Associação apadrinhada por vereador foragido recebeu R$ 1 milhão da gestão Amastha em dois meses

Redação AF - |
Foto: Divulgação

Desde 2014, pelo menos oito entidades foram habilitadas para receber recursos públicos da Prefeitura de Palmas através de projetos de lei apresentados na Câmara pelo vereador Major Negreiros, um dos parlamentares investigados na Operação Jogo Limpo por suspeitas de integrar um esquema criminoso que desviou mais de R$ 7 milhões através de convênios.

Negreiros está com a prisão temporária decretada, mas continua foragido desde sexta-feira (3).

Através dos projetos do vereador, foram declaradas de utilidade pública municipal o Palmas Clube de Automobilismo; Federação de Judô do Estado do Tocantins; Associação Tocantinense de Titan Cross (ATTC); Associação Escolinha de Vôlei de Palmas (Assevopa), todas em 2014; Federação Tocantinense de Futvôlei (FTFV); Federação Tocantinense de Futebol de Salão (FTFS), ambas em 2015; Liga Tocantinense de Jiu-Jitsu e Judô, em 2016, e Clube Recreativo Flapalmas, em 2017. Todos os projetos foram sancionados pelo ex-prefeito Carlos Amastha.

Dessas 8 entidades, apenas duas firmaram convênios e receberam recursos. A Associação Tocantinense de Titan Cross (ATTC) recebeu naquele mesmo ano repasses superiores a R$ 1 milhão, em junho e julho, da Fundação Municipal do Esporte e Lazer (Fundesportes), que é investigada no esquema.

Na operação, o presidente da referida associação, Márcio Keilos S. de Carvalho foi preso temporariamente.

Também beneficiada por Negreiros, a Federação Tocantinense de Futvôlei (FTFV) recebeu R$ 349,1 mil no dia 1º de outubro de 2014, quatro dias antes das eleições daquele ano.

Apenas em 2014, a gestão do ex-prefeito Carlos Amastha liberou o montante de R$ 7,1 milhões em convênios desse tipo para associações e federações, maior parte nos meses que antecederam as eleições. Na época, Amastha e Negreiros eram aliados políticos.

Segundo a Polícia Civil, a verba seria destinada a projetos sociais, mas o dinheiro teria sido usado em campanhas eleitorais.

Segundo a decisão judicial que autorizou a operação, 10 entidades investigadas admitiram o uso de notas frias fornecidas por sete empresas fantasmas. As notas seriam para justificar despesas e serviços não realizados. Depois, o dinheiro seria desviado para servidores e políticos ou para terceiros indicados por eles. O esquema teria desviado R$ 7 milhões da Prefeitura de Palmas.

Parte dos recursos caíram diretamente na conta pessoal dos vereadores Rogério Freitas e José do Lago Folha Filho, atual presidente da Câmara e braço direito de Amastha.

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