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Crítica – Anavitória reintroduz as “tolas canções de amor” no pop nacional

Agnaldo Araujo - - 633 views
Foto: Divulgação
Cantoras de Araguaína Ana Caetano e Vitória Falcão

Entre a enxurrada de discos de bandas e artistas cabeças, introspectivos, experimentais, ripongas e psicodélicos, chega às lojas virtuais um lançamento que surpreende pela simplicidade. Anavitória (Lançamento Digital Universal Music), da dupla Ana Caetano e Vitória Falcão, de Araguaína (TO), produzido por Tiago Iorc, que se tornou padrinho das cantoras.

Dez das onze composições do disco são assinadas por Ana Caetano (três delas com Tiago Iorc). Na única faixa não autoral, revestem de juvenilidade um clássico, terçando vozes deliciosamente em Tocando em Frente (Almir Sater/Renato Teixeira). A música foi gravada por Maria Bethânia em 1990, pelo autor e depois por vários intérpretes consagrados. Um obstáculo que a dupla contornou com facilidade.

Ana e Vitória são escancaradamente pop e românticas. Lembram a ótima banda portuguesa Deolinda em Dengo, e Wanessa da Mata em ‘Trevo Tu” (que tem participação de Tiago Iorc nos vocais).

Viralizando

Ana Caetano e Vitória Falcão foram conhecidas a partir da postagem da citada”Singular”, na página Brasileiríssimos no Facebook. A música é uma das quatro do EP de estreia, saído em 2015. Uma viralizada de qualidade, que rendeu milhões de visualizações, e contribuiu para que a dupla ultrapassasse facilmente a quantia que pretendia quando procurou financiamento coletivo no site Catarse.

Anavitória mostra que a música dos sertões do Centro-Oeste pode soar contemporânea sem apelar para redundâncias melódicas ou poéticas. No atual estado do rock nacional, no entanto, elas são estranhas a diversos ninhos. Nem popularescas para dividir palco com Paula Fernandes, porém demasiadamente básicas para tocar em festivais com artistas que cortejam a complexidade. Por fim, bastante despretensiosas harmonicamente para frequentar programas da MPB tradicional.

Anavitória abre com um soft rock, “Agora com Eu Quero Ir”, uma canção de letra simples e direta, com uma melodia extremamente radiofônica, como, aliás, é o disco inteiro. É difícil apontar uma faixa que não seja um hit em potencial. Tiago Ioorc, além de produzir, toca violão, viola, piano e percussão em várias faixas. O time que toca com as garotas é formado por João Viana (bateria), Gastão Villeroy (baixo), Marco Lobo (percussão) e Jeff Pinas (viola). Os arranjos de cordas de Rafael Lagoni Smith.

O rock nacional, afastou-se deste tipo de pop, leve e bem acabado, desde os anos 90. O que leva o álbum a soar meio deslocado no panorama atual da rock brasileiro. Ana e Vitória poderiam se justificar, se fosse necessário, tomando emprestados os versos de Silly Love Songs de Paul McCartney: “Algumas pessoas querem encher o mundo de tolas canções de amor/O que há de errado com isso?”. (A crítica foi publicada por José Teles, no Toques-UOL)

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