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Federação diz que deputados poderiam cortar seus benefícios antes de penalizar os mais pobres

Redação AF - |
Foto: Montagem Portal CT

A Federação dos Sindicatos de Servidores Públicos do Tocantins (Fesserto) lamentou a posição dos sete deputados federais do Tocantins que, nesta segunda-feira (10/10), votaram favoráveis à aprovação da PEC 241, que congela os gastos públicos da União por 20 anos.

Para a Fesserto, a proposta sequer teve o debate mínimo e necessário com a sociedade e foi aprovada a “toque de caixa”. Além disso, segundo a Federação, o governo federal e os deputados optaram por penalizar rapidamente e desproporcionalmente a parte mais pobre da sociedade, em vez de promoverem os cortes necessários para um ajuste fiscal que penalize da menor forma possível a população mais carente e os servidores concursados federais.

Conforme a Federação, antes de congelar o orçamento, os deputados federais poderiam, por exemplo, cortar pela metade os R$ 92 mil mensais que cada um dos 513 congressistas da Câmara possui para pagar salários de comissionados. “Apenas com isso, os nobres deputados economizariam mais de R$ 300 milhões por ano, o que corresponde ao Orçamento Municipal de Araguaína”, lembrou o presidente da Fesserto, Carlos Augusto Melo de Oliveira (Carlão).

Outra medida sugerida pela Fesserto era impor limite em grandes empréstimos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que faz vultuosos financiamentos a juros subsidiados. “Como se não bastasse tudo isso, o governo federal e o Congresso poderiam frear o pagamento de juros da dívida, renegociando os débitos, haja vista, que os banqueiros auferem lucros abusivos, basta ver os balanços dos bancos a cada semestre”, ressaltou.

“Quem comemora hoje são os grandes empresários e o mercado financeiro. A população sequer teve tempo de entender o que foi votado e perversamente aprovado na Câmara”, frisou Carlão.

Tocantins

Dos oito deputados federais do Tocantins, votaram a favor da proposta Josi Nunes (PMDB), Dulce Miranda (PMDB), Lázaro Botelho (PP), Irajá Abreu (PSD), César Halum (PRB), Carlos Gaguim (PTN) e Vicentinho Júnior (PR). Apenas Professora Dorinha (DEM) votou contra a proposta. “Fica aqui o nosso reconhecimento à deputada Dorinha, por ter enxergado que a educação, maior prioridade deste país, ou pelos menos deveria ser, será profundamente prejudicada”, salientou o presidente da Fesserto.

A preocupação da Fesserto aumenta ao ver o impacto político e a repercussão que a PEC pode trazer nos Estados. “Congelar os gastos públicos por 20 anos é uma forma de apontar o servidor federal como culpado da situação. Infelizmente, sabemos que nos estados, inclusive no Tocantins, essa forma de pensar o Brasil, vem se alastrando”, frisou o líder sindical.

Carlão frisou que o ajuste e adequação de despesa, em qualquer esfera, não pode ser 100% sobre os mais fracos e sobre os servidores. “Os governos e os políticos têm que aprender a cortar cargos de confiança, diminuir gabinetes, reduzir custo da máquina, acabar com gastos desnecessários, reduzir ou acabar com auxílios moradias, cotas de ressarcimento de atividades parlamentares, pagamentos de 14º e 15º salários a gentes públicos, etc. Só depois de se fazer tudo isso é que se pode compartilhar o corte com os demais e, sobretudo, combater com esse mesmo rigor, a corrupção, maior traça da riqueza do nosso Brasil e não o servidor e a sociedade. Dessa forma, jogam toda a conta para cima dos servidores e dos mais necessitados”, concluiu.

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