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Políticos comandam escolas no Tocantins e indicam quase 80% dos diretores, aponta MEC

Agnaldo Araujo - | - 980 views
Cerca de 80% dos diretores escolares são indicados no Tocantins

Quase 80% dos diretores de escolas públicas no Tocantins foram escolhidos apenas por indicação, na maioria das vezes política, e sem critérios que comprovem a formação ou capacidade de trabalho dos profissionais. Já no Brasil esse percentual é de 45%.

Os dados fazem parte de um levantamento realizado pela Folha de São Paulo, divulgados neste sábado (30). Os números foram tabulados a partir das respostas de 55 mil diretores a um questionário aplicado em 2015 pelo Ministério da Educação (MEC).

Geralmente, as indicações contrariam o desejo da comunidade escolar e afetam a estabilidade da equipe, um dos principais fatores para o bom desempenho dos estudantes. Além disso, esses dirigentes indicados tendem a possuir pior formação e menos experiência no ensino do que os selecionados por concurso ou eleição.

E com tanta indicação, o Tocantins fica em terceiro lugar no ranking nacional. O Estado só perde para o Amapá (com 85%) e Maranhão (com 82%).

Em 2015, uma proposta foi apresentada no Tocantins para que os diretores e vice-diretores escolares fossem escolhidos mediante eleição democrática, mas a proposta foi barrada pelos deputados estaduais na Assembleia Legislativa.

Já no mês passado, a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) propôs um processo seletivo, mas dessa vez excluiu a eleição, a participação dos professores, alunos e comunidade em geral. A medida não agradou o sindicato da categoria, o Sintet – Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Tocantins.

O processo seletivo prevê apenas prova objetiva, apresentação de titulação (graduação, pós-graduação) e até exige um plano de gestão, no entanto, no final de todo esse trâmite a lista de candidatos classificados será encaminhada ao governador, com os nomes em ordem alfabética, e ele decidirá quem irá assumir a função de diretor escolar.

Para o Sintet, no formato proposto pela Seduc, a seleção é somente “mais uma ação midiática da atual secretária estadual de Educação, Wanessa Sechin”.

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