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Eduardo Siqueira – o ‘príncipe’ esquecido que não é cogitado para Senado ou Governo

Agnaldo Araujo - - 548 views
Foto: Divulgação
Deputado Eduardo Siqueira

Alberto Rocha // Opinião

O atual momento é de costuras políticas para saber quem vai para o Palácio Araguaia ou ao Senado, mas um personagem importante da política tocantinense parece não fazer parte das discussões, que quase sempre acontecem nos porões do poder ou em salões de casas luxuosas da capital. Falo de Eduardo Siqueira Campos, o príncipe esquecido que, em vez de caminhar sozinho, sempre se pergunta: com que pernas devo seguir?.

As circunstâncias atuais indicam que quando estava no poder, Eduardo não atentou para a máxima de Maquiavel, que diz: “o primeiro método para estimar a inteligência de um líder é olhar para os homens que tem à sua volta”. Eduardo não olhou; e se olhou fingiu não ver. E deu no que deu. Quando estava no poder, tinha um batalhão de gente à sua volta; agora, quase sozinho, só a sua própria sombra o acompanha.

É certo que, hoje, Eduardo não come dos frutos que sempre teve ao alcance de suas mãos. Ele dá sinais de caminhar sozinho por um deserto cheio de feras e víboras, que quase sempre o acompanhavam vestidos de ovelhas, quando as circunstâncias lhes eram vantajosas. Assim, a política, cheia de covardes, tem sido impiedosa com o ex-senador. Mas há um consolo: os covardes fazem o que sabem fazer de melhor, que é abandonar companheiro ferido no meio da luta.

Hoje, Eduardo parece carregar um punhal fincado nas costas. Muitos daqueles que comiam com ele na mesa farta, hoje lhe convidam apenas para um discreto piquenique à beira do precipício; alguns dos poucos que ainda se aproximam dele, levam no rosto o sorriso falso da alegria; ninguém sente sua dor. Isso é uma demonstração de que os maiores favores que fazemos a alguém são pagos com a ingratidão.

Sei não, mas, aos poucos, a promessa parece se diluir no tempo, talvez porque a política seja mesmo uma dura realidade nua e crua. Nua de pudores, crua de sentimentos e recheada de ingratidão e traição.

Mas Eduardo não deve mostrar-se surpreso com atitudes de muitos daqueles que sempre estiveram à sua volta. É só lembrar o que aconteceu dois mil anos atrás com o  imperador romano Júlio César, quando foi vítima de traição por parte dos senadores. O soberano foi morto a pauladas. Na hora da morte, Júlio César reconheceu o filho adotivo entre os seus traidores e disse. “Até tu, Brutus, filho meu?”.

Não sou conselheiro nem amigo de Eduardo Siqueira; poucas vezes o vi. Apenas acho que ele precisa se acostumar aos acontecimentos e aprender a lição de que a traição é o charme da política. E nessas horas, o mais recomendável é levantar a cabeça e seguir a viagem. Pois, como disse Charles Chaplin: “a persistência é o caminho do êxito”. É bom que Eduardo se lembre também do que falou Voltaire: “A política tem a sua fonte na perversidade e não na grandeza do espírito humano”.

Concluo dizendo que a ingratidão, faca que fere sem piedade, sempre começa no final das benfeitorias. E mais: nunca devemos pagar com ingratidão nem com traição àqueles que nos fortaleceram.

Alberto Rocha é jornalista

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