Justiça absolve um dos acusados de matar advogado Danillo Sandes e três vão a júri popular

Redação AF - |
Foto: Divulgação
Advogado de Araguaína, Danilo Sandes.

O farmacêutico Robson Barbosa da Costa e mais dois policiais militares do Estado do Pará, Wanderson Silva de Sousa e João Oliveira Santos Júnior, foram pronunciados pela Justiça e serão levados à júri popular, acusados da morte do advogado Danillo Sandes Pereira, de 30 anos, crime ocorrido no dia 25 de julho do ano passado.

A decisão é do juiz Francisco Vieira Filho, da 1ª Vara Criminal de Araguaína, proferida nesta terça-feira (6). Ainda não há data para julgamento dos acusados pelo Tribunal do Júri.

Na mesma decisão, o magistrado impronunciou o policial Rony Macedo Alves Paiva diante da ausência de indícios suficientes de autoria, ou seja, de sua participação no homicídio. O juiz manteve a prisão preventiva dos outros três acusados e revogou a de Rony, determinando a expedição de alvará de soltura.

Robson, Wanderson e João Oliveira responderão por homicídio qualificado por motivo torpe, dissimulação e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de ocultação de cadáver. O farmacêutico ainda responderá por posse irregular de arma de fogo de uso permitido e restrito. A Polícia Civil encontrou um arsenal na residência do acusado no estado do Pará, no dia 28 de agosto de 2017.

Atuaram como assistentes de acusação a mãe do advogado e a Ordem dos Advogados do Brasil no Tocantins.

ENTENDA

Conforme a denúncia do Ministério Público Estadual, o farmacêutico Robson arquitetou o crime durante um processo de inventário dos bens deixados por seu pai, no valor de aproximadamente R$ 7 milhões. Tudo começou após uma discussão entre os herdeiros. Robson, para se beneficiar, teria tentado sonegar bens e valores no processo, mas seu advogado, Danillo Sandes, teria se recusado a agir desta forma e optou por renunciar o caso.

Uma carreta que estava sendo usada pelo farmacêutico e gerava uma boa renda a ele também foi vendida para pagar despesas do inventário. Por causa disso, Robson foi obrigado a voltar para o trabalho antigo.

Segundo as investigações, o farmacêutico ficou inconformado e resolveu contratar o pistoleiro e integrante de um grupo de extermínio, Rony Macedo Alves Paiva pelo valor de R$ 40 mil e deu ‘carta branca’ para acionar os demais militares e executar a vítima. O pagamento foi dividido em duas vezes, a segunda parcela seria paga após a realização do serviço.

EMBOSCADA 

O grupo de extermínio teria planejado e simulado um novo inventário com um valor total de R$ 800.000,00, fora os bens imóveis e gado, na região de Filadélfia (TO), e então entrou em contato com o advogado para estar à frente da causa. Wanderson chegou a se dirigir até o escritório da vítima Danillo para apresentar ‘a causa’ ao advogado.

No dia 25 de julho, o advogado recebeu uma ligação de Wanderson, e eles combinaram que iriam até a cidade de Filadélfia para tratar do assunto.

Danillo teria se deslocado até as proximidades do posto de saúde do Setor Jardim das Flores, onde deixou sua moto estacionada, entrou em um veículo e sentou no banco dianteiro do carona, segundo testemunhas.

Dentro do veículo, estavam os dois policiais militares (Wanderson e João Oliveira), que teriam recebido ordens de Rony Macedo. No caminho, o advogado foi assassinado com dois tiros na nuca. O corpo foi escondido em uma fazenda, às margens da rodovia TO-222, no km 20, e encontrado cinco dias depois em avançado estado de decomposição.

Segundo o MPE, após o serviço feito, o farmacêutico pagou aos policiais o restante do valor combinado para o serviço.

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