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Bandido é criado e alimentado por pais omissos, diz delegado

Agnaldo Araujo - - 810 views
Foto: João Neto
Manifestação em Araguaína contra onda de criminalidade

Por: Fernando Rizerio Jayme

A segurança pública é eminentemente atribuição do Estado, competência do governador. Vereadores e prefeitos pouco interferem. A situação que temos hoje na cidade é fruto de omissão de vários governadores nessa área, bem como reflexo da pobreza, leis garantistas e ausência de melhores investimentos em educação. A longo prazo, isso só piorará se os votos não forem melhor distribuídos e não representarem interesses particulares por vantagens de todo tipo.

Foi a população mesmo que escolheu, com cada clique na urna, a situação que agora vivenciam. Quando inquéritos prescrevem nas delegacias por falta de condições de trabalho e de pessoal, quando a população aciona a Polícia Militar e não tem viaturas suficientes, quando não se consegue fazer rastreamentos dos celulares roubados, atendimento efetivo às vítimas, investigações dos crimes e tantas situações cotidianas da segurança pública, é esse o resultado. E isso já era escrito pelos pensadores do século XVIII, como por exemplo no livro: dos delitos e das penas.

A impunidade gera o sentimento no subconsciente social de que o crime compensa e que a sanção penal não os alcançam. Famílias destruídas por ausência de valores morais e confusão de que educação se tem só na escola, cria uma geração de jovens propícios ao uso de drogas e ao cometimento dos crimes.

Educação não é escolarização, aquela vem no seio da família. Todo bandido tem pai e mãe que falharam na educação, ou talvez não a tenha para poder dividir. Onde estavam quando o filho virou criminoso? Talvez em alguma praia, ou bebendo em bares e festas, rodando a cidade com som automotivo, passando por cima dos direitos do outro, levando vantagem sob as outras pessoas e fazendo o filho acreditar que o exemplo é que deve ser seguido e que o próximo somente é o meio para o fim, segundo o filósofo Kant.

O bandido não nasce do nada, ele é gerado, criado e alimentado todos os dias por pais incompetentes e omissos. Trabalhar não faz nenhum dos pais se eximirem da incumbência da educação, já que o que mais ouço na delegacia, pelos pais dos bandidos, é de que: “não sei o que aconteceu, pois eu vivo trabalhando”.

E como está a educação de seu filho? Como estão as companhias dele? Onde ele tem andado e que lugares tem frequentado? Dão liberdade demais para jovens irresponsáveis e sem condições morais para decidir e escolhem os caminhos pelos quais os pais não lhes prepararam para não seguir.

As drogas ganham espaço na ausência dos laços familiares, do controle e da disciplina. Querem consertar o erro depois que o produto de anos de erro desandou, mas aí, nem respeitados mais o serão. Cada pai e mãe são responsáveis, nessa sociedade, pelos bandidos que têm, e não são nem melhores ou piores do que sua cria, porque somente deixaram o seu legado.

Não é só o Estado que falha, mas principalmente a família, já que a pior pobreza é a de espírito. Reclamamos que não tem segurança, não tem policiais, não tem leis, mas, nos esquecemos de que se criamos pessoas boas, de nada disso seria necessário. O erro está no nascedouro, na alimentação das novas mentes de que precisam sempre ter mais de tudo nessa sociedade do capital, de acumulação desenfreada de bens.

Rouba-se para tirar do outro aquilo que se acha no direito de ter. Não lhes foi ensinado que tudo tem seu tempo e a colheita depende das sementes. É a geração do agora, mais, melhor e todo intenso. País que não se preocupam com religiosidade e de que agora religião poderia produzir melhores mentes para o mundo. Sim, a religião é forma de controle, mas o temor aos princípios bíblicos tem primordial importância no aprimoramento moral dos jovens.

São tantos problemas, as causas inúmeras e diversas, as circunstâncias desafiadoras, porém, o importante é nos alienarmos com novelas, big brother, discutir futebol, vangloriarmos os “heróis” e ter sempre uma opinião, do senso comum, nas discussões nas rodinhas e bares sobre segurança pública.

Queremos segurança, mas odiamos policiais, não ajudamos nas investigações como testemunha, não denunciamos crimes ao delegado e não apoiamos policiais durante o seu trabalho. Ser conivente também é aceitar o crime pra si mesmo. Senhor, protegei-nos de nós mesmos e da ignorância que nos assola. A ignorância é uma bênção.

Sobre o autor

Fernando Rizerio Jayme é delegado em Araguaína. Formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC), Especialização em Direito Público Constitucional e Administrativo e Especialização em Polícia Comunitária e Segurança Pública pela UFT de Araguaina-TO.

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