Homem fingia ser deputado para solicitar dinheiro a ministros de Michel Temer

Agnaldo Araujo - |
Foto: Reprodução/ TV Mirante
Leonel Silva Pires Júnior

A Polícia Federal, juntamente com a Polícia Civil do Maranhão e do Paraná, prendeu quatro suspeitos de integrar uma quadrilha que aplicava golpes pelo aplicativo WhatsApp, na manhã dessa terça-feira (17), em São Luís, no Maranhão.

A ação é desdobramento de um pedido de investigação que partiu de ministros do governo de Michel Temer depois que eles tiveram telefones celulares clonados.

Em março deste ano, os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Carlos Marun (Secretaria de Governo) e o ex-ministro Osmar Terra (Desenvolvimento Social), todos do MDB, tiveram os telefones fraudados e pediram investigação policial sobre o caso.

Segundo os relatos dos ministros, mensagens foram enviadas aos contatos deles por meio do aplicativo WhatsApp com pedidos de depósitos bancários. No total, cerca de 20 deputados estaduais e federais, ministros do Governo Federal e até a governadora do Paraná, Maria Aparecida Borghetti, foi alvo da quadrilha.

Foto: Douglas Pinto/TV Mirante
Buscas e apreensões foram feitas em São Luís

Conforme o delegado do Departamento de Combate a Crimes Tecnológicos da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic), Odilardo Muniz, dentre os presos está Leonel Silva Pires Júnior, que seria o chefe da organização.

O delegado afirmou que Leonel usou o nome do deputado Adriano Sarney para realizar a fraude. “Ele se passava pelo deputado e isso facilitava para que ele pedisse dinheiro“, disse.

Ainda de acordo com o delegado, Leonel também usava a sua empresa para realizar os golpes. “Leonel utilizou a sua empresa para conseguir chips para justamente trocar esses chips. Ele cancelava o chip real e resgatava no chip normal. Dos 120 chips que ele tinha, que a sua empresa faturou, 79 foram utilizados para golpes só na operadora Vivo”, pontuou.

Leonel já havia sido indiciado em 2016 por ser o líder de uma quadrilha que aplicava golpes por meio do WhatsApp. “Em 2016, ele foi indiciado pela Seic por participar de uma quadrilha do WhatsApp, onde ele era o cabeça e não foi preso porque ele se evadiu do local. Ele conseguiu o habeas corpus e respondeu em liberdade. Leonel já tem um processo de 2016 com o mesmo delito e agora duas prisões, tanto na Federal como na Estadual”, revelou o delegado.

Muniz acrescentou que Leonel Silva Pires Júnior será interrogado e encaminhado ainda nesta terça para o Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís.

Operação Swindle

Na operação dessa terça, batizada de Swindle, que significa “fraude” em inglês, policiais cumpriram cinco mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão preventiva no Maranhão e em Mato Grosso do Sul. Os mandados foram expedidos pela Justiça Federal em Brasília.

De acordo com investigadores, com os números clonados, os criminosos usavam contas de WhatsApp de autoridades públicas e solicitavam transferências bancárias das pessoas da lista de contatos do telefone alvo de fraude.

A polícia investiga os crimes de invasão de dispositivo informático, estelionato e associação criminosa.

(G1/Maranhão)

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