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Campos Lindos vive absoluto descaso na gestão pública e TRE-TO decidirá quem será o próximo prefeito

Redação AF - |
Foto: AF Notícias
Moradores aguardam conclusão de casas populares. Há 11 anos a Prefeitura não entrega nenhuma casa.

As crianças da comunidade Rancharia, um pequeno povoado do Município de Campos Lindos (TO), já deveriam estar desfrutando de uma quadra coberta com vestuário, tudo novinho, na escola municipal desde julho deste ano, contudo, no local onde deveria ter sido erguida a obra, não há nenhum sinal de que esse projeto sairá do papel. Consta na placa a indicação de liberação de R$ 508 mil, recurso proveniente do Ministério da Educação (MEC).

O pequeno Município possui pouco mais de 8 mil habitantes, segundo o IBGE, mas se tornou bastante conhecido pela riqueza da plantação de soja, que impulsionou a renda per capita para quase R$ 26 mil, uma das maiores do Estado.

Foto: AF Notícias
Escola municipal na zona rural de Campos Lindos em situação precária.
Foto: AF Notícias
Placa informa sobre construção de quadra coberta. Obra deveria ter sido concluída em julho de 2016, mas até agora não há nenhum tijolo na construção.

Já os estudantes da rede municipal são transportados nas carrocerias de caminhonetas, sem o mínimo de segurança, com apenas uma lona para barrar a luz do sol. Até uma pampa é utilizada no transporte escolar, mesmo em condições precárias.

Foto: AF Notícias
Estudantes são transportados na carroceria de caminhonetes, sem nenhuma segurança.

Já nas poucas rotas em que há ônibus escolar adequado, o número de veículos não é suficiente para atender a todas as crianças. Muitos estudantes vão em pé e outros arriscam a própria vida na porta, que vai aberta devido à superlotação.

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Crianças vão à escola na porta de ônibus superlotado.

Mas esse não é o único problema denunciado pelos moradores da cidade ao Portal AF Notícias. Há escolas na zona rural que ainda funcionam em barracos de madeira. As obras da futura creche do Município, a única, estão paralisadas há bastante tempo e não há nenhuma previsão para serem retomadas.

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Construção da futura creche municipal está paralisada.

Na saúde a situação não é diferente. A única unidade básica também está com as obras inacabadas. O local onde a população deveria receber atendimento médico está servindo apenas de garagem para a ambulância.

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Posto de saúde inacabado serve de garagem para a ambulância.

Quem também precisa de uma moradia digna está esperando há cerca de 11 anos, período em que a Prefeitura não entregou nenhuma unidade habitacional. Algumas casas populares não saíram do alicerce e outras construções estão abandonadas. Diante dessa realidade, algumas famílias decidiram concluir as casas por conta própria. Já outras, por falta de recursos financeiros, continuam morando em casas cobertas de palha e lona, e com paredes de barro.

Foto: AF Notícias
Casas populares estão inacabadas, enquanto população mora em barracos cobertos de palha e lona.

Gestão ineficiente

Os problemas apontados na reportagem foram levados em conta quando o jornal Folha de São Paulo e o Instituto Datafolha divulgaram o Ranking de Eficiência dos Municípios, no último mês de agosto. No ranking, a cidade de Campos Lindos ficou na penúltima posição entre os 139 municípios do Tocantins, tendo uma gestão ineficiente dos recursos públicos, ou seja, entrega poucos serviços à população. A cidade ficou à frente apenas de Palmeirante.

Campos Lindos é atualmente administrada pelo prefeito Jessé Pires Caetano (PSC). Ele venceu a reeleição, mas está inelegível. Ele também foi prefeito entre 2005 e 2008, mas teve as contas de todos os anos rejeitadas pelo TCE por irregularidade insanável que configura ato doloso de improbidade administrativa.

A decisão sobre quem será o próximo prefeito de Campos Lindos está nas mãos do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO), que julgará nos próximos dias o recurso de Jessé. Caso seja rejeitado, quem assumirá a prefeitura é a segunda colocada nas eleições 2016, Dra. Euriléia (PSD). Mas enquanto não há decisão, a população vive um cenário de incertezas e sem o mínimo de serviços básicos.

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