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Justiça erra e prende trabalhador de Araguaína no lugar de assaltante que praticou roubo em Goiânia

Redação AF - |
Foto: Divulgação
Trabalhador ficou preso durante uma semana na CPPA.

Da Redação //AF Notícias

No final da década de 30, a cidade de Araguari (MG) vivenciava um dos casos que seria conhecido no Brasil como o maior erro judiciário da história, quando dois irmãos foram torturados e condenados pela morte de um homem que estava vivo. É o caso dos irmãos Naves.

O trabalhador Andresley Carlos, de 34 anos, morador de Araguaína, também viveu uma dessas histórias, ao que tudo indica, um grosseiro erro judiciário.

No último dia 21 de junho de 2017, Andresley estava no seu local de trabalho quando foi preso em razão de um mandado de prisão expedido pela Comarca de Goiânia, por um suposto roubo de veículo ocorrido em maio de 2013, sem nunca sequer ter visitado a cidade. A prisão seria para o cumprimento da condenação, de 5 anos e 4 meses de reclusão.

Surpreso e sem entender o que estava acontecendo, o trabalhador começou sua luta para provar a inocência, mas com a ajuda de familiares, já que estava recolhido na Casa de Prisão Provisória de Araguaína (CPPA).

Daí juntou cópia de contratos e carteira de trabalho devidamente assinados, comprovantes de residência, contracheques, tudo para provar que não saiu de Araguaína durante todo o ano de 2013. Além disso, apresentou um Boletim de Ocorrência relacionado à perda de seus documentos pessoais, justamente naquele ano.

Diante dessas provas, os advogados Eduardo Cardoso e Francisco das Chagas, que atuam na defesa de Andresley, acreditam que um terceiro encontrou os documentos e os usou para praticar o crime. Esse criminoso foi condenado, cumpriu parte da pena e fugiu, sempre se passando pelo trabalhador de Araguaína. “Coisa de novela. Meu cliente não é a mesma pessoa que foi processada e condenada por roubo”, garante Cardoso, que juntou no processo a foto de Andresley e também do verdadeiro criminoso.

Segundo o processo, o criminoso teria sido preso em flagrante na cidade de Goiânia, em maio de 2013, cumprindo parte da pena, progredido ao regime semiaberto, mas foragiu-se no dia 28 de fevereiro de 2014.

Já Andresley estava trabalhando com a carteira assinada em Araguaína durante todo esse período em que o criminoso se passava por ele na capital goiana. “Meu cliente também nunca esteve na cidade de Goiânia”, acrescenta o advogado Eduardo Cardoso.

“O criminoso usou os dados de Andresley e conseguiu enganar o delegado, no dia da prisão, o promotor, defensor público e juiz. Ninguém percebeu! A situação é totalmente bizarra, posto que um homem encontra-se privado de sua liberdade em razão de um erro do Judiciário”, afirma o advogado.

A liberdade de Andresley só saiu nesta quarta-feira (28) por decisão do juiz Levine Raja Artiaga, da Vara de Execução Penal de Goiânia. O magistrado afirmou existir indícios de que Andresley não é o alvo do mandado de prisão pelo crime de roubo.

Agora, o trabalhador de Araguaína vai lutar na justiça por indenização em razão de todo o vexame sofrido.

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