Empreiteiro Rossini revelou pagamento de propina a Dulce e Gaguim em delação

Redação AF - |
Foto: Fábio Mota
Empresário Rossini citou propina aos políticos do Tocantins

Os deputados federais Carlos Gaguim e Dulce Miranda (PMDB) são alvos da 6ª fase da Operação Ápia da Polícia Federal que investiga fraudes em licitações, corrupção e superfaturamento de obras públicas no Tocantins. Nesta quarta-feira (13), agentes estão cumprindo mandados de busca e apreensão nos gabinetes e residências dos deputados federais.

Esta fase da Operação mira os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e decorre da colaboração premiada do empresário Rossine Ayres Guimarães, da Construtora Rio Tocantins (CRT), que revelou pagamentos de propina aos parlamentares.

O empresário Dito do Posto, proprietário de uma rede de postos de combustíveis, também é um dos alvos da operação. Ele é muito próximo ao deputado Carlos Gaguim.

A PF cumpre ainda mandados de intimação contra o ex-deputado estadual Igue do Vale, que coordenou a campanha de governador de Carlos Gaguim em 2010; e o ex-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Tocantins (Faet) Júnior Marzola (DEM), que também atuou na coordenação da campanha de Gaguim.

Segundo a PF, os deputados estariam envolvido em uma suposta organização criminosa que praticava direcionamento de contratos públicos para empresas que realizavam pagamento de propina, mas não executavam os serviços encomendados.

O dinheiro saiu de obras de terraplanagem e pavimentação de rodovias estaduais financiadas pelo BNDES, com intermediação do Banco do Brasil e garantia da União, num total de 1,2 bilhão.

Em outubro, o AF revelou que o empreiteiro fechou acordo de delação premiada e entregou políticos com foro privilegiado. O possível conteúdo da delação deixou o meio político em chamas no Tocantins.

A empresa de Rossini recebeu mais de R$ 135 milhões em contratos suspeitos. O empresário teve a prisão preventiva decretada na primeira fase da operação, mas depois passou a cumprir prisão domiciliar.

A Operação Ápia foi deflagrada em outubro de 2016 pela Superintendência Regional da Polícia Federal em Tocantins contra um esquema que atuou no Estado de Tocantins corrompendo servidores públicos, agentes políticos, fraudando licitações públicas e execução de contratos administrativos celebrados para a terraplanagem e pavimentação asfáltica em várias rodovias estaduais em valores que superaram a cifra de R$ 850 milhões.

As obras foram custeadas por recursos públicos adquiridos pelo Estado de Tocantins, por meio de empréstimos bancários internacionais e com recursos do BNDES, tendo o Banco do Brasil como agente intermediário dos financiamentos no valor total de R$ 1,2 bilhão.

Os recursos adquiridos tiveram a União Federal como garantidora (fiadora) da dívida contraída com Banco do Brasil e foram batizados pelo Governo Estadual como Programa Proinveste e Proestado.

A investigação apontou para um esquema de direcionamento das contratações públicas mediante pagamento de propina de empresários que se beneficiavam com recebimentos por serviços não executados. O núcleo político do esquema era responsável por garantir as contratações e o recebimento de verbas públicas indevidas por parte dos empresários corruptores.

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