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Direção da CPPA tomou conhecimento de túnel dois dias antes da fuga de oito presos, aponta denúncia

Redação AF - |
Foto: Luis Ernandes
Presos escavaram o túnel e fugiram durante a madrugada.

Uma denúncia aponta que a direção da Casa de Prisão Provisória de Araguaína (CPPA) sabia da existência do túnel dois dias antes da fuga de oito presos, ocorrida no início do mês de julho. Isto é, a escavação foi descoberta dia 04 de julho e os detentos, entre eles Júnior Ferro – acusado de matar um comerciante de 82 anos com vários tiros, fugiram na madrugada do dia 6.  Ferro está com o julgamento marcado no tribunal do júri para o próximo dia 18 de agosto.

A prova da existência do túnel, segundo a fonte, são fotos divulgadas no final da tarde do dia 4 de julho em grupo de whatsapp. As imagens mostram o início da escavação dentro da cela 5, no pavilhão B.

Segundo o denunciante, ao tomar conhecimento do túnel, a direção da unidade deveria ter comunicado imediatamente ao delegado responsável, promotor de justiça e ao juiz da Vara de Execuções Penais. Porém, a comunicação não teria ocorrido de imediato.

De acordo com a denúncia, por segurança, a cela deveria também ter sido isolada, após a descoberta do túnel, até serem providenciados os devidos reparos. “Simplesmente fechou o portão de acesso à cela que estava o buraco. Sendo que o normal seria concretar de imediato e na pior das hipóteses, passar cadeado em todas as celas e não liberar os presos. Os presos não deveriam nem sair para o banho de sol até ser feito o reparo”, ressalta a fonte.

A denúncia aponta ainda que os presos perfuraram o concreto no dia 4, a parte mais difícil, e terminaram de escavar, retirando o barro, nos dias seguintes, após quebrar a tranca da cela em que estavam.

Foto: Divulgação
Foto mostra início da escavação do túnel, no dia 04 de julho, antes da fuga em massa.

Fugitivos

Na madrugada do dia 06, oito presos fugiram da cela 5, localizada no pavilhão B e fugiram pelo túnel.  Segundo apurado, Júnior Ferro ficava no Pavilhão “A”, mas na noite da fuga ele teria ido sozinho até o Pavilhão “B”.

Ao sair pelo túnel de dois metros, os presos tiveram acesso ao pátio da CPPA.  Como a guarda externa, que era feita pela PM, está suspensa, os fugitivos pularam o muro e empreenderam fuga.  Na época, o promotor de Justiça Tarso Rizo de Oliveira afirmou que a guarda externa “com certeza iria dificultar [a fuga]”.

Os outros fugitivos são os presos provisórios Eduardo Cardoso Rocha, de 21 anos, acusado de furto, Paulo Henrique de Sousa Silva, 24 anos, preso por ameaça e tentativa de homicídio, Kelby Ribeiro Gonçalves, 19 anos, preso por tráfico.

Também fugiram os já condenados Luiz Dias dos Reis, 23 anos, preso por tráfico de drogas, Cornélio Alves Santana Filho, 25 anos, Leonardo Araújo Cardoso, 23 anos, e Fernando Oliveira Silva, 27 anos, condenados por roubo.

Outro lado

Em nota, a Secretaria da Cidadania e Justiça (Seciju) admitiu que a descoberta do túnel se deu no dia 4 de julho, ou seja, dois dias antes da fuga.  A nota diz ainda que a direção da unidade “tomou todas as providências e procedimentos necessários, tanto que evitou-se outras duas fugas [na CPPA]; uma no dia 4 e outra no dia 5 de junho”.

Sobre a fuga do dia 6, a Secretaria informou que foram tomadas as devidas providências para apurar o caso. “Além de instalar Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD), os servidores que estavam no plantão serão encaminhados para a Corregedoria”, diz a nota.

Por fim, a Secretaria afirmou que enviou equipes de agentes de Palmas para dar suporte à segurança da CPPA, juntamente com PM e o Serviço de Inteligência Prisional trabalham nas buscas aos fugitivos.

Também por meio de nota, o Tribunal de Justiça do Tocantins confirmou que a CPPA informou sobre a fuga ao Juiz de Execuções Penais de Araguaína apenas no dia 6 de julho.  Isto é, dois dias após a data da descoberta do túnel, apontada pela denúncia.

O Ministério Público Estadual foi contatado para comentar sobre os procedimentos a serem adotados quando são encontrados buracos em celas, mas não respondeu. A reportagem ainda solicitou da PM informações sobre a falta da guarda externa e foi informada que a corporação não possui mais vínculo com a CPPA.

As informações são do portal Araguaína Notícias.

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