Governo promete convocar novos PMs em 2018, mas concurso da Civil se arrasta há 4 anos

Agnaldo Araujo - |
Foto: SSP
O concurso foi realizado ainda em 2014

O Governo do Estado lançou o concurso da Polícia Militar com a oferta de 1.000 para soldados e 40 para oficiais e com previsão de convocação ainda para este ano com o objetivo de melhorar o quadro da segurança pública. Mas os aprovados no certame da Polícia Civil em 2014 questionam o déficit da corporação e a não finalização do concurso.

O certame foi realizado com dispensa de licitação por causa da urgência dos profissionais, mas até hoje o Estado ainda não nomeou todos os aprovados.

Segundo o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Tocantins (Sinpol), Ubiratan Rebello, a Polícia Civil tem atualmente uma defasagem em torno de 40% do quantitativo geral nos 139 municípios. Por causa disso, ele afirma que os policias têm que se desdobrar para desenvolverem as atividades cotidianas da polícia e desempenhar um bom papel junto à população.

Ubiratan também destacou a demora do Estado em convocar os 156 candidatos aprovados no concurso que já concluíram todas as fases do processo seletivo e estão aptos a trabalharem em prol da sociedade. “Existem muitas cidades no Estado que não contam com nenhum policial civil. É muito claro que à medida que aumenta-se o quantitativo de policiais aumenta também a quantidade de casos investigados e crimes solucionados. Essa é a conta que o Governo deve fazer”, ressaltou.

A Comissão dos Candidatos Aprovados no Concurso da Polícia Civil questiona o investimento no certame dos Militares enquanto a Civil tem um certame em andamento sem finalização há quatro anos.

Para o aprovado no concurso para o cargo de perito, Sérgio Fernandes Ferreira, não adianta investir somente na polícia ostensiva, sendo que a investigava, instância capaz de desvendar os crimes e em muitos casos até evitar a formação de novas organizações criminosas, está com seu quadro de profissionais defasado.

O governador está promovendo um dos maiores concursos já realizado no Estado, onde foi investida boa parte do orçamento da Segurança para a realização das provas. Porém, o chefe do Executivo se esqueceu que precisa dar atenção para quem está investigando. Não adianta criar um concurso com inúmeras vagas para a PM, se ao mesmo tempo, ele não direciona o olhar para a Civil. Não adianta somente prender. É preciso realizar o trabalho completo para proporcionar segurança nas ruas”, afirmou.

Sérgio argumentou ainda que o déficit atual de policiais civis no Estado representa inúmeros cargos vagos de policiais que se aposentarem, vagas que poderiam ser ocupados pelos candidatos aprovados. “Tais números refletem diretamente na cifra de crimes não investigados e no crescimento do crime organizado. Hoje, faltam peritos, delegados, escrivães e agentes nas delegacias, o que causa sobrecarga no contingente”, lamentou.

O aprovado para o cargo de perito, Jaeferson Batista Lima, destacou que não tem como a polícia conseguir dar agilidade e precisão a todas as ocorrências devido à sobrecarga de trabalho, principalmente nos departamentos localizados no interior do Tocantins.

“A falta de efetivo afeta quase todos os municípios, sem contar que alguns nem têm profissionais. Eu me questiono todos os dias: será que o Governo não percebe que a segurança pública é prioridade? Não adianta ele realizar um concurso com quase 400 vagas diretas e não chamar todo mundo”, enfatiza.

Concurso

O concurso da Polícia Civil completou quatro anos no mês de fevereiro. Chegou a ficar paralisado, mas foi retomado em 2016. De lá para cá, houve a convocação para a academia de polícia, no entanto, as nomeações vem sendo realizadas pelo Governo em pequenas quantidades.

Na primeira chamada, em maio de 2017, o Governo convocou 53 candidatos para o provimento dos cargos de delegado, 13 médicos legistas, 35 peritos, 63 escrivães, 44 agentes e 26 necrotomistas.

Já no segundo semestre, o Estado nomeou cinco peritos, 31 delegados e 50 escrivães. No entanto, conforme o edital, o Executivo ainda deve convocar os 175 aprovados remanescentes.

No momento ainda faltam ser convocados 37 peritos, 40 delegados e 78 escrivães. Todos os aprovados já fizeram o curso da formação na Academia de Polícia e estão preparados para serem empossados.

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