruir provas que o comprometessem, queimando caixas e caixas de documentos extraídos da Supertendência Federal de Agricultura do Estado do Tocantins e dos frigoríficos”, e suspendendo temporariamente o esquema, para apenas retomar a sistemática de recebimento de propinas depois que “a poeira baixasse”.

O trabalho do auditor consistia em assegurar a qualidade da carne dos animais abatidos, porém, o relato de uma servidora chocou até mesmo o juiz federal.

Segundo o relato, animais contaminados pelo vírus da tuberculose, com infecção generalizada em seus linfonodos, e que foram abatidos dentro da planta frigorífica da LKJ, antiga Boi Forte, foram liberados para processamento e ulterior consumo humano pelo auditor Dagoberto Prata.

Segundo a servidora, o fiscal liberava, despreocupadamente, animais comprovadamente infectados, pelo simples fato de pertencerem ao frigorífico Boi Forte.

“As informações colhidas pela primeira fase da ‘Operação Lucas’, evidenciam que o servidor Dagoberto era o responsável por atos de corrupção variados, recebendo vantagens que oscilavam de mesadas da ordem de R$ 50 mil, a rejeitos frigoríficos aproveitados em suas fazendas”, diz a decisão.

O juiz classificou como “absurdo” o fato de que até mesmo a ração dos cachorros do servidor advinha dos frigoríficos, que custeavam as despesas com gasolina, seu consumo mensal de carne e a lavagem para a criação de seus porcos.

O OUTRO LADO

O frigorífico Boi Forte ressaltou que é zeloso com todos os processos de produção dos alimentos e que ainda não tem conhecimento sobre o conteúdo da investigação, a empresa continua funcionando normalmente.

A Gelnex informou que entregou todos os documentos que foram solicitados pela Polícia Federal e ressalta que não há nada que caracterize desvio de conduta nas atividades da empresa ou envolvimento com esta suposta denúncia. A empresa disse ainda, que vai prestar esclarecimentos assim que conseguir levantar todas as informações sobre o caso.

A Minerva Foods esclareceu que não há indiciamento ou denúncia contra a companhia ou seus executivos e membros do Conselho de Administração. A unidade da empresa em Araguaína disse que mantém as suas atividades regulares e reafirmou o compromisso com as melhores práticas e o cumprimento da legislação e do seu Manual de Ética.

O advogado de Dagoberto Machado Prata, Célio Moura, disse por telefone que estava acompanhando o cliente e que ainda não poderia se manifestar. (Com informações do G1 Tocantins)

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