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Continua interditada gruta que desabou e matou 10 pessoas em Santa Maria

Agnaldo Araujo - |
Fotos: Wherbert Araújo
A gruta permanece interditada com riscos de novo desabamento

Uma semana após o trágico acidente que vitimou 10 pessoas no município de Santa Maria do Tocantins, a 278 km de Palmas, no desabamento de parte do teto de uma gruta onde se realizava uma cerimônia religiosa, a Defesa Civil Estadual, manteve a interdição do local, uma vez que a área ainda permanece com sua estrutura instável e propícia a desabamentos. No local, foram instaladas placas e faixas informativas alertando para o risco de novos desmoronamentos.

A convite da Defesa Civil, técnicos da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) estiveram no local nessa segunda-feira (07/11), para realizar vistorias e constatar que a Casa de Pedra, como a gruta é conhecida pelos moradores, oferece sérios riscos em sua estrutura.

Segundo o diretor executivo da Defesa Civil, o major bombeiro Diógenes Madeira, na vistoria, foi identificado que a gruta é frágil e possui riscos iminentes de novos desmoronamentos. “Orientamos a gestora municipal, como também o proprietário da área particular onde está localizada a gruta, para que alertem a população a não adentrar naquele espaço, a fim de minimizar riscos de vida, caso haja novos desmoronamentos”, afirmou.

Vistorias

Segundo o professor doutor da UFT, o espeleólogo Fernando Morais, após a visita técnica, foram identificados planos de fraqueza da rocha que coincidem com o desmoronamento. O espeleólogo afirmou que, em termos de risco geológico, existe a possibilidade de novos incidentes de desmoronamentos.

De acordo com o doutor, o Tocantins possui outros espaços semelhantes de manifestação religiosa, como nos municípios de Arraias e Lagoa da Confusão, mas que os organizadores devem procurar o poder público para averiguar se aqueles espaços estão adequados para este tipo de celebração e se possuem um plano de manejo de uso sustentável. “Nenhuma cavidade deve ser visitada, ainda que esporadicamente, sem o acompanhamento de alguém habilitado. Esse espaço não deve ser visitado, sem que antes tenha passado por um estudo de capacidade de carga e adequação ao turismo”, afirmou.

Para o geólogo do DNPM, Fábio Lúcio Martins Júnior, na gruta, foi identificado um trecho de fratura formando um ângulo de 90 graus que, em alguns pontos, está ainda aberta, com cerca de um centímetro. O técnico observou que o trecho rochoso ao lado do deslocamento está coeso e não mostra sinal de instabilidade, ao contrário do local do acidente, onde a rocha ainda está instável e com sinal de rupturas.

Sobre as possíveis causas do acidente, o geólogo afirmou que, para se ter precisão, seriam necessários estudos com equipamentos sensíveis à produção e aos ruídos sonoros. Entretanto, ele argumentou que a confirmação de barulho, provocadas por rojões e foguetes, poderia ser o efeito catalizador da tragédia. “Vibrações sonoras causam ondas de choque e podem gerar danos a uma estrutura que já esteja comprometida. A princípio, sabemos que vibrações sonoras aceleram o processo de queda, mas independentemente do incidente sonoro, a ruptura no local já estava prestes a acontecer”, afirmou.

Memória

Lugar de Memória Segundo informações de moradores locais, as manifestações religiosas na Casa de Pedra já aconteciam há quase 200 anos. A tradição, passada de geração para geração, fez com que milhares de moradores daquela região entendessem como sagrado aquele espaço, que já chegou a receber milhares de fiéis em celebrações realizadas sempre no dia 1º de novembro. Com uma área de 30 metros de largura por quatro de altura, o salão principal da gruta se tornou, ao longo dos anos, objeto de peregrinação de romeiros, atraídos principalmente pela crença de que uma imagem religiosa havia sido encontrada no interior da caverna, séculos atrás.

Para a servidora pública Lucidalva Lourenço de Oliveira, até o momento do acidente, a responsabilidade de manter a celebração estava em sua família, tendo como líder seu tio, Valdemir Lourenço de Oliveira, de 57 anos, uma das vítimas fatais do desabamento. “Não só pela tristeza que o acidente gerou, como também a perda de um tio, nossa família pretende não realizar mais celebrações naquele lugar”, afirmou.

Segundo a prefeita de Santa Maria, Helen Ruth Freitas Souza, após o acidente, a gruta se tornou um lugar de lembrança pela trágica morte de dez fiéis. A gestora municipal informou que já orientou a comunidade a não adentrar no espaço, devido às instabilidades geológicas. “Entendemos o processo de dor e luto dos nossos moradores e vamos discutir, com todos, a possibilidade de se encontrar um novo espaço para que sejam realizadas as celebrações com segurança”, afirmou.

A tragédia

Acontecida no dia 1º de novembro, por vota das 10h30, a tragédia no município de Santa Maria causou a morte de 10 pessoas que participavam de uma celebração religiosa na gruta conhecida como Casa de Pedra, em uma área rural no município, a 278 km de Palmas.

O acidente deixou outras sete pessoas gravemente feridas. As vítimas eram dos municípios de Pedro Afonso, Itacajá e Santa Maria, região centro-norte do Tocantins. Na ocasião, o governador Marcelo Miranda decretou luto oficial de três dias em homenagem às vítimas. (Secom – Governo do Tocantins).

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