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Retirada de famílias da Fazenda da Maconha pode ter conflito sangrento e MST teme nova chacina

Agnaldo Araujo -
Foto: Ilsutrativa
Mais de 500 famílias devem ser despejadas

Mais de 500 famílias acampadas na Fazenda Santa Barbara, localizada às margens da BR-235, município de Fortaleza do Tabocão (TO), estão prestes a serem despejadas. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST-TO) repudiou a intenção e informou que o 7° Batalhão da Policia Militar de Guaraí está preparado para, a qualquer momento, realizar o despejo. O clima é de tensão no acampamento.

Conforme o MST, a área foi ocupada pelas famílias do Acampamento Olga Benário que se encontravam acampadas às margens da BR 153 desde 2013 devido à “morosidade e descaso” do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).

O MST também informou que as mais de 500 famílias do acampamento não têm para onde irem e o INCRA está em “silêncio” e não consegue dar uma resposta concreta e solução para o conflito. O movimento acrescentou que as famílias irão resistir até as ultimas consequências e teme por uma nova chacina contra os trabalhadores rurais, a exemplo do ocorrido em Eldorado dos Carajás (1996) e Pau D’Arco (maio de 2017) no estado do Pará. Órgãos públicos, entidades sociais e autoridades políticas a nível estadual e nacional já foram informadas sob este conflito agrário na região, conforme o MST.

O MST ainda informou que a fazenda foi ocupada em abril de 2017 por ser terra pública da União e que foi apropriada irregularmente por fazendeiros, grileiros e jagunços representados por um agente aposentado da Polícia Rodoviária Federal de Guaraí, juntamente com seu filho. “Os mesmos estão aterrorizando e ameaçando os trabalhadores/as rurais sem terra que se encontram acampados na Fazenda Santa Barbara – conhecida na região como Fazenda da Maconha”, afirmou.

O Núcleo da Defensoria Pública Estadual Agrária (DPAGRA), o Ministério Publico Federal e o Estadual e a Advocacia Geral da União estão atuando juridicamente no sentido de solucionar o impasse.

Histórico da área

Em 2006 esta área foi flagrada cultivando maconha e por isso foi expropriada e destinada para o INCRA. No decorrer desse processo, o agente aposentado da Policia Rodoviária Federal teria se apropriou da área e posteriormente negociado o terreno para outras pessoas que hoje afirmam serem donos desta terra.

“Os ditos proprietários da Fazenda Santa Barbara, grande plantadora de soja, alegam serem posseiros e estão agindo de forma imoral, ilegal e mentirosa quanto ao pedido de regularização fundiária da terra através do Programa Terra Legal”, afirmou o MST.

Em 2016, o INCRA realizou uma vistoria na área e confeccionou um Laudo de Viabilidade Técnica, onde inviabilizou a área para criação de assentamento de reforma agrária, o que para o MST, abriu um “tendencioso parâmetro legal para o Programa Terra Legal regularizar a terra em nome dos grileiros da Fazenda Santa Barbara”.

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