Juiz membro do TRE-TO renuncia cargo após discussão com presidente durante julgamento de prefeito

Redação AF - |
Foto: Divulgação
Bate-boca no plenário do TRE-TO.

O juiz Agenor Alexandre da Silva, membro do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO), se desentendeu com o presidente da Corte, desembargador Marco Villas Boas, durante a sessão do pleno nessa terça-feira (3/7). Com a discussão, o juiz abandonou o julgamento e renunciou o cargo na Justiça Eleitoral.

O tribunal julgava a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra o prefeito de Lajeado, Tércio Neto. O juiz Agenor Alexandre, relator do caso, estava fazendo a leitura do seu voto quando foi interrompido pelo presidente.

Villas Boas pediu que Agenor fosse ‘prático’, pulasse a leitura de doutrina para acelerar o julgamento, citando o Regimento Interno como fundamento.

O juiz retrucou e disse que sua fala como julgador estava sendo “cassada”. Villas Boas negou que estivesse cassando a fala do juiz, mas o criticou: “aqui não é local para ficar dando lição doutrinária”. A discussão segue, ainda mais intensa:

Agenor Alexandre: “Então eu me retiro. Eu suspendo o julgamento, porque não estou tendo o direito de julgar. Vossa Excelência tem essa mania de cortar as pessoas para não julgar…”.

Villas Boas: “Vossa Excelência se coloque no seu lugar como juiz da corte”.

Agenor Alexandre: “Eu me coloco sim e Vossa Excelência me respeita. Vossa Excelência não respeita os juízes que estão aqui. Eu não estou mais em condições de julgamento e requeiro cópia disso aqui para encaminhar ao corregedor do Tribunal Superior Eleitoral. Fui cassado no meu direito de julgar”.

Villas Boas: “Cassado, não. Vossa Excelência tem a palavra e pode concluir o julgamento”.

Agenor Alexandre: “Não tenho mais condições psicológicas, senhor presidente. Desculpe, senhores advogados, senhores presentes. É assim que funciona o tribunal aqui”.

Villas Boas: “Ah, essa agora!…”

Agenor Alexandre: “Eu renuncio aqui à Justiça Eleitoral”, finalizou.

Em seguida, o juiz Agenor Alexandre saiu do plenário e o presidente passou ao julgamento seguinte que estava na pauta, em clima tenso.

Mesmo com a discussão acalorada na presença de outros juízes e desembargadores, membro do Ministério Público Eleitoral, advogados e servidores, ninguém teve coragem de intervir para contornar a situação.

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