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Estudante indígena conclui doutorado pela UFT de Araguaína após longa trajetória

Agnaldo Araujo - | - 701 views
Foto: Acervo pessoal
A estudante saiu do sul do Estado para a região norte

Um dos grandes anseios que eu tenho é que eu seja exemplo para outras pessoas. Para que elas vejam que é possível: alguém que saiu de uma aldeia, que estudou em escola pública e que tem diferenças culturais”, assim descreve Nahuria Rosa Karajá Javaé, prestes a se tornar a primeira estudante indígena a ter cursado graduação, mestrado e doutorado pela Universidade Federal do Tocantins.

A defesa da tese de doutorado da indígena ocorreu na tarde desta terça-feira (08), no auditório do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal Tropical (PPGCat), em Araguaína.

Nahuria estudou o ensino fundamental na aldeia com seu povo Karajá. Já para cursar o ensino médio ela precisou se mudar para a cidade de Formoso do Araguaia, e por ser muito jovem, seus pais a acompanharam na mudança para que ela completasse os estudos. Assim como sua família a acompanhou para a conclusão de ensino médio, a escolha pela faculdade que ela deveria fazer também foi uma decisão de interesse coletivo pelos familiares de sua aldeia.

“Todo mundo sentou e decidiu qual curso seria o ideal para a nossa realidade. A conclusão foi por Medicina Veterinária, que é muito bom pela região que a gente mora. Depois que eu entrei é que me apaixonei porque veterinária é um curso muito bonito”, afirmou.

Aprovada na UFT para o curso que ela e sua família queriam, a estudante mudou-se da região sul do Tocantins para o município de Araguaína, ao norte. A trajetória que começou na graduação teve sequência no mestrado e agora vive a conclusão de mais um capítulo, que é o doutorado.

Nahuria teve suporte do Programa Institucional de Monitoria Indígena (Pimi), colaborações de colegas e professores da UFT, assim como também colaborou com outros colegas como monitora de disciplina. “Eu sou fruto da UFT. Fiz a graduação e a pós-graduação aqui. Sou muito grata aos professores e espero colocar em prática o que aprendi”, pontuou.

Aos 28 anos, Nahuria já pensa em como se dará sua contrapartida. “Eu acredito que com o tempo as coisas vão dar certo. Eu quero dar um sentido verdadeiro a tudo isso. Ainda que seja pouco, eu quero fazer a diferença. E nós vamos trabalhar na nossa terra”, finalizou.

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