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JBS suspende produção de carne bovina em Araguaína e outros 32 frigoríficos do Brasil

Redação AF - |
Foto: Divulgação
Grupo JBS sofre impactos da operação Carne fraca, da PF

O grupo JBS confirmou na tarde dessa quinta-feira (23) que a planta frigorífica de Araguaína é uma das 33 que terá produção de carne bovina suspensa por três dias. Segundo a nota, após a interrupção de três dias, já na próxima semana, a companhia terá uma redução de 35% da capacidade de produção. A informação foi divulgada pelo site Norte Agropecuário.

Segundo a JBS, o objetivo da paralisação é melhorar a produção até que tenha uma definição “referente aos embargos impostos pelos países importadores da carne brasileira”. Além disso, a empresa se comprometeu a manter o emprego dos seus funcionários em todo o país.

Inaugurada no final de fevereiro de 2015, a unidade de Araguaína, inicialmente, abriu cerca de 3 mil postos de trabalho (desses, 500 diretos, de colaboradores da empresa). A capacidade inicial era de abate de 700 animais por dia. O investimento no Tocantins para a implantação deste frigorífico foi de R$ 25 milhões.

OPERAÇÃO CARNE FRACA

A empresa é uma das envolvidas na Operação Carne Fraca, da Polícia Federal. As investigações apontam que grandes frigoríficos, como a JBS e os controlados pela empresa BRF Brasil usavam produtos químicos, alguns cancerígenos, para adulterar a carne ou esconder o cheiro de produto vencido. Fiscais do Ministério da Agricultura recebiam propina para afrouxar as fiscalizações e facilitar a obtenção de licenças. A Polícia Federal apontou que parte do dinheiro recebido pelos fiscais foi partilhado com partidos políticos, como PMDB e PP.

REDUÇÃO NOS ABATES

A interrupção quase total dos embarques de carnes do Brasil provocada pela Operação Carne Fraca já resultou em uma forte redução dos abates de bovinos no País e, diante do número cada vez maior de embargos, parece inevitável que também os abates de frango desacelerem já a partir de segunda-feira.

Maior indústria de carne bovina do Brasil, a JBS reduziu o ritmo dos abates em 25% a 30% em seus frigoríficos, disse uma fonte da empresa ao jornal Valor Econômico. Estamos equilibrando a oferta à demanda”, afirmou a fonte.

No mercado, estima-se que a JBS abata diariamente entre 25.000 e 30.000 cabeças de bovinos no País. Em 2016, a divisão de negócios JBS MERCOSUL, que engloba a operação de carne bovina da companhia no Brasil, Argentina e Uruguai, abateu 7.9 milhões de bovinos. O Brasil representa cerca de 80% da operação da JBS MERCOSUL.

“Eles estão abatendo só o que já tinham contratado”, disse o pecuarista Rodrigo Augustine, proprietário do Sítio Califórnia, em Alta Floresta, na região norte de Mato Grosso. Fornecedor de gado para o frigorífico da JBS no mesmo município, o produtor entregou seu último lote de boi gordo na semana passada. A partir de amanhã, os abates estão suspensos nos frigoríficos da JBS em Alta Floresta e Colíder, disse.

Procurada, a JBS informou que “está operando seu abate conforme o previsto nesta semana. A companhia esclarece, no entanto, que está avaliando o mercado e irá adotar as medidas necessárias para adequação do volume de produção à demanda de mercado”.

De acordo com outra fonte da indústria, a redução dos abates é generalizada, ainda que o percentual entre as empresas possa diferir. O Valor apurou que a Marfrig Global Foods, segunda maior companhia de carne bovina do país, manteve a escala de abates que já estava programada para esta semana, mas não decidiu o que fará depois disso. “Possivelmente, é outra estratégia na semana que vem”, disse uma fonte, acrescentando que o ritmo de abates está vinculado aos embargos. Para os exportadores de carne bovina, a prioridade é retirar as barreiras impostas por China e Hong Kong.

Também procurada, a Minerva Foods, segunda maior exportadora de carne bovina, não respondeu. Em nota, a Marfrig informou que “a atividade na operação do Brasil está praticamente normal”. A empresa também informou que atende os mercados temporariamente fechados a partir de suas unidades no Uruguai e na Argentina.

Entre os frigoríficos médios e pequenos, a situação também é de apreensão. A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) informou, em nota, que as indústrias estão em “compasso de espera”. De acordo com a entidade, o estoque de carne bovina dos frigoríficos dura, em média, três dias.

A brusca parada da indústria de carne bovina inevitavelmente tirará o brilho das exportações, disse Maurício Palma Nogueira, coordenador de pecuária da Agroconsult. Antes da eclosão da Carne Fraca, a consultoria estimava que o Brasil exportaria 15% mais neste ano, mas os número agora estão sob revisão. “Na melhor das hipóteses, perdemos 15 dias de exportação”, disse, ressaltando que o ajuste de abates dos frigoríficos também terá de levar em conta os cortes produzidos. Em geral, o Brasil exporta mais cortes do dianteiro bovino, disse.

Na indústria de carne de frango, ainda não houve queda dos abates, mas o presidente da Associação Catarinense de Avicultura (ACAV), José Antônio Ribas Júnior, dá como certo que haverá redução a partir da próxima segunda-feira. Segundo ele, as indústrias de carne de frango, geralmente, podem estocar a produção de uma semana de abate. “Na segunda semana, começa a ter problema. Na terceira, está muito enrolado”, disse ele. (Com informações do Valor Econômico)

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