Professora diz ter sido vítima de racismo e intolerância religiosa dentro da Assembleia

Redação AF - |
Foto: Divulgação
Solange Nascimento é professora da UFT.

A professora da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Solange Nascimento disse ter sido vítima de racismo e intolerância religiosa dentro da Assembleia Legislativa do Tocantins, a Casa do Povo, durante uma solenidade na manhã desta quinta-feira (8) – Dia Internacional da Mulher. A conduta racista teria sido praticada por parte do chefe da assessoria militar da Assembleia, Coronel Alan.

Segundo a professora, o episódio aconteceu na porta de acesso ao plenário, onde teria sido barrada. Solange conta que foi empurrada e pediu ao agente que não lhe tocasse. “Pedi para que não tocassem no meu corpo, porque me empurraram pelo ombro e ele me disse que tinha autoridade para fazer aquilo. E eu respondi que ele não tinha autoridade sobre o meu corpo”, relatou Solange indignada.

Durante a discussão, o coronel teria questionado qual a religião da professora, o que causou estranheza, segundo a denunciante. Abalada, Solange chorou após o fato e disse que fará uma representação aos órgãos competentes. O crime de racismo é imprescritível e inafiançável, conforme a Constituição Federal.

NOTA DE APOIO

Em nota, a FECCAMTO – Federação das Casas de Culto de Matriz Africana do Tocantins manifestou solidariedade à professora Solange do Nascimento.

A Federação disse que repudia todo ato de intolerância religiosa e de preconceito racial, e solicitou à Mesa Diretora da Casa que determine a abertura de procedimento para investigar o caso, e “dê a punição adequada de forma a não deixar dúvidas sobre a posição dos deputados com relação ao racismo”.

O OUTRO LADO

Em nota, a chefia da Assessoria Militar da Assembleia disse que a denúncia da professora “não procede e não corresponde com a verdade”, e está “convicta” da sua inocência.

Segundo a nota, o chefe da Assessoria pediu que a professora ocupasse uma das cadeiras que lhe estava reservada no plenário. Entretanto, ela o interpelou de forma agressiva, gesticulando e afirmando que o chefe da segurança não poderia mandar-lhe sentar.

Ainda conforme a nota, o que houve foi um “mal-entendido” por parte da professora, já que em nenhum momento o policial agiu de forma “grosseira, descortês ou imperativa”.

A nota diz ainda que a verdade dos fatos será esclarecida por meio de testemunhas – inclusive mulheres presentes na ocasião –, além de imagens captadas pelas câmeras da segurança interna da Assembleia.

ABERTURA DE SINDICÂNCIA

A Diretoria Geral da Assembleia também determinou abertura de sindicância interna para apuração do caso e reafirmou o compromisso da Assembleia com a transparência e a democracia na relação com a sociedade. “Todos os fatos serão apurados para as medidas cabíveis”, diz a nota.

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