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Indenização proposta a moradora do Setor Alto Bonito não paga nem a conta de luz

Agnaldo Araujo - |
Foto: Diuvlgação
Moradora Wádia Carasso

Márcia Costa//AF Notícias

Um imóvel que atualmente vale cerca de R$ 160 mil poderá ser indenizado por apenas 160 reais. Essa é a situação da moradora do Setor Alto Bonito, Wádia Carasso. Ela e outras 600 pessoas temem que uma ordem judicial de reintegração de posse seja efetivamente cumprida e os moradores despejados do local.

Com o objetivo de evitar essa medida drástica em face das famílias que moram no setor há mais de 20 anos, a Câmara Municipal de Araguaína realizou uma audiência pública, nessa segunda-feira (16), mas nada de concreto ficou definido.

A batalha judicial entre os moradores do setor Alto Bonito e a imobiliária proprietária da área começou em 2002,  quando o local era conhecido como Chácara Buriti. A decisão judicial da reintegração de posse saiu somente em 2015. Durante o decurso do tempo, o setor recebeu melhorias do poder público e valorizou os imóveis, entretanto, as indenizações baseiam-se no preço referente ao ano de 2002, quando não havia nenhuma benfeitoria.

Conforme Wádia Carasso, a indenização prevista não paga nem a conta de energia de sua residência. “Se minha casa vale realmente R$ 160, então eu quero dar esse valor para o proprietário, eu quero é comprar minha casa. Tentamos falar com o representante da imobiliária para entrarmos em acordo e relatarmos nossa situação, mas ele disse que o único acordo que vai fazer será com o poder público e não com nós moradores. Ele deixou claro, minha briga é com o poder público, mas não entendemos que briga é essa”, disse.

De acordo com o Superintendente de Habitação de Araguaína, Danilo Leite, “devido à infraestrutura que o município levou ao Setor Alto Bonito, não é justo que a população sofra uma reintegração de posse de um processo que já dura quase 20 anos”.

Outro ponto bastante discutido na audiência diz respeito aos investimentos do poder público executados no bairro. Para o Superintendente de Habitação, essa situação pode ser uma ‘carta na manga’ em favor dos moradores.

“Serão revistas essas obras públicas. Pela audiência, vimos que os moradores não pagam IPTU, mas pagam coleta de lixo e iluminação pública. A questão da infraestrutura investida é uma carta na manga que vamos apresentar juridicamente”, finalizou.

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