Demora em diagnóstico de apendicite custou vida de criança de 4 anos em Araguaína

Agnaldo Araujo - |
Foto: Divulgação
Pequeno David Luiz

Márcia Costa//AF Notícias

O pequeno David Luiz Costa Cavalcante, de apenas 4 anos, morreu na terça-feira (3/7), 29 horas após dar entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Setor Araguaína Sul, em Araguaína, norte do Estado.

Apesar de todos os sintomas, o menino só foi diagnosticado com apendicite aguda estourada poucas horas antes de falecer.

Hélio Cavalcante, pai de David, relatou ao AF Notícias que o filho passou pela UPA e depois foi encaminhado ao Hospital Municipal, sendo atendido com negligência.

O técnico em projetos disse também que levou o filho para a UPA às 13h da segunda-feira (02). O menino estava com febre alta e fortes dores na barriga.

Depois de horas de espera, o garoto foi medicado com dipirona, amoxicilina e xarope para uma possível inflamação de garganta. Em seguida, o garoto ficou mais horas na sala de observação.

“Ele vomitava muito e a febre não baixava, ele piorava a cada momento. Ele deveria ter sido transferido de imediato para o Hospital Municipal, pois estava muito gelado e isso não é comum. Os remédios não fizeram nenhum efeito, e nem os exames detectaram nada”, relatou.

O menino só foi transferido para o Hospital Municipal no dia seguinte, terça-feira (03), por volta das 11 horas da manhã. No hospital, ele foi avaliado pela pediátrica apenas às 15 horas, quando a médica disse que suspeitava que ele estivesse com uma apendicite e devia passar por uma cirurgia, porém, o cirurgião que devia fazer a avaliação para o procedimento só chegou às 18h30 horas.

“O meu filho esperou muito e quando ele chegou já era muito tarde. Com a demora do cirurgião, não restou muito o que fazer, era tentar reanimá-lo. Ele estava agonizando e, mesmo com o óbito e descaso, ninguém assumiu a culpa da demora, da negligência”, desabafou o pai.

No atestado de óbito, o garoto foi diagnosticado por choque séptico, septicemia e abdome agudo inflamatório. Conforme o pai, David Luiz era uma criança cheia de vida, muito alegre, que deixou uma dor muito grande para a família.

Foto: Divulgação
David Luiz e o pai

Com a palavra o Instituto Saúde e Cidadania 

O Instituto Saúde e Cidadania (ISAC), responsável pela gestão da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Araguaína Sul e do Hospital Municipal de Araguaína (HMA), é solidário à dor da família da criança David Luís, que faleceu na última terça-feira (3), e também está consternado com toda a situação.

O instituto informa que o paciente deu entrada na UPA no dia 2 de julho, por volta das 14 horas, e foi classificado com a cor laranja. As queixas eram de vômito, febre, fraqueza e tosse há oito dias, conforme relatado pela mãe. No entanto, não foram identificadas alterações abdominais. O diagnóstico inicial foi de amigdalite e o paciente foi medicado com antibióticos, antitérmico e mantido em observação.

Às 18h40 do mesmo dia, surgiram as dores abdominais, com quadro de vômito, e foram solicitados exames de sangue, urina e raio-x. Urina e raio-x deram sem alterações. O exame de sangue deu leucócitos alterados, o que indicava possibilidade de infecção.

Na manhã do dia 3, a criança foi reavaliada e prontamente encaminhada ao Hospital Municipal de Araguaína para dar continuidade à investigação do caso, uma vez que havia suspeita de apendicite aguda.

Após avaliação do pediatra de plantão, a criança foi levada para a estabilização da unidade, ativa e comunicativa, mas ainda com dores abdominais mediante a palpação.

O paciente foi medicado com antibióticos, hidratação, e foram solicitadas a avaliação do cirurgião e o ultrassom do abdômen. No entanto, o paciente evoluiu de maneira rápida com piora das condições clínicas, ficando instável para um procedimento cirúrgico naquele momento.

Apesar das medicações administradas para estabilizar o quadro, a criança teve uma parada cardiorrespiratória. Foi feita a reanimação por cerca de uma hora, infelizmente sem sucesso.

A diretoria do HMA reforça que em nenhum momento o paciente foi desassistido pela equipe médica. No entanto, o caso de piora rápida, incomum, que por motivos orgânicos e imunológicos individuais associado a infecções causadas por bactérias propiciam fatalidades como essa de forma tão súbita.

O ISAC permanece à disposição da família para os esclarecimentos que forem necessários”.

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