Concurso da PM-TO deve ser cancelado ou ter provas reaplicadas; fraude beneficiou cerca de 100 candidatos

Agnaldo Araujo - |
Foto: AF Notícias
Investigadores detalham esquema de fraude no concurso da PM-TO

Os investigadores da Polícia Civil do Tocantins contaram detalhes, nesta sexta-feira (22), sobre o esquema de fraude no recente concurso público da Polícia Militar do Estado. Cerca de 100 candidatos podem ter sido beneficiados, o que corresponde a 10% do número de vagas ofertadas para soldado.

A Operação Ateleia efetuou a prisão de 13 pessoas no Maranhão e Piauí acusadas de participarem da fraude, inclusive o mentor, Antônio Ferreira Lima Sobrinho, conhecido pela alcunha de ‘Antônio Concurseiro’. Segundo a polícia, ele fez a prova em Araguaína se passando por outro candidato e depois repassou o gabarito via celular para os demais.

A INVESTIGAÇÃO

O ponto de partida da investigação foi a apreensão de um aparelho celular com o gabarito no banheiro de um dos locais de provas em Araguaína, conforme noticiado com exclusividade pelo AF Notícias.

A partir daí, os investigadores analisaram imagens do circuito interino de segurança, colheram depoimentos dos fiscais que trabalharam na aplicação das provas e conseguiram chegar ao dono do aparelho, Wylmerson Rubem dos Santos Silva, um dos presos. A mensagem com o gabarito tinha sido enviada pelo ‘Concurseiro’.

“Um dos fiscais afirmou que um candidato parecia que estava esperando as respostas caírem do céu”, disse o delegado Alexander Pereira, acrescentando que o candidato sequer manuseava a caneta e o caderno de provas, e foi ao banheiro duas vezes.

Conforme a polícia, há provas de que todos os presos receberam o gabarito, contudo, outros candidatos foram beneficiados, mas ainda não estão devidamente identificados. A estimativa é que pelo menos 100 candidatos tenham participado da fraude.

A polícia disse que não houve participação de fiscais ou membros da banca organizadora na fraude. “A fraude foi desenvolvida com base na capacidade intelectual dele [Antônio]”.

Os telefones foram colocados nos banheiros antes do início das provas, escondidos nos cestos de lixo. No decorrer da aplicação, o candidato pedir para ir ao banheiro, passava normalmente pelo detector de metal, olhava o gabarito e anotava as respostas em papel ou na própria mão.

A investigação apontou ainda que candidatos foram beneficiados nas cidades de Araguaína, Palmas, Augustinópolis, Wanderlândia, dentre outras.

O inquérito foi conduzido pela Delegacia Especializada em Investigações Criminais (DEIC), através dos delegados Breno Campos, Alexander Pereira e José de Anchieta, com o apoio do delegado regional Bruno Boaventura.

NÚMERO DE ACERTOS NA PROVA

A prova do concurso da Polícia Militar tinha 60 questões e, segundo os investigadores, o gabarito elaborado por Antônio era suficiente para o candidato acertar 40 delas. “Em um concurso de 1.000 vagas, é um número mais que suficiente para se obter aprovação para a 2ª fase”, diz o delegado.

Por conta disso e do número de candidatos beneficiados pela fraude, a polícia concluiu que o concurso está “afetado”.

“Caso o concurso continue, corre-se o risco de pessoas que não foram aprovadas da forma devida entrem na Polícia Militar”, disse Anchieta.

O PREÇO DA APROVAÇÃO

Segundo a polícia, alguns dos presos já confessaram ter pago a Antônio valor entre R$ 5 e R$ 10 mil, apenas de entrada.

Em caso de aprovação, o candidato pagaria 10 vezes o valor da remuneração do cargo, ou seja, cerca de R$ 45 mil. Para agilizar o pagamento, os candidatos fariam um empréstimo consignado assim que entrassem na corporação.

FAMOSO PELAS FRAUDES

A polícia disse que Antônio Concurseiro é ‘famoso’ na cidade de Pindaré Mirim (MA). “Só falta ter uma estátua dele na cidade. Ele é conhecido por esse tipo de fraude, vários servidores públicos de lá foram aprovados por ele”, disse o delegado.

VIDA DE LUXO

Apesar de não ter nenhuma ocupação lícita, Antônio vive em um apartamento de condômino de luxo no centro de Teresina (PI). “Ele, a esposa e a cunhada não possuem nenhum emprego, mas mantinham um padrão de vida elevado”, afirmou José Anchieta.

FIM DO CONCURSO?

Segundo a Polícia Civil, o Governo do Estado pode cancelar o contrato com a banca organizadora, AOCP Concursos, ou viabilizar a reaplicação das provas. O Ministério Público Estadual pode também ingressar com ação na Justiça.

Inicialmente, os presos serão indiciados pelos crimes de associação criminosa e fraude em certame público.

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