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‘Crime foi arquitetado com riqueza de detalhes’, afirma delegado sobre morte de advogado

Agnaldo Araujo - |
Foto: AF Notícias
Delgado Rerissom Macedo

O delgado de Polícia Civil José Rérisson Macedo contou detalhes sobre o planejamento e execução da morte do advogado Danillo Sandes, de 30 anos, ocorrida no dia 25 de julho em Araguaína. O suposto mandante do crime é o farmacêutico Robson Barbosa da Costa, preso em Marabá (PA) e já apresentado em Araguaína na manhã desta terça-feira (29). Atuou também nas investigações o delegado Guilherme Torres.

Os delegados acreditam que Robson teve ajuda de outras pessoas na prática do crime. “Nós vamos buscar também a participação de outras pessoas. Nós sabemos que ele não fez isso sozinho. O Robson planejou e arquitetou esse crime com uma riqueza de detalhes, cuidados e com excesso de zelo exacerbado”, disse Rérisson Macedo.

As investigações do caso vão continuar, segundo a Polícia Civil. “Foi um trabalho árduo, mas gratificante e hoje estamos apresentando uma parte deste resultado. As investigações não irão se encerrar no dia de hoje”, garantiu.

Foto: AF Notícias
Robson Barbosa foi apresentado em Araguaína

MOVIMENTAÇÃO DO SUSPEITO

O suspeito de executar Danillo Sandes saiu de Marabá (PA) para Araguaína (TO) no dia 24 de julho, um dia antes do crime. “O executor fez uso de um aparelho de celular no seu deslocamento que foi inserido um chip em 22 de julho em Marabá (PA). Esse chip foi inserido por volta do meio dia e meio e, às 16 horas, foi feito o cadastro na operadora Vivo em nome de terceiros. Em seguida o aparelho foi desligado”, disse Rérisson Macedo.

O celular só foi ligado novamente dois dias depois. “No dia 24 de julho o celular foi ligado novamente sem fazer nenhuma ligação. E já por volta das 20 horas houve deslocamento de Marabá para Araguaína”, contou. Ainda conforme o delegado, o suspeito passou pela ponte de Araguatins para evitar que fosse filmado na travessia da balsa em Xambioá, onde há câmeras de segurança.

O suspeito chegou em Araguaína na madrugada do dia 25 de julho e foi registrada uma pequena movimentação em direção ao setor Jardim das Flores. “Pela manhã, essa pessoa entrou em contato com Danillo. O advogado já o aguardava. Danillo teve um conhecimento prévio da pessoa, tanto que chegou no veículo e a cumprimentou. Nós temos prova disso”, garantiu.

Em seguida, Danillo estacionou sua motocicleta e entrou no veículo “sem nenhuma resistência e nenhum ato de violência”. “Após entrar no veículo, ou seja, ao ter entrado na sua câmara de gás de morte, o aparelho de celular foi desligado”, afirmou.

Já dentro do carro, Danillo foi levado para um local previamente estabelecido para sua morte, a cerca de 18 km da cidade.

RETORNO PARA A CIDADE

Segundo a investigação, o suspeito retornou para Araguaína cerca de uma hora depois do crime, desligou novamente o celular e tomou destino incerto.

MOTIVAÇÃO

A motivação do crime, segundo o delegado, foi devido a um inventário (herança) em que o advogado Danillo representava parte dos herdeiros no processo. “Danillo, um advogado bem conceituado, muito bem visto, pessoa íntegra, estava sofrendo um certo aliciamento por parte de seus clientes num inventário em que o Robson é parte”, disse o delegado.

Conforme as investigações, Robson tentava ocultar bens da herança e Danillo não concordou. “Danillo não aceitou isso, não se curvou a isso. Daí já surgiu uma animosidade. Com o passar dos dias, descobriu-se que estavam sendo ocultados bens dos demais herdeiros. Em razão disso, Danillo teve uma discussão acalorada com Robson, foi quando disse que não seria mais o advogado dele”, relatou.

Ainda conforme a investigação, Robson queria auferir vantagem em relação aos demais herdeiros, através de um caminhão que foi incluído no processo pelo advogado Danillo.

Robson estaria obtendo lucro com o caminhão. “Danillo então pediu ao juiz a venda do caminhão para cobrir despesas do inventário. Daí a gota d’água. Quando saiu a decisão judicial autorizando a venda deste bem, o Robson proferiu ameaças a Danillo, dizendo que ele até poderia conseguir o alvará [para venda], mas não chegaria a gastar [o dinheiro] que seria levantado, como de fato não chegou a gastar”, disse o delegado.

FAMÍLIA

De acordo com o delegado, as famílias de Robson e Danillo se conhecem. “As famílias se conheciam há um determinado tempo. Robson é de uma família tradicional aqui da região e Danillo também”, afirmou.

NÃO VAI SE SAFAR

O delegado assegurou que a polícia tem provas suficientes sobre a participação de Robson no crime. “Nós temos uma série de provas e não tem como Robson dizer que não participou. É um direito dele negar e é um dever da polícia provar e nós provamos”, finalizou.

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