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Diretora do Hospital Municipal é demitida por não aceitar cortes e redução de funcionários

Agnaldo Araujo - |
Foto: Divulgação
Sede do Hospital Municipal de Araguaína

A diretora técnica Hospital Municipal de Araguaína (TO), médica pediatra Elaine Godoy, foi demitida na última terça-feira (18/10). De acordo com uma denúncia recebida pelo AF Notícias, Elaine só foi dispensada porque não concordou em demitir funcionários do hospital e reduzir salários, para enxugar a folha de pagamento.

Conforme a denúncia, a diretoria do Instituto Brasileiro de Gestão Hospitalar (IBGH), responsável pela gestão do HMA, se reuniu com a médica na terça e a ordenou que demitisse um dos médicos do hospital, mas ela não teria aceitado.

Outra ordem seria para reduzir os salários dos funcionários, mas ela também não teria concordado. A diretoria do IBGH chegou a solicitar que Elaine Godoy deixasse apenas uma técnica em enfermagem na sala de estabilização, que é uma mini-UTI onde ficam os recém-nascidos em observação, mas o local precisa de pelo menos três profissionais. A direção do IBGH também queria reduzir o número de profissionais para apenas três técnicas no posto 1.

Segundo a denúncia, Elaine defendeu a classe da enfermagem e dos médicos na reunião, ao não aceitar o que estava sendo exigido pela direção do Instituto. Contudo, a diretoria resolveu demitir a médica, o que gerou revolta dos funcionários. “Ela está lá [no HMA] há muito tempo. Além de ser uma pediatra competente, ela briga pela saúde das crianças bem como pelo local de trabalho”, disse o denunciante.

Conforme a denúncia, os técnicos em enfermagem estão sobrecarregados no hospital. Cada profissional teria de cuidar de 11 pacientes. Além da sobrecarga, a direção da unidade estaria recomendando que fosse reduzido o uso de antibióticos.

Outra reclamação dos funcionários diz respeito à falta de ventilação nas enfermarias. “Com a calor em excesso, as crianças nunca ficam boa. O calor é insuportável”, acrescentou.

Outro lado

O Instituto Brasileiro de Gestão Hospitalar-IBGH esclareceu, por meio de nota, que o desligamento da médica Elaine do cargo de diretora técnica se deu por decisão da Superintendência de Gestão e Planejamento do IBGH em razão da reestruturação técnica pela qual todas as unidades geridas pelo instituto estão passando.

“Essas reestruturações ocorrem periodicamente com a finalidade de ofertar melhor serviços aos usuários do SUS e estão dentro da autonomia de gestão do IBGH prevista em contrato“, afirmou a nota.

Em relação aos outros assuntos denunciados, a nota afirma que o IBGH desconhece sua origem, especialmente porque não existe mini-UTI na terminologia técnica adotada pelo Ministério da Saúde.

O IBGH ressaltou ainda, que, na posição de diretora, a colaboradora tinha competência e autonomia para apresentar as dificuldades dos demais profissionais e solicitar mudanças, no entanto, a diretoria do hospital e do instituto nunca recebeu qualquer tipo de solicitação da ex-diretora ou qualquer informação a respeito do que foi alegado.

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