Especialista comenta mortes durante TAF da PM e alerta sobre falta de preparo físico

Agnaldo Araujo - |
Foto: Divulgação
´Candidatos que morreram no TAF

Nos últimos dias, dois candidatos do concurso da Polícia Militar do Maranhão morreram em decorrência da realização do Teste de Aptidão Física (TAF) e outro teve uma crise de vômito, foi atendido por equipes médicas e ainda voltou para pista para concluir a etapa do certame.

Um dos casos foi o da jovem Daniele Nunes Silva, de 24 anos, que teve Acidente Vascular Cerebral (AVC) durante o teste. O outro vitimou o cirurgião dentista Marcone Ferreira Cordeiro, de 29 anos, que ainda foi socorrido e medicado, mas não resistiu.

Os tristes acontecimentos abrem debate para uma questão séria, literalmente de vida ou morte: a preparação física e mental que antecede a realização deste tipo de teste.

De acordo com Mário Cardoso, preparador físico e treinador de Boxe e MMA, que atua há 20 anos na área, o TAF não varia tanto nos concursos da área de segurança. No caso do certame da PM-MA, o edital com todas as informações do teste foi lançado no final de setembro de 2017 – cerca de quatro meses antes da realização da etapa. Esse intervalo de tempo é mais que ideal para a preparação física, de acordo com os especialistas.

Entre as atividades, são enumeradas a flexão de braços no solo, meio sugado e abdominal remador (um minuto de duração cada) e corrida aeróbica  (12 minutos). As repetições dos três primeiros variam para os sexos masculino e feminino, bem como a distância percorrida no último exercício. “Falando ao olhar de profissional de educação física, esse TAF é razoável. Não é elevado e nem muito leve. É pesado para quem não faz nada”, explicou o preparador.

O preparador físico afirmou também que a banca se baseia numa pessoa não sedentária, para que a pessoa que está realizando a prova seja apta a realizar o trabalho de rua ostensivo da Polícia Militar. “Um cara que não consegue correr 1.800 metros não consegue correr atrás do bandido que pesa 55 kg”, comentou Mário.

A dica que o profissional deixa aos candidatos é cronometrar o tempo, usar uma agenda para conciliar estudos teóricos e preparação física e atentar também à alimentação. “Quando você quer ser concurseiro na área da Segurança Pública, você precisa ser multiuso”, explicou. Para aqueles que deixam para treinar ou intensificar as atividades com uma ou duas semanas de antecedência, Mário alerta: “Não adianta. É o mesmo que nada”, frisou.

O preparador físico explicou que os exercícios muito puxados desempenhados por pessoas que não costumam praticar atividades regularmente podem levar à morte, e faz uma comparação com o sistema de marchas de veículos. “Se eu pego meu carro na primeira marcha e vou acelerar para que ele chegue a 100 km/h, eu vou arrebentar com o motor. Eu preciso graduar a marcha mediante o esforço que ela pede”, exemplificou.

Para evitar o pior, além da preparação física, vale atentar que dor de estômago, diarreia e sonolência são sinais que podem indicar início de infarto.

PREPARO PSICOLÓGICO 

Ainda segundo Mário Cardoso, além da falta de preparação física, o maior erro do candidato é não trabalhar a parte psicológica antes do teste. A pressão de estar sendo testado e possuir o futuro nas mãos, numa prova que não passa dos 15 minutos, pode levar a adrenalina às alturas e atrapalhar na hora de desempenhar as atividades.

“Uma coisa que eu acredito que nenhum candidato fez foi procurar um psicólogo. Essa parte emocional é uma coisa muito importante, porque o teu emocional vai estar a mil na hora do teste”, comentou o preparador.

EXAMES

Para realizar o TAF, o candidato deve apresentar à banca uma série de exames completos e específicos. A não apresentação resulta em eliminação automática. A saída, para alguns, é tentar burlar o sistema. “Por tentar burlar isso, [o candidato] acaba sacrificando a própria vida. Vai no médico, amigo, e pede uma autorização. O médico só assina, acontece muito isso“, revelou o preparador físico.

O indicado, de acordo com o profissional, é exigir todos os exames para saber a resposta da seguinte pergunta: ‘Eu realmente estou pronto para ser testado até esse nível?’. Além disso, manter hábitos saudáveis é fundamental, e os exames prévios podem identificar quaisquer problemas. “Hoje estamos comendo muito mais ‘porcaria’, coisas que saciam nosso prazer, mas não a nossa saúde”, concluiu.

(Com informações do jornal O Imparcial)

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