Márlon Reis dá sinais de que vai escorregar na própria história – por Alberto Rocha

Redação AF - |
Foto: Nielcem Fernandes
Marlon Reis (Rede)

Alberto Rocha //Opinião

Em política, as portas estão abertas até para o pior inimigo.

Marlon Reis, o idealizador da Lei da Ficha Limpa, aquela que barra políticos condenados pela justiça, dá sinais de que vai escorregar na própria história ao acenar para possíveis alianças para as eleições de outubro.

O ex-juiz, que quer ser governador do Tocantins, parece não resistir ao feitiço das alianças políticas. Na rota da contradição, Reis sinaliza uma candidatura marcha à ré, o que pode arruinar sua própria história como ‘pai’ da Ficha Limpa.

Parece que não está sendo difícil para Marlon Reis apartar-se do caminho que sempre defendeu. Não está tendo coragem de resistir ao canto da sereia. Embriagado pela vaidade, parece que vai esquecer tudo para, quem sabe,  “morrer na praia” com a Lei da Ficha Limpa debaixo do braço.

O ‘Homem da Ficha Limpa’, que fundou o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e já foi considerado um dos 100 brasileiros mais influentes do País, lançou-se no mundo da política como o ‘Messias do Cerrado’, aquele que devolveria a esperança, a ética e a honestidade a uma sociedade desacreditada com políticos.

Mas o que se vê agora é um homem que vai se arrastando como outros na direção do contraditório ao sinalizar alianças com políticos inelegíveis e familiocráticos. A linda roseira que ele cultivava corre o risco de ser esmagada pela roda-viva de alianças feitas à sombra dos interesses e de vaidades.

E eu aqui desiludido, apenas observo a roda-viva carregando tudo pra lá. É assim mesmo: melhor um desengano cedo do que uma esperança tardia.

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Alberto Rocha é teólogo e jornalista.

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