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Indignada, CNBB afirma que saúde no Tocantins “virou caso de polícia” e faz apelo para doação de alimentos

Agnaldo Araujo - |
Foto: Divulgação
Saúde vive caos no Tocantins

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), representada pela Regional Norte III, afirmou que presencia com pesar e indignação a situação da saúde pública do Tocantins que, conforme a entidade, está “doente e com fome”.

A nota, divulgada no último dia 26 de agosto, foi assinada pelo Bispo de Miracema, Dom Philip Eduard Roger; Arcebispo de Palmas,  Dom Pedro Brito Guimarães; Bispo de Porto Nacional, Dom Romualdo Matias; Bispo de Tocantinópolis, Dom Giovane Pereira de Melo, e Padre Manuca Neres Brito, Administrador da Prelazia de Cristalândia.

A CNBB afirma, em nota, que a falta de vagas nos hospitais públicos do Estado, falta de leitos, insumos, medicamentos e médicos são fatos corriqueiros nos noticiários, no entanto, a falta de alimentação para pacientes e acompanhantes é o que mais chama atenção da entidade. “Essa situação virou caso de polícia. O fato é que o povo está sofrendo. A saúde, a doença e a fome não podem esperar. O que fazer? A quem responsabilizar? A quem recorrer? Como nos posicionarmos?”, questionaram os Bispos.

Os bispos ainda demonstraram perplexidade com notícias de aumento salarial e de outras vantagens para alguns servidores públicos, diante da situação crítica em que se encontra o Estado, o que evidencia “cabalmente” que a saúde não é prioridade. A CNBB também vê com “preocupação o Estado basicamente parado”, devido à greve geral dos servidores públicos.

Os bispos finalizam a nota fazendo um apelo às paróquias para que sensibilizem os fieis para uma coleta de alimentos não perecíveis, materiais de higiene e outros insumos, para serem doados aos hospitais públicos do Tocantins.

Confira toda a nota

Nota dos Bispos do Regional Norte III, da CNNB, Estado do Tocantins

A SAÚDE DO TOCANTINS ESTÁ DOENTE E COM FOME

“Nós, Bispos do Regional Norte III, da CNBB, Estado do Tocantins, assistimos, pelos meios de comunicação, e presenciamos, com os olhos de pastores, com pesar, quase impotente e com indignação, a situação pela qual passa a saúde pública no Estado do Tocantins. Embora admitamos não ser exclusividade do nosso Estado, a falta de vagas, de leitos, de materiais, de insumos, de médicos, de medicamentos são recorrentes e corriqueiras nos noticiários e nas redes sociais. No entanto, o que mais nos chama a atenção é a falta de alimentação para os pacientes e acompanhantes.

O fato é que nosso povo está sofrendo. A saúde é um dos direitos básicos do cidadão, assegurado pela Constituição Federal do Brasil. O Sistema Único de Saúde – SUS, a quem defendemos, embora revele seus limites, não suporta e não permite improvisação. Esta situação virou caso de polícia e gerou comentários e críticas nas grandes redes de comunicação do Brasil. A saúde, a doença e a fome não podem esperar. O que fazer? A quem responsabilizar? A quem recorrer? Como nos posicionarmos?

É difícil não admitir que as crises política, social e econômica pela qual passa o Brasil, ligadas às questões locais de má gestão dos recursos públicos, à falta de transparência, às denúncias de corrupção, à excessiva burocracia e aos problemas decorrentes de licitação e contrato com empresa prestadora de serviço à Secretaria de Saúde, contribuem, para o agravamento da situação do atendimento aos usuários do sistema de saúde no nosso Estado. A Auditoria que foi submetida à Secretaria de Saúde, embora não conheçamos o resultado, é um indicativo plausível de como os recursos destinados à saúde podem ter sido desviados para outras finalidades.

Enquanto ouvimos com perplexidade, a notícia do aumento de salário e de outras vantagens para alguns servidores públicos, ver a situação em que se encontra a saúde neste Estado, demonstra cabalmente que ela não é prioridade. Vemos também com preocupação o Estado basicamente parado, devido à greve geral dos servidores públicos.

Estamos em pleno Ano da Misericórdia. E o objeto desta Nota incide sobre duas obras de misericórdias corporais: “dar de comer a quem tem fome” e “visitar a quem está doente”. Por isto, como gesto concreto da nossa solidariedade, fazemos um apelo às paróquias para que possam sensibilizar os paroquianos para uma coleta de alimentos não perecíveis, materiais de higiene e outros insumos, para doarmos aos Hospitais.

Como dissemos na Campanha da Fraternidade de 2012: “que a saúde se difunda sobre a terra” (Eclo 38,8).

Que Nossa Senhora da Saúde e dos Remédios nos inspire, com palavras e ações, para tratar com dignidade as pessoas que procuram as Unidades de Saúde do Estado do Tocantins“.

Palmas, 26 de agosto de 2016

Dom Philip Eduard Roger Dickmans,

Bispo de Miracema e Presidente do Regional Norte III

Dom Pedro Brito Guimarães,

Arcebispo de Palmas

Dom Romualdo Matias Kujawski,

Bispo de Porto Nacional

Dom Giovane Pereira de Melo,

Bispo de Tocantinópolis

Padre Manuca Neres Brito,

Administrador da Prelazia de Cristalândia

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