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Aprovados no concurso da Polícia Civil do Tocantins relatam desafios e intensa rotina de estudos

Redação AF - | - 666 views
Foto: Divulgação
Curso de Formação da Polícia Civil do Tocantins.

Quem decide ir atrás de um emprego público deve saber, acima de tudo, que essa escolha exige tempo, investimento financeiro, dedicação e, principalmente, paciência. Ainda dentro desse pacote pode acrescentar a motivação e a exaustiva rotina de estudos, muita das vezes conciliada com o trabalho.

Leandro Risi Santos, 32 anos, sabe bem como foi difícil encarar esse desafio. Há dois anos ele dividia as horas entre os plantões, enquanto policial civil, e os livros. O foco era passar em um concurso para delegado.

“É quase incompatível trabalhar e estudar, pois demanda tempo integral, portanto, o esforço deve ser redobrado. E isso exigiu superação. Eu abri mão de muitas coisas que eu gostava. A gente praticamente abdica de viver uma vida normal durante um longo período de tempo. Nessa hora é preciso focar no resultado”, completou.

Ao conseguir cumprir seu objetivo e ser aprovado no concurso da Polícia Civil, realizado no Tocantins em 2014, Leandro comenta que o investimento nos estudos foi de aproximadamente R$ 10 mil.

O candidato, que mora em Minas Gerais conta que além dos investimentos com apostilas e cursos, também teve que custear as despesas com viagens, translado e hotéis. “Tive um elevado gasto com passagens áreas e estadia nas diversas fases do concurso. Se você somar os gastos, junto com as horas de estudo, sendo que na reta final eu estudava em torno de 12 horas diárias, vejo que foi um caminho difícil”, frisou.

Expectativa

Leandro faz parte de um grupo com mais de 500 aprovados no concurso da Polícia Civil, realizado em junho de 2014. Os inscritos aguardam a convocação para exercer os cargos de delegados, agentes, escrivães, papiloscopista, agente de necrotomia, médico legista e perito criminal. O certame previa o preenchimento imediato de 397 cargos e o restante para cadastro reserva.

Os candidatos tinham a expectativa de serem chamados meses depois do certame, o que não aconteceu. Depois de passarem por todas as etapas, os aprovados ainda esperam a nomeação.

“É uma situação muito complicada, temos aquela sensação de ‘ganhou e não levou’, o que gera um grande desconforto, ainda mais quando nos lembramos de tudo que abdicamos e de todo nosso esforço para finalmente chegar aqui. E não foi só eu que passei por toda essa abstinência, tenho certeza que cada um dos meus colegas pode contar uma história de superação pra conseguir passar nesse concurso”, pontua.

O caminho

Segundo a psicóloga Laura Cristina da Costa Campos situações como essa que provocam incertezas e afetam muito o psicológico do indivíduo, principalmente se o investimento, dedicação e expectativas foram direcionados para uma meta de forma exacerbada.

“As pessoas que vestem a camisa de concurseiro fazem um planejamento futuro, que inclui a expectativa de vida diante de questões sociais e familiares. Então ela planeja toda a vida com base nessa conquista e por isso é tão frustrante esperar o resultado e lidar com impasses no processo”, ressalta.

Conforme a psicóloga, no caso de pessoas que seguem um ritmo forte de estudos, é necessário ter equilíbrio e paciência para aguardar a convocação.

“Porém, por conta das cobranças sociais e financeiras que o mundo capitalista impõe ao individuo, normalmente ele não se prepara para lidar com essas situações e é nesse momento que começam as decepções”, acrescenta.

Persistência

Segundo Glenda Lopes, diretora de um preparatório para concursos de Palmas, todo candidato tem que saber que muitas vezes é comum a demora para ser chamado em definitivo para assumir a vaga, por isso é importante traçar uma meta de onde se quer chegar.

“Estudar para concurso é uma decisão e nem sempre é uma fase fácil. É um desafio que eles enfrentam para alcançar a tão sonhada estabilidade financeira. O importante é a pessoa não desistir e persistir no objetivo. Não ser chamado no tempo esperado é frustrante, mas não é desestimulante”, aconselhou.

Para Leandro realizar o sonho de ser delegado o faz sentir uma pessoa iluminada, não só porque dedicou tempo e dinheiro, mas também porque através do trabalho que vai desenvolver na polícia é possível ajudar inúmeras pessoas, além de poder contribuir com uma cidade mais segura. “Eu tenho uma expectativa muito grande em assumir essa vaga. Eu acordo e durmo pensando: será que vai ser hoje que seremos nomeados?”, finalizou.

Concurso

Ao todo, em torno de 16 mil candidatos fizeram as provas da primeira fase. Já a segunda etapa foi realizada no segundo semestre do ano passado, com o curso de formação, o que deu continuidade ao certame, que estava paralisado desde o final de 2014.

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