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Botelho teria recebido 10 cheques no valor de quase R$ 1 milhão de empreiteira investigada pela PF

Redação AF - |
Foto: Divulgação
Deputado teria procurado uma agência bancária para fazer depósitos em diversas contas.

O nome do deputado federal Lázaro Botelho (PP) aparece em um relatório do COAF – Conselho de Controle de Atividades Financeiras, utilizado pela Polícia Federal na Operação Ápia, por ter supostamente recebido quase R$ 1 milhão em cheques de uma das empreiteiras investigadas por suspeita de integrar um quartel de fraude e direcionamento de licitações de terraplanagem e pavimentação asfáltica em rodovias estaduais do Tocantins.

A investigação refere-se à empresa EPENG Projetos de Engenharia Ltda, que possui conta bancária no HSBC de Araguaína.

Segundo o COAF, o deputado federal procurou pessoalmente uma agência bancária em Araguaína com 10 cheques de R$ 99 mil reais cada um e queria fazer depósitos em contas distintas. Na época, o parlamentar concorria à reeleição de deputado federal.

Ainda segundo o COAF, os cheques totalizavam quase R$ 1 milhão, todos em nome da empreiteira EPENG. Ao ser informado pelo gerente do banco que não poderia fazer depósitos sem identificação, o deputado teria dito que “transformaria os cheques em dinheiro na praça”. Apesar disso, o COAF não detectou movimentações financeiras em conta do parlamentar.

A EPENG faz parte de um cartel de empreiteiras suspeitas de participar de fraudes em licitações. A empresa foi responsável pela obra inacabada de pavimentação da TO-010, entre Ananás e Araguatins, que está paralisada desde agosto de 2014, com contrato no valor de R$ 89 milhões. A empresa chegou a receber R$ 35,4 milhões do Governo do Estado. Desse valor, R$ 9,5 milhões teriam sido desviados para enriquecer a empresa de forma ilícita. A empresa pavimentou apenas 10 km dos 80 km que estavam previstos.

A análise do COAF – Conselho de Controle de Atividades Financeiras utilizada pela polícia federal revelou que a empresa EPENG fez movimentações bancárias atípicas entre junho e outubro de 2014, quando recebeu os R$ 35 milhões. A empresa fez sucessivos saques em espécie e transferências para contas de pessoas físicas que aparentemente não tinham nenhuma relação com a empresa, em valores de R$ 100, R$ 300 mil e até R$ 600 mil.

O Ministério Público Federal não repassou mais detalhes devido as investigações estarem sob sigilo.

O outro lado

Em nota, o deputado Lázaro Botelho afirmou que não foi procurado pelas autoridades competentes e que não teve acesso a qualquer informação oficial que relacione seu nome às investigações conduzidas pela Polícia Federal.

Na nota, o Deputado reforça ainda que não há qualquer ligação entre ele e a empresa Epenge; que não recebeu quaisquer valores ou vantagens por parte da referida empresa; e que não procede a afirmação de que teria procurado uma agência bancária, na tentativa de depositar cheques emitidos pela empresa.

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