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Comerciante diz que ponto na Feirinha vale meio milhão, mas prefeitura ofereceu R$ 35 mil

Agnaldo Araujo - |
Foto: AF Notícias
Alguns comerciantes não concordam com a indenização proposta pela prefeitura

Márcia Costa//AF Notícias

Com um microfone e uma caixa de som, comerciantes da Feirinha realizaram uma manifestação na tarde deste sábado (08), na Avenida Prefeito João de Sousa Lima, em Araguaína. Eles afirmaram que não são contrários ao projeto de revitalização do local, mas não concordam com o valor das indenizações proposto pela prefeitura.

Os moradores e comerciantes já foram notificados nesta sexta-feira (07). O documento pede a desocupação dos imóveis e mostra o valor da indenização avaliada pelo poder público. Diz ainda que eles têm um prazo de até 10 dias para contestar ou se manifestar por escrito na secretaria de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente.

A comerciante Silvia Ribeiro, atual proprietária do comércio Coco Verde, disse que o seu ponto comercial vale bem mais do que os R$ 35 mil estabelecidos pela prefeitura. “Meu pai suou muito para ter esse estabelecimento. Foi no sol quente e na juquira que conseguiu real por real. Estamos aqui há mais de 42 anos e simplesmente recebemos uma notificação para sairmos daqui. Em troca levo apenas R$ 35 mil. Já fiz a avaliação do meu imóvel e ele vale R$ 500 mil. É absurdo esse valor oferecido. Estamos sim contestando porque não podemos aceitar isso. Aqui é o nosso ganha pão“, disse a comerciante.

Já o comerciante Adonice Pereira, que possui comércio há mais de 25 anos na Feirinha, disse que a prefeitura não ‘respeita a pobreza’. “Está querendo tirar nosso único meio de sobrevivência. É uma necessidade recebermos uma indenização justa conforme o valor real do nosso estabelecimento. Não somos bobos para sermos enganados. Queremos uma nova Feirinha, mas também queremos continuar com nosso trabalho de cabeça erguida, pois lutamos para termos o que temos hoje”, finalizou.

Entenda

Muitas criticas foram feitas desde o início da demolição da Feirinha, no dia 27 de junho de 2017. A Defensoria Pública chegou a ingressar com uma ação na Justiça para barrar a destruição das casas. A demolição foi interditada e um acordo foi celebrado em que os comerciantes e moradores seriam notificados com antecedência, antes dos seus imóveis serem derrubados.

E na última sexta-feria (07), uma ação conjunta da prefeitura, juntamente com a Defesa Civil e Polícia Militar, notificou diversos moradores e comerciantes do local. Conforme a prefeitura, os comerciantes podem optar pela indenização ou trabalhar no Galpão Verde, até que a construção da Nova Feirinha esteja pronta.

Mas o valor da indenização não agradou alguns comerciantes.

Demolição da Feirinha

A demolição da Feirinha resolverá um problema crônico da cidade, tendo em vista que o local é bastante usado para o consumo e tráfico de drogas e prostituição. Há cerca de 40 anos, o poder público não realizava uma obra no local.

Outro lado

A prefeitura de Araguaína informou, por meio de nota, que sendo a área pública, somente as benfeitorias (construções) são indenizadas. Acrescentou ainda que o custo do metro quadrado é definido pelo SINAPI/IBGE e o avaliador deprecia o imóvel de acordo com seu estado de conservação.

A nota ressalta ainda que todos têm direito ao recurso e eventuais questionamentos serão analisados caso a caso.

Foto: AF Notícias
Comerciantes durante a manifestação

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