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Conselho Federal da OAB exige providências criminais e administrativas contra policial acusado de agressão

Redação AF - |
Foto: Divulgação
Advogada disse que foi agredida fisicamente por policial dentro da Delegacia de Paraíso.

AF Notícias //Da Redação

As supostas agressões físicas e verbais praticadas pelo agente penitenciário do Tocantins, Marcio Parrião Ribeiro, contra a advogada Iara Maria de Alencar, de 63 anos, dentro de uma delegacia na cidade Paraíso, na noite deste sábado (27/02), já ganharam repercussão nacional. O caso revoltou a classe.

A advogada, que atua na área criminal há cerca de 40 anos, disse que foi injuriada com xingamentos e agredida fisicamente com empurrões enquanto acompanhava um cliente na Central de Atendimento da Polícia Civil de Paraíso. Ela ainda teria sido vítima de ameaças com arma de fogo e imobilizada.

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Presidente nacional da OAB vem a Palmas para acompanhar apuração de possível agressão a advogada.

Com a repercussão negativa do fato, o Conselho Federal da OAB e o Colégio de Presidentes de Seccionais do Brasil divulgaram nota oficial prestando “integral apoio e solidariedade” à advogada e exigiram da Secretaria de Segurança Pública (SSP) a instauração de procedimento administrativo para apurar a responsabilidade do agente violador das prerrogativas profissionais, bem como na esfera penal.

Ainda conforme a nota, o Conselho Federal vai apoiar a Seccional do Tocantins em relação às medidas já adotadas visando a punição dos atos de violência praticados contra a advogada.

Nesta segunda-feira (29/02) o presidente da OAB Tocantins, Walter Offugi, juntamente com o presidente do Conselho Federal, Claudio Lamachia, vão protocolar uma representação contra o servidor público na Corregedoria-Geral. “Os atos de violação das prerrogativas profissionais receberão pronta resposta da Ordem dos Advogados do Brasil, por seu Conselho Federal e suas Seccionais”, garantiu Lamachia.

Segundo Walter Ohofugi, a visita de Lamachia à Capital tocantinense é uma mostra clara que a Ordem não vai deixar que as prerrogativas dos advogados sejam desrespeitadas ou afrontadas. “O que parece ter ocorrido sábado foi um absurdo. Uma profissional de 63 anos que vai ver um cliente não pode ser agredida na delegacia, e nem muito menos ameaçada com uma arma, pela autoridade policial. A OAB não vai permitir que fatos absurdos como esse ocorram”, destacou.

A presidente da Comissão de Defesa e Proteção da Mulher, Letícia Bittencourt, classificou o ato como “machista e reacionário” e destacou que “merece o mais duro e veemente repúdio”.

Segundo ela, a cena evidencia também o porquê de o Estado do Tocantins ser o segundo em número de violência contra a mulher (Diagnóstico de Homicídios do Brasil, referente ao ano de 2014), “uma vez que dentro dos próprios órgãos de defesa a truculência e o despreparo alimentam os índices do vergonhoso ranking”.

Durante a agressão sofrida pela advogada, outra mulher interviu em sua defesa, o que, segundo Bittencourt, demonstra “o quão valiosa é a união das mulheres”. “Não raro, as mulheres são vítimas de algozes que se valem da força física e de armas de fogo para prevalecer sobre a aparente fragilidade feminina”, lamentou.

A Comissão de Defesa e Proteção da Mulher afirmou ainda que a advocacia feminina tocantinense não tolera ser tratada com “truculência e desrespeito”, notadamente neste que é “o ano da mulher advogada”, segundo o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.

“Esperamos que o ocorrido sirva de alerta às autoridades e que nossas vozes despertem as investigações dos atos de violência contra a mulher”, finalizou Letícia Bittencourt, ressaltando que a Comissão não medirá esforços para retirar o Tocantins deste vergonhoso ranking de violência contra a mulher.

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