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OAB afirma que pacientes recebem tratamento “indigno até para animais” no maior hospital público do Tocantins

Redação AF -
Foto: OAB
Membros da Comissão de Saúde visitam Hospital Geral de Palmas e encontram situação calamitosa.

Depois de acompanhar a rebelião de pacientes e acompanhantes nesta terça-feira, 29 de agosto, no maior hospital público do Estado, o Geral de Palmas, a Ordem dos Advogados do Brasil no Tocantins (OAB-TO) afirmou que está preparando as medidas jurídicas em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF),  Ministério Público Estadual (MPE), Defensoria Pública da União (DPU) e Defensoria Pública Estadual (DPE) para buscar a normalização do atendimento aos pacientes, acompanhantes e servidores.

Ao verificar a situação in loco, o presidente e o membro da Comissão de Saúde da OAB, Pabllo Félix e Aristóteles Melo Braga, respectivamente, classificaram o tratamento que as pessoas estão tendo no local como “inqualificável”. “O que se viu no HGP não condiz com o tratamento de humanos, sequer enquanto animais, sendo que as dificuldades estatais, sejam elas advindas das vicissitudes econômicas do país, sejam da ineficiência da gestão, não podem negar vigência aos princípios e objetivos fundamentais da dignidade da pessoa humana e da promoção do bem de todos”, destacou o presidente da Comissão de Saúde.

Durante a rebelião, ao menos 122 pessoas na fila de espera por uma cirurgia bloquearam corredores e o centro cirúrgico do hospital. Entre as pessoas que protestavam, havia gente com fratura há 70 dias esperando para ser operado no hospital.

Muitas das pessoas que estão internadas aguardando cirurgias ocupam os corredores do hospital, que apresentam imensas filas dos dois lados. A tenda, montada no final de 2013 para ser provisória, já está incorporada definitivamente ao hospital. Superlotada, conta com pessoas com doenças respiratórias, doenças agudas e pacientes que aguardam cirurgias ortopédicas lado a lado. “O caso é deveras complexo, pois não é só o pai ou mãe de família que fica retido no HGP e demais hospitais da rede estadual aguardando uma cirurgia cujo tempo de espera é medido pela régua da eternidade, mas, também, seus acompanhantes. E o somatório do sofrimento conta, ainda, com a fome e a desassistência desse pai ou mãe de família aos seus dependentes”, frisou Pabllo Félix.

Na tenda, ao menos três dos cinco aparelhos de ar condicionado não estão funcionando. Conforme os funcionários, um dos equipamentos está estragado há quase 40 dias.

Sofrimento

Para Pabllo Félix, a situação atual é de total sofrimento e calamidade. “Enfim, todos sofrem: o doente admitido no hospital, porque não é curado; seus dependentes porque estão sem a devida assistência do provedor; a sociedade, pois paga o custo desnecessário de um paciente que já deveria estar recuperado e passa a conviver com a superlotação nosocomial causada, não necessariamente, mas especialmente, pela ausência de efetivas altas hospitalares”, explicou.

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