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Eleição 2018: Ele ou ela? Marcelo e Kátia já estão de malas prontas para o enfrentamento

Redação AF - |
Foto: Divulgação
Ele ou ela, em 2018?

Alberto Rocha //Opinião

Em Palmas, nos corredores do poder, há um sentimento que ecoa quase unânime. Onde há uma rodinha de políticos, de assessores, ou de puxa-sacos, a conversa geralmente gira em torno disso: ele ou ela. Não se fala em outra coisa. Ele ou ela já virou refrão na boca da militância canina.

Na capital, dei um pulo na cabana de representação popular. Nos corredores, vi dois ilustres homens vestidos elegantementes com ternos parecidos Armani. Eles também falavam sobre o assunto. Um, inclinando a cabeça para o companheiro, disse: “Ele vai continuar onde está por mais quatro anos”. Já o outro homem não deixou por menos e disparou: “em 2018, ela vai tirar ele de lá”. Fiquei só observando a conversa de duas cabeças sem miolo, paladinos do povo, que logo sumiram por entre os corredores de mármore, rumo a uma Ágora quase vazia.

Curioso, procurei saber quem era ele e quem era ela, não que eu estivesse dissociado da realidade política tocantinense, mas por prudência. As respostas estavam na ponta da língua: Ele é ele e ela é ela. Entendi tudo. Poucas palavras bastaram. No dia seguinte, voltei para casa com forte e nítida impressão de que já há uma disputa invisível para saber quem vai ocupar o tão cobiçado casarão do meio, onde fica a caneta das decisões.

Durante a viagem para casa, procurei entreter-me com outros assuntos. Recorri à leveza da poesia de Drummond de Andrade, ao humor de Suassuna,  à filosofia de Nietzsche, ao romancismo de Dostoiésvki e à existência de Homero. De nada adiantou. Meus pensamentos voltaram e mais fortes. Foi aí que cheguei às seguintes conclusões:

Primeiro: é certo que ele e ela já estão de malas prontas para o enfrentamento. Resta saber quem vai sobreviver ao juízo final. Por enquanto, há muita bravata sem nexo com a realidade. 2018 ainda está longe, mas já chegou em Palmas. Por isso, ele e ela estão andando às pressas. Talvez se lembraram do ditado que diz: “Quem espera sentado arruma calo na bunda”.

Segundo: Ele quer continuar no paraíso, e ela quer entrar lá. Mas, antes do paraíso, ele e ela precisam passar pelo inferno das alianças, das conspirações e traições de quem menos se espera. Há fortes interesses nessa mesa de sinuca. E onde há interesses em jogo, ninguém hesita em romper acordos.

Terceiro: fala-se em união. Eu, pelo menos, não acredito que haja qualquer possibilidade de mudança nessa fiação que liga ele a ela. No meio dos dois há uma matemática de traição não resolvida e que não fecha. Por isso, certamente haverá curto circuito que vai despertar ainda mais esse vulcão em fúria, que sempre esteve ativo no Tocantins.

Quarto: Sem recursos, será se a disputa entre ele e ela acontecerá no osso de peito de galinha? Ele, sem dinheiro para nada, vai logo avisando: quem quiser me acompanhar, que venha só pelo café. Já ela, pode se valer do ditado, que diz: quem não promete não dá esperança.

Alberto Rocha é jornalista. 

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