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JBS abasteceu campanha de Lázaro Botelho com R$ 600 mil; delator diz que era ‘propina’ ao partido

Redação AF - |
Foto: Divulgação
Deputado Federal Lázaro Botelho (PP-TO).

A recente confissão dos donos da JBS de que operam no mundo do crime pagando propina a políticos e servidores do alto escalão há pelo menos dez anos coloca em suspeição todas as doações feitas pelo grupo.

No Tocantins, em 2014, a campanha do deputado federal Lázaro Botelho (PP) recebeu o total de R$ 600 mil da empresa, quando concorreu e ganhou a reeleição.

É a maior doação da JBS a um político tocantinense. Somente em 2014, a empresa doou mais de R$ 366 milhões para cerca de 1.890 políticos brasileiros.

Os repasses ao deputado tocantinense foram feitos de maneira oficial e declarados ao TSE entre os meses de julho e outubro de 2014.

O dinheiro veio como doação da Direção Nacional do Partido Progressista, mas é fruto da generosidade da JBS, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral.

O dinheiro chegou fracionado em quatro transações: a primeira no dia 30 de julho (R$ 200 mil); outro em 05 de setembro (R$ 100 mil); o terceiro em 17 de setembro (R$ 100 mil) e o último em 02 de outubro (R$ 200 mil), dois dias antes das eleições.

O valor doado pela JBS total corresponde a 60% do montante de recursos arrecadados e gastos na campanha de Lázaro Botelho, já que naquele ano o deputado declarou receitas no valor de R$ 1.068.389,14.

Inquérito no Supremo

O parlamentar é alvo de inquérito no STF (nº 3989/2015) aberto com a Operação Lava Jato da Policia Federal, que investiga esquema de corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro com recursos desviados da Petrobras.

Compra de apoio: propina

Em delação à Procuradoria Geral da República, o empresário Ricardo Saud, que trabalha na JBS, afirmou que as doações feitas ao Partido Progressista eram “propina” e “todos sabiam disso”. “Todos eles tinham certeza e consciência que isso era propina paga pela conta dos partidos. Não tenho nenhuma dúvida disso“, afirmou.

Conforme o delator, o montante repassado ao Partido Progressista gira em torno de R$ 42 milhões destinado à “compra de apoio e tempo de televisão”, sob a interlocução do senador Ciro Nogueira (PP-PI). “Tratamos do PP com o Ciro, que pediu praticamente todas as doações, ou então 95% desses 42 milhões, que foram feitos de forma dissimulada, propina na conta da Direção Nacional e lá distribuiu para as outras pessoas [candidatos]”, disse o delator.

O outro lado

O deputado afirmou que as doações recebidas e descritas na prestação de contas foram destinadas, conforme informado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pelo Diretório Nacional do partido.

Segundo Botelho, pela legislação eleitoral vigente em 2014, era permitida doações de empresas aos partidos e o PP, “com notória atuação na defesa do agronegócio nacional, recebeu doações de diversas empresas do setor”.

O deputado afirmou, contudo, que “não teve e não tem” contato com nenhum dirigente da JBS e que sua atuação no Congresso Nacional é pautada pelos “compromissos que assumiu com os eleitores tocantinenses: defesa dos municípios, defesa do produtor rural, defesa da justiça social e do desenvolvimento econômico do Brasil, especialmente do Tocantins”.

“Lázaro Botelho reforça o seu compromisso com a transparência de todos os atos públicos e se coloca à disposição do AF Notícias, de qualquer outro veículo de comunicação e de todos os cidadãos, para o esclarecimento de qualquer dúvida que possa surgir”, diz em nota.

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